EyeHateGod
Postado em 06 de abril de 2006
por Daldon Junior
Imagine um cruzamento sonoro de Black Sabbath, Napalm Death e Black Flag. Adicione letras que poderiam ter sido escritas por Charles Manson ou pelo Marquês de Sade. Tempere com altas dosagens de heroína, álcool e remédios tarja preta. Talvez com essa mistura nem um pouco indicada você consiga imaginar o que é EyeHateGod. O grupo nascido em New Orleans não tem nada a ver com as tradições jazzisticas e bluseiras desse conhecido recanto sulista.
A banda, cujo trocadilho do nome soa como "eu-odeio-deus" em inglês, é perturbadora em todas as instâncias. Até suas formações volúveis e discografia obscura são difíceis de serem compreendidas. Sabe-se que, oficialmente, o grupo lançou cinco CDs e teve a passagem de quatro baixistas. O primeiro disco, In The Name Of Suffering, que está completando agora 10 anos, já trazia a química doentia da banda. O álbum seguinte, Take As Needed For Pain, de 1993, manteve a mesma produção tosca e as microfonias inconfundíveis.
Em Dopesick, lançado em 1996, a banda deu um salto qualitativo, adicionando mais peso em suas músicas. Entretanto, o acabamento "podrão" do trabalho seguiu a linha dos dois CDs anteriores. Logo na sequência, o fim do conjunto foi anunciado. Mas, em 2000, depois de um hiato de quatro anos, o EyeHateGod ressurge com dois lançamentos completamente inesperados: Southern Discomfort e Confederacy Of Ruined Lives. O primeiro é uma coletânea de demos e faixas inéditas, enquanto o outro trata-se de um álbum de estúdio, considerado o melhor trabalho do grupo.
Mas as incertezas fazem mesmo parte da trajetória da banda, que se diluiu pouco depois de lançar os novos CDs. Na verdade, ninguém, nem mesmo os membros do EyeHateGod, sabem do futuro do grupo. Enquanto estava na ativa, costumava ser Michael Williams (vocais), Brian Patton (guitarras), Jimmy Bower (guitarras) e Joe LaCaze (bateria). O baixista original foi Steve Dale, substituído por Mark Schultz no segundo álbum, que deu lugar para Vince LeBlanc em Dopesick. Na mais recente formação do conjunto, Daniel Nick estava no comando das quatro cordas.
Os membros são figurinhas carimbadas do underground de New Orleans, tendo amizade e parentesco com gente de muitas outras bandas. O guitarrista Brian Patton também integrou o Soilent Green, enquanto Jimmy Bower já fez parte do Crowbar e do projeto paralelo Down, onde deixou seu instrumento de lado e tocou bateria. Diga-se de passagem, Down ainda reuniu outros talentos como Phil Anselmo do Pantera (vocais), Pepper Keenan do Corrosion of Conformity (guitarra) e a dupla do Crowbar, Kirk Windstein (guitarra) e Todd Strange (baixo).
Daldon Junior é roqueiro convicto, jornalista formado pela Puccamp e atua como repórter no jornal Periscópio (Itu-SP). Contatos: [email protected].
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