A volta dos Beatles em 1976: Lenda Urbana?

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Por Mário Pacheco
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Na tarde do dia 16 de dezembro de 2003, começa a mais fantástica e frustrante ‘estória’ de todos os tempos envolvendo os Beatles.

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Tudo aconteceu quando acessei whiplash.net e, li "Fita prova que Beatles tocaram juntos em 1976". Devido aos filtros de censura não consegui abrir a matéria... Comentei com minha chefe, - os Beatles juntos em 76! E eu não consigo ler... Eliane informou-me, - está no “Jornal de Brasília”... Eu corri atrás do JBr e li a matéria e com o nome do estúdio de Los Angeles onde a gravação teria ocorrida..., digitei Davlon Studios na caixa do google em português e o portal beatles.com.br acenou com uma nova matéria. Novamente, o acesso a este espaço foi vetado... Procurei informações em estadao.com.br que têm me servido de notícias dos Beatles há muito tempo... Lá o título era: Site diz ter achado fita secreta dos Beatles de 76. Surgiu outro caminho, momentsintime.com, o site de leilão logo acionado na caixa do google. Lá a mensagem era que em 1997. Paul McCartney, teria ameaçado um repórter do jornal londrino The Sun, “tried up in court for the rest of your life”, mais à frente, “the session allegeddly ended in great disharmony with the Beatles fightning amongst themselves and they ultimately all stormed out” (...) the audiotape itself, wich is present in the case, was bulk erased allegedly at the Beatles’s insistence, to try to keep secret the fact that this session ever took place.”

Moments in time, dispôs a ficha com a logomarca Davlen timbrada relacionando os nomes com os tempos de duração das cinco músicas e fotos da maleta da fita AMPEX com suas etiquetas: a data de “11-2-76” (2/11/1976) neste mesmo adesivo ainda a sigla “W.E.A”, avisos de “carregue com segurança”, “master reel one” e desafortunadamente “material gravado mantenha distante de campo magnético!”

Informações datilografadas no selo da fita:

Client: Warner/Elektra/Atlantic
Artist: John, Paul, George, Rich
Producer: GM
Engineer: GE
Master Reel#1
Tones
#1 Happy Feeling 4 min 32 sec
#2 Back Home 3 min 43 sec
#3 Rockin’ Once Again 5 min 34 sec
#4 People of the 3rd World 7 min 48 sec
#5 Little Girl 4 min 54 sec

De posse do nome de Len Kovner, o construtor, proprietário-fundador e um dos possíveis engenheiros presentes à gravação, abri davlensoundstudios.com. Que por uma década, de 1973 a 1983, teria sido o biscoito fino e bem sucedido estúdio de gravação em Los Angeles. Três fotos evocavam uma panorâmica gigante do estúdio com seu piso de ladrilhos, cortinas e o piano de cauda ao centro e a na extremidade a mesa de mixagem com três cadeiras e dois telefones brancos cheio de teclas em cada ponta, ao clicar na foto ela se expandia...

Com a cabeça mais leve conectei o computador da seção à linha discada e abri o portal beatles.com.br e li Os Beatles juntos em 1974???. De acordo com Vitor Suman, o colecionador teria soltado a informação de que a fita seria gravada em 1974 e não a 02 de novembro de 1976, como está na etiqueta da fita AMPEX, e ainda segundo o mesmo, as sessões não correram bem, devido à constante presença de Yoko Ono no estúdio. A fita foi adquirida por um amigo desse colecionador num leilão feito no estúdio Davlon, quando o mesmo foi fechado em 1983. Vitor Suman sustenta que uma fita apagada em 1974 com aparelho magnético seria perfeitamente recuperável, devido às evoluções naturais que ocorreram nesses trinta anos. Há, é claro, uma grande perda de qualidade. Não fica claro se foi o colecionador que passou essa informação técnica...

Quanto a datação da fita ser de 1974. Trata-se de um engano. Em 97, O jornalista Roy Deane, do jornal escocês “Rockmine Archives”, passou um email a Len Kovner, perguntando se ele poderiar dar detalhes da suposta sessão que teria acontecido no Davlen Studios – Roy Deane, em seu email sustentava que os Beatles haviam se reunidos rapidamente em 1973, durantes as sessões do álbum “Ringo” ou em 74, quando das sessões do álbum solo do cantor “Harry Nilsson” produzido por John Lennon e se Kovner poderia esclarecer a suposta reunião...

Len Kovner, teria respondido que precisaria pedir permissão a George Martin para aprofundar-se nessa que é uma das passagens mais obscuras da história dos Beatles...

“THE LOST WEEKEND”

Em fevereiro de 2003, foi a leilão uma gravação que registra a parceria de John Lennon tocando guitarra e Mick Jagger nos vocais para uma versão do blues “Too Many Cooks”. Gravada em marco de 1974 e encontrada 29 anos depois. Jagger confirmou a gravação e disse que essa parceria foi feita enquanto Lennon atravessava uma fase turbulenta em seu casamento com Yoko Ono, a chamada fase “Lost Weekend”, durante a qual resolveu colaborar com alguns de seus amigos músicos.

No CD-Pirata “The May Pang”, tirado de uma cassete aparece uma semi-reunião dos Beatles, onde John e Paul, acompanhados por Harry Nillson, Stevie Wonder e Bobby Keys, comandaram uma sessão de 30min, bêbados, onde não conseguiram tocar quase nada. Apenas uma versão de “Lucille” (de Little Richard) e uma de “Stand by me” (de Ben E. King), que John gravou no seu álbum “Rock and Roll”, gravado pouco tempo depois.

Até 1975, os Beatles estavam sob contrato com a EMI. Sir Lew Grade, o poderoso editor das canções de Lennon & McCartney que havia acionado Paul na justiça questionando a capacidade de Linda McCartney para compor canções, permitiria a gravação debaixo de seu nariz? Se John Lennon estava separado de Yoko, como é que ela poderia ter tumultuado as sessões?

John que já havia sido tentado por Phil Spector a lançar o disco ‘Rock’n’Roll’ pela A&M Records e com o contrato cumprido poderia aceitar a proposta da W.E.A (ironicamente seria este selo a lançar o último disco de John & Yoko, “Double Fantasy”) e exigir a presença de George Martin, o produtor de quase todos os discos dos Beatles. Mais estranho é que a cópia intacta (não apagada) estaria na sala de tesouros dos estúdios Abbey Road, em Londres, não descartando a influência da Apple sob as gravações.

Reatado com Yoko Ono, John Lennon apresentou-se ao vivo, num especial de tevê pela última vez a 18 abril de 1975.

1976. OS BEATLES SE REAGRUPARAM???

No ano em que comemorava-se o Bicentenário dos Estados Unidos, reunir os Beatles num mesmo país representava meio caminho andado.

Os empresários Bill Sargent e Sid Bernstein em ocasiões diferentes compraram páginas inteiras do “New York Times” para publicar ofertas milionárias para um reencontro dos Beatles.

Este diálogo a 27 de julho:

Juiz – Você cometeu algum crime em algum lugar dos EUA?

Lennon – Não.

Juiz – Já foi membro do Partido Comunista ou de alguma organização que pretende derrubar o governo dos EUA pela força?

Lennon – Não.

Juiz – Pretende fazer dos EUA seu lar?

Lennon – Sim, pretendo.

Juiz – Vai continuar seu trabalho aqui?

Lennon – Sim, quero continuar vivendo aqui com minha família e continuar fazendo música.

Finalmente premiava John Lennon com o tão aguardado Green Card que lhe garantia a permanência na América do Norte por tempo indeterminado.

- O número do meu cartão – gritou John para a multidão de repórteres – é de A17 – 597 –321! Agora só quero descansar”.

O momento era propício para a reunião. Ringo cantava Only you, George tirava um sarro em This song e McCartney e os Wings lideravam as paradas com Silly love songs. Dos Beatles foram lançados o álbum-duplo Rock’n’Roll Music e mais 26 compactos de 45 RPM.

Nas telas, Ringo estava de tiara na pele de um papa no filme Liztmania de Ken Russel e também lançara o LP Rotogravure contendo I’m Greatest (composição de Lennon) gravada por George Harrison, Billy Preston, Ringo, Klaus Voorman que sugeriram montar uma nova banda com John. Alguém se lembra do Klaatu?

Paul McCartney e os Wings excursionavam pela América registrando em vídeo e áudio as apresentações.

Ao final do ano, o documentário-colagem, All this and world war II - Alucinados do Som e da Guerra com imagens da Segunda Grande Guerra Mundial entrava em cartaz.

McCARTNEY VERSUS GARY ZIMET

Apesar de Len Kovner peremptoriamente ter desmentido a veracidade da gravação, Moments in time, continua oferecendo a fita da sessão de gravação dos Beatles que não houve...

Geoff Baker, o porta-voz de McCartney e da gravadora Apple garantiu que a banda nunca se reuniu em 1976, “a coisa toda é uma bobagem”. “Nunca ouvi falar nessas músicas ou dessa reunião”. Por sua vez Paul McCartney no calor da hora afirmou “não ter consciência do fato”; George Martin que estava viajando através de seu assessor, afirmou, “não conhecer”...

E, Bruce Spizer, autor de vários livros sobre os Beatles também disse que nunca viu nenhuma evidência de que eles teriam gravado juntos em 1976. “Quais as chances de ter acontecido e ninguém ter ficado sabendo”, disse ele à revista americana “Rolling Stone”.

O colunista Lloyd Grove do jornal ‘New York Daily News’, perguntou, - teriam os Beatles se reuniram seis anos depois da separação – para uma sessão de gravação abortada em Los Angeles?

Esse rumor obsessivo tomou conta da Internet quando o curador Gary Zimet, (desafeto de Paul McCartney) anunciou que ele detinha a caixa do tape apagado. Gary Zimet, leiloeiro de Nova Iorque, ofereceu a Paul McCartney via carta, o manuscrito original da música "Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band" (manuscrito original foi roubado da casa de Paul McCartney, em Londres, há 30 anos) de volta por 550 mil dólares e posteriormente também via carta, oferecia outros objetos que teriam pertencido a John Lennon…

McCartney, então procurou a justiça dos EUA. Processado, Zimet alegou ser apenas o intermediário de um colecionador que é o real vendedor do manuscrito. Como resultado da ação na Suprema Corte de Nova Iorque, Zimet entregou o nome do tal colecionador ao advogado do Paul, Alan Friedman. Paul pretende levar este caso até o final...

Desta feita, Gary Zimet identificou Keith Chrismon, um texano residente no Arizona como o proprietário que revelou apenas ter adquirido a fita de um “ex-funcionário da Apple”, há seis semanas atrás... e que este funcionário morria de medo de Paul McCartney e por isso não tornara público o tape...

Num hipotético email enviado em maio 1997, pelo fundador do estúdio Davlen, Len Kovner pedia que Roy Deane, lhe fizesse uma ligação pois, “é muito difícil falar desse que é um dos mais obscuros eventos na história dos Beatles e que ele poderia adicionar novas luzes”...

Uma década depois da extinção do Davlen Studios, seis anos depois do email, Len Kovner deu sua versão dos fatos: naquele estúdio os Beatles juntos jamais gravaram!

O representante de Paul McCartney, Paul Freundlich, não retornou as milhares de chamadas que recebeu do mundo todo...

Em entrevista à revista “Rolling Stone”, Gary Zimet declarou que estava louco à procura de uma outra fita de outra suposta reunião dos Beatles nas Bahamas...

Enfaticamente, o produtor Len Kovner, no espaço de seu site foi esclarecedor, “Nenhuma sessão deste tape aconteceu no Davlen Studio” (...) “A reunião secreta dos Beatles é um mito”!

A suposta reunião não passou de boatos exagerados, “de uma bobagem”.

Está é a declaração final de Len Kovner e que infelizmente, não aborda a resposta do hipotético email assinado por ele, onde pediria a George Martin autorização para jogar luzes...

A década de 70 esperava em vão pelos Beatles!

As desavenças entre McCartney e Zimet continuam... No site, momentsintime, o “desacreditado” leiloeiro exibe um novo email de David Lines, o antigo sócio-fundador do Davlen Sound Studios. Ele acredita que Len Kovner diz a verdade ao jornalista Roy Deane respeitando o histórico evento...

O pior: tudo não terá passado de propaganda para o leilão do LP Double Fantasy autografado por Chapman?

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Sobre Mário Pacheco

Este corpo nasceu em Osasco/SP e desde dezembro de 1975, mora em Brasília. Em 1982, comecei fazendo fanzines, depois livros, cds e vídeos. Há um ano, assino e faço a edição de textos do site www.dopropiobolso.com.br.

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