Resenha - Lacrimosa (Olympia, São Paulo, 28/07/2004)

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Por Rafael Carnovale
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Fotos por Carolina Oliveira

Olha... por essa eu não esperava... juro que saí do Olympia na madrugada do dia 29 bem surpreso... e foi uma boa surpresa. Vários motivos me levaram a ir neste show, apesar de não ser um fã assumido do Lacrimosa: primeiro, a curiosidade de ver um dos nomes mais comentados do metal-gótico em ação ao vivo (escorado pelo fato de ter ouvido de Tilo Wolff que a banda ao vivo era bem mais rockeira), e segundo o fato de ser esta a única data reservada para o Brasil, fato que mobilizou fãs de todo país a virem para São Paulo. Este show era aguardado com ansiedade por todos os fãs da banda, e o fã clube oficial do Brasil chegou até a colocar uma contagem regressiva em seu site oficial, de modo que perder este show estava fora de questão. Particularmente ainda me perguntava se iria aguentar as duas horas de show programadas... afinal, apesar de gostar de algumas músicas do Lacrimosa, sou da opinião que a fusão de erudito, gótico, pop e metal que a banda executa às vezes soa meio cansativa, mas ao mesmo tempo muito interessante. Mas chega de opiniões e vamos logo ao show.

O Olympia foi invadido por cerca de 2200 fãs ávidos por Lacrimosa. O termo devoção chega quase a se encaixar no espírito que cerca estes fãs. Muitos vieram ao show vestidos como Tilo Wolff e Anne Nurmi (vocal e vocal/teclados respectivamente), e muitos vieram trajados com roupas estilo medieval, gótica e vampírica (com certo exagero). Considerando que a entrada de acesso do Olympia mantém um estilo de castelo medieval, tudo se encaixava perfeitamente para o show.

Eis que às 22h15 (o show estava marcado para as 22hs, e estes 15 minutos de atraso pareciam horas para os fãs), uma “intro” invade o Olympia e a histeria corre solta, com fãs berrando o nome da banda em uníssono. As cortinas se abrem e vemos Sascha Gerbig (guitarrista), Jay P. (guitarrista), AC (baterista) e Yenz (baixo) prontos para começar o show. Anne entra em seguida, e Tilo vem caminhando lentamente pelo palco, com a banda emendando “Schakal”, seguida de “Malina”. Tilo tinha o controle sobre o público, regendo-o como um maestro, ao som de “Alles Luge”, “Vermachtinis Der Sonne” e “Apart”. O público reagia intensamente, cantando cada trecho com Tilo e Anne.

“Der Morger Danach” e “Halt Mich” foram executadas, e logo percebe-se que a banda economiza bem o uso da orquestra. Anne toca algumas partes pelo teclado e assume os “samplers”. Quando a mesma exerce a função de vocalista solo, Tilo vai para o teclado. Mas Tilo é o dono e a estrela. Sua presença de palco, teatral, mas que esbanjava garra, contagiava os presentes. Apesar de não parecer intencional, era evidente que Tilo estava um patamar acima de seus companheiros de banda. E que banda! Coesa, precisa e competente, permitindo que o som intrincado do Lacrimosa soasse mais pesado, direto, mas ainda mantendo a personalidade que o consagrou.

“Alleine Zu Zweit” (um dos “hits” da banda) e “Seele in Not” continuaram o show, com a banda despejando energia, mesmo em momentos mais calmos. Seguiram-se “This Turning Point” (ovacionada pelo público) , “Kabinnet Der Sinne”, “Ich Verlasse Heut Dein Herz” e mais um “hit”, “Dutch Nacht und Flut”. O público parecia entender o alemão de Tilo, que não é de falar muito, mas se dirigia ao público sempre emocionado e agradecendo cada momento do show.

“Not Every Pain Hurts” e “Versiegelt Glanzumstront” encerraram o “set” normal. A banda sai do palco e a histeria retorna, com coros de “LACRIMOSA” sendo urrados por todos os presentes. Apesar do frio intenso que assolava São Paulo naquela quarta-feira, dentro do Olympia fazia calor... um senhor calor. Tilo e Anne voltaram sozinhos para executar “Darkness”, e o público urrou o nome de Tilo (Anne ficou na saudade... apesar de ter sido sempre aplaudida por todos) por alguns minutos, fato que fez o mesmo curvar-se, reverenciando a todos com extrema emoção. “Ich Bin Der Brennende Komet” e “Am Enre Stehen Wier Zwei” encerraram o primeiro bis. E a galera já gritava pelo maior “hit” da banda, “Copycat”, que foi executado no retorno para o segundo bis. O show se encerrou com “Stolzes Herz”, e Tilo avisando para todos: “Nós voltaremos!”.

Foi um grande show. O Lacrimosa mostrou forte impacto visual e sonoro, mesmo usando apenas um bom jogo de luzes e um pano de fundo com o logo da banda, e Tilo mostrou ser um “frontman” de personalidade, além de possuir uma banda competentíssima. A performance ao vivo é muito mais agressiva do que os registros de estúdio, e os mesmos proporcionaram aos brasileiros um grande show. Quem viu, viu... quem não viu... aguardem, já que eles vão voltar.

Agradecimentos:
Die Hard (Fausto e Mariana)
Miriam Hinds e Andrea Santos (Faz Produções).

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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