No início da indústria fonográfica, os Lps eram vendidos acondicionados em capas padrão. Não haviam capas exclusivas para cada disco. Os vinis vinham embalados em artes feitas em série, produzidas em papel kraft, com o logotipo da gravadora estampado e o título e intérprete tipografados identicamente. O formato padrão eram os discos de 10 polegadas (com cerca de 25 centímetros de diâmetro) e 78 RPM.


O primeiro trabalho de Steinweiss foi o álbum "Smash Songs Hits by Rodgers and Hart", lançado em 1940. O disco foi um sucesso, e inaugurou uma nova era na indústria fonográfica. As principais gravadoras perceberam que aquela inovação dava um grande resultado, e começaram a investir maciçamente em capas exclusivas. Vale lembrar que naqueles primeiros tempos não havia a fartura de títulos disponíveis que há hoje nas lojas, e o comportamento padrão do consumidor era chegar com uma lista com os itens que desejava e entregá-la ao vendedor, que providenciava os discos. Com o aumento da quantidade de LPs nas lojas, a capa passou a ter papel fundamental na hora de atrair os consumidores, e isso ficou evidente a partir da ideia inovadora de Steinweiss.
No final dos anos quarenta, a Columbia introduziu o formato long-playing em seu catálogo, e os discos passaram a ser fabricados em um formato maior – 12 polegadas, cerca de 31 centímetros de diâmetro -, podendo armazenar uma quantidade maior de faixas – geralmente 6 de cada lado, enquanto o de 10 polegadas tinha apenas quatro faixas em cada um dos lados. O formato maior abriu a possibilidade de um trabalho gráfico mais elaborado, e mais uma vez Steinweiss foi inovador, elaborando um esquema de dobras para as capas que se tornaria padrão em todo o mundo.

O desenhista ficou na Columbia entre os anos de 1939 e 1945, período no qual produziu aproximadamente 2.500 capas de discos. Após deixar de ser contratado exclusivo da Columbia, Alex abriu a sua própria empresa de design de capas, e desenvolveu trabalhos para várias gravadoras como Remington, Decca, RCA, London, além de alguns trabalhos para a própria Columbia.
Seu trabalho foi tão inovador que ele acabou criando sua própria fonte, que usou na maioria de suas capas. Esse lettering, batizado como Steinweiss Font, acabou ganhando o seu nome e é utilizado até hoje nos mais diversos trabalhos.

Para quem se interessar pelo seu trabalho, em 2000 foi lançado um livro chamado "For the Record: The Life and Work of Alex Steinweiss", escrito por Alex em parceria com Jennifer McKnight-Trontz, onde ele relata o seu processo criativo, fala como surgiram algumas de suas capas mais famosas e conta a história de sua vida, tudo, é claro, acompanhado por generosas imagens de seu trabalho.
Se você visitar a cidade de Sarasota, na Flórida, é capaz de trombar com Steinweiss pelas ruas. O artista vive nessa pequena cidade desde 1974, anônimo e em paz, sem que as pessoas desconfiem que o seu trabalho revolucionou a forma de vender e consumir música.
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Ricardo Seelig colabora com o Whiplash desde 2005. É o editor do blog Collector´s Room, um dos mais lidos do Brasil, e colaborador da revista poeira Zine.
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