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Resenha - Katatonia - Carioca Club (São Paulo, 25/03/2023)

Por Marcelo R.
Postado em 03 de abril de 2023

Esta resenha, escrita na forma de diário, foi originalmente publicada no espaço virtual Rock Show, de que participo como colunista e colaborador. A página Rock Show também possui um espaço no Instagram. Convido a todos para que conheçam o trabalho do Rock Show.

À resenha.

A ideia de ver o show do Katatonia no Carioca Club, no dia 25 de março de 2023, surgiu-me de forma repentina. Quase de supetão, aliás.

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Aprecio, é claro, o conjunto. Inclusive, considero o primeiro álbum deles – Dance of December Souls – o meu favorito dentro do segmento do doom metal. A aura desse trabalho – obscura, gélida, melancólica e, até mesmo, um tanto mística – permite uma imersão profunda, introspectiva e contemplativa. Uma experiência singular, que não se descreve em palavras. Audição indispensável. Não por outro motivo, aliás, esse álbum reúne, até o momento, o espantoso número de vinte e duas resenhas no site metal-archives e apresenta, até a publicação deste texto, uma nota média de 95% (noventa e cinco por cento), numa pontuação, atribuída pelos usuários-resenhistas, que varia de 0 a 100% (fonte). Creio, portanto, não exagerar ao dimensionar, com esses adjetivos e superlativos, esse monumental trabalho.

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Ao longo do tempo, porém, a banda seguiu outros rumos e guinou para direcionamento bastante diferente.

Em Brave Murder Day, segundo trabalho do conjunto, há reminiscências do estilo originário – com alguns elementos do álbum predecessor –, especialmente pelos vocais guturais. Brave Murder Day, porém, apresenta um ritmo mais acelerado, atenuação de peso, canções mais curtas e linhas de guitarra mais melodiosas.

No álbum subsequente – Discouraged Ones –, com o abandono das linhas de canto guturais – e, consequentemente, com a adoção de vocais limpos –, o Katatonia inaugurou uma identidade que pavimentou o direcionamento musical do conjunto num estilo que o acompanha até hoje.

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Aliás, diversas bandas do mesmo gênero – e, inclusive, relativamente contemporâneas – igualmente se distanciaram de seus estilos primordiais, a exemplo do Anathema, do Paradise Lost e do Amorphis. E isso, nem de longe, é algo com valor negativo. Ao contrário: a evolução musical de todos esses conjuntos citados, ao longo dos anos, é inquestionável e, inclusive, surpreendente.

Em relação ao Katatonia, porém, não acompanhei, com tanto apego, a sua trajetória. Não identifico motivo específico para isso. Há, na verdade, inúmeras bandas em atividade lançando excelentes materiais. Logo, é tarefa árdua – praticamente impossível – acompanharmos tudo o que nos é disponibilizado, como ouvintes e como consumidores de música. O Katatonia, infelizmente, permaneceu-me nessa penumbra. Repito e enfatizo, novamente: sem motivo específico.

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Algo, porém, novamente me despertou à banda, recentemente. Algumas semanas antes do show, uma mensagem acenou em meu celular. Era um amigo que, após comprar ingressos para o evento – para ele e para a sua esposa –, queria tirar algumas dúvidas comigo a respeito da casa (Carioca Club), que eu já conhecia (localização, espaço interno etc.). Ao final, emendou à conversa um convite. Sugeriu que eu fosse ao show com eles.

Ouvi, então, algumas canções do último álbum – Sky Void of Stars –, especialmente aquelas que vinham sendo tocadas ao vivo mais frequentemente. Rapidamente proferi meu veredito: sim, vamos ao show! E fomos.

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Então, no dia 25 de março de 2023, partimos do interior à cidade de São Paulo bastante cedo, às 7h30min. Queríamos aproveitar o dia na capital, antes do show.

Perto das 9h00min, já em São Paulo, quando perambulamos casualmente em frente ao Carioca Club rumo a uma estação de metrô – íamos à Liberdade –, presenciamos duas pessoas já sentadas à porta do local vestidas com camisetas da banda. A casa de shows somente abriria, porém, às 17h30min. Provavelmente, eram pessoas que tentavam a sorte e, assim, aguardavam a chegada da banda para algum tipo de interação lá na entrada. Espero, sinceramente, que elas tenham conseguido, caso esse fosse, de fato, o intuito. Tinham vontade e, sobretudo, paciência!

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Regressamos mais tarde ao Carioca Club, após um longo dia excursionando por São Paulo, inclusive com direito a uma visita à Livraria Cultura (que, diga-se de passagem, parecia revitalizada ou, ao menos, em processo de revitalização). Para a minha surpresa e felicidade, encontramos um enorme acervo de livros, intenso afluxo de pessoas e diversas atividades em seu espaço, inclusive com a presença escritores interagindo com seus leitores cativos.

Por volta das 18h45min – pouco antes do início do show, previsto para as 19h –, entramos no Carioca Club. Separamo-nos ali: o casal de amigos rumou ao camarote. Eu, à pista. Posicionei-me num bom espaço, relativamente próximo ao palco e ao centro, onde tive boa visão à minha frente.

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Com um insignificante atraso – inferior a 10min (dez minutos) – o Katatonia subiu ao palco e, sem rodeios, iniciou o espetáculo sonoro na presença de uma casa cheia – acredito que os ingressos praticamente esgotaram – e bastante quente. Bastante mesmo! Algo que, aliás, rendeu diversas reclamações, durante e após o show.

O "time" estava deficitário, já que o guitarrista Anders Nyström não compôs essa parte da turnê. Assim, as suas passagens de guitarra foram executadas num esquema pré-gravado.

Confesso que a ausência de um dos guitarristas foi-me um pouco decepcionante (ainda que isso não fosse surpresa). Não sou contra a reprodução pré-gravada de alguns trechos específicos em shows. Há passagens que, realmente, não podem ser executadas ao vivo. De todo modo, todos os arranjos de guitarra de um dos membros foram tocados em formato pré-gravado, o que, evidentemente, diminuiu e prejudicou, um pouco, o aspecto orgânico da apresentação.

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Aliás, como notou um amigo, o guitarrista Roger Öjersson, presente ao show, virava-se de costas à plateia nos trechos em que os solos de guitarra eram pré-gravados (e que, noutras condições, seriam tocados por Anders Nyström). Isso, para evitar e disfarçar o contraste (entre o solo saído da caixa de som com a ausência de guitarrista tocando-o).

De todo modo, a alternativa encontrada – pré-gravação de alguns trechos – funcionou bem, pois, apesar da relativa falta de organicidade – e da frustação pela falta de um importante integrante ao vivo –, as canções entregues ao público foram absolutamente fiéis às versões de estúdio, sem qualquer prejuízo na sua execução.

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A set-list não foi diferente daquela apresentada nos shows mais recentes em outros países. Priorizando as canções do novo álbum, o Katatonia abriu com Austerity – faixa inaugural de Sky Void of Stars –, com um andamento cadenciado e direto e, ainda, com arranjos pesados de guitarra. Ótima escolha para aquecer os ânimos ao início da apresentação.

A canção subsequente, Colossal Shade, é, também, a segunda faixa do novo álbum e possui um ritmo mais desacelerado, traçando um bom contraponto com a música anterior e equilibrando, com justeza, o ritmo do show e o ânimo do público.

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Nesse ponto do show, um pequeno detalhe, que prosseguiu até o fim, incomodou-me. O palco foi preenchido, basicamente, desde a entrada da banda ao palco, com cores excessivamente escuras, predominantemente azuis e roxas, e com alguns flashes verdes, aqui e acolá, em alguns momentos específicos. Essa tonalidade, repleta de cores frias, inundou o palco e dificultou a visualização do público à banda (não sei se as pessoas mais próximas, coladas ao palco, também tiveram essa mesma dificuldade). Em alguns momentos, tudo parecia um movimento de silhuetas, conferindo ao show, inclusive, um tom fantasmagórico, o que, de todo modo, não caiu tão mal, considerando a própria proposta musical da banda.

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Talvez isso seja padrão nas apresentações ao vivo do Katatonia. Creio que sim, aliás (inclusive para reforçar a atmosfera obscura de seu estilo). Imaginei, porém, que essa configuração seria limitada à primeira canção – apenas para conferir uma aura enigmática ao início do show, até a entrada da banda ao palco –, mas o evento seguiu assim, repleto de cores frias que preencheram o palco até o fim da apresentação. Nada grave. De todo modo, fica o registro.

Regressando ao show.

A set-list – apresentada pelo sempre comunicativo vocalista Jonas Renkse – seguiu bastante eclética. Ao lado das canções do novo álbum – cinco, no total –, a banda revisitou diversos outros clássicos de sua carreira. A terceira faixa, por exemplo – Lethean –, resgatou a fase de Dead End Kings, lançado há mais de década, e foi sequenciada por Deliberation, ainda mais antiga, pertencente ao álbum The Great Cold Distance, de 2006.

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A música do Katatonia não se caracteriza, a rigor, pelo andamento mais enérgico e pulsante, no sentido de velocidade de ritmo. No palco, porém, as canções soaram mais pesadas – essa foi, ao menos, a minha percepção –, imprimindo à sua música uma abordagem robusta, o que funcionou muito bem ao vivo.

O show do Katatonia resgata diversas sensações. Conduz a uma experiência verdadeiramente imersiva, intimista e, até mesmo, contemplativa. A sua música é obscura, revestida por uma aura melancólica e sombria, envolta, ainda, por camadas gélidas. Esse é o tom que conduz esse espetáculo de introspecção, que o Katatonia entrega ao vivo de forma tão magistral.

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A primeira parte da set-list se encerrou com Untrodden. Em redes sociais, li alguns comentários de pessoas considerando-a uma canção dispensável ou, ao menos, substituível. De minha parte, discordo. Essa faixa possui um longo trecho instrumental, com uma demorada passagem atmosférica – no melhor dos sentidos – e um belo solo de guitarra, conferindo ao show um tom dramático. Uma canção que, ao vivo, espargiu um efeito imersivo, quase hipnótico. Uma ótima escolha, a meu ver, para o encerramento da primeira parte do evento.

A banda saiu do palco e, após curtíssimo intervalo – com uma multidão clamando, aos brados de Katatonia, pelo retorno –, o conjunto regressou ao bis, encerrando o show com July e Evidence. Em sequência, após um demorado cumprimento da banda ao público, o Katatonia saiu de cena, após aproximadamente 1h15min de show.

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Achei a set-list curta. Economizaram no tempo do show, infelizmente. Essa foi, aliás, a impressão geral, aparentemente, conforme diversos comentários que li e ouvi. De todo modo, essa seleção enxuta já era esperada, pois a set-list não sofreu alterações ao longo dos últimos shows. Não eram, portanto, aguardadas novidades.

De todo modo, os suecos foram diretos e precisos. Entregaram aquilo a que se propuseram: música de qualidade, executada com técnica e feeling. Um show, como dito, imersivo, introspectivo e contemplativo, baseado numa seleção de músicas com alta carga emocional. Passou rápido, mas deixou, na memória e no coração, marcada com brasa quente, a experiência singular de ver o Katatonia ao vivo.

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Que a banda não se demore a voltar (já que o último show aconteceu no ano já longínquo de 2016). Da próxima vez, que a demora seja apenas no palco.

Sucesso e vida longa ao Katatonia!

Até a próxima.

Set-list:

Austerity
Colossal Shade
Lethean
Deliberation
Birds
Behind the Blood
Forsaker
Opaline
Buildings
My Twin
Atrium
Old Heart Falls
Untrodden

Bis:
July
Evidence

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