Katatonia: um show curto e decepcionante para o que se espera da banda
Resenha - Katatonia (Carioca Club, São Paulo, 25/03/2023)
Por Diego Camara
Postado em 29 de março de 2023
Foi em 2016 quando os suecos do Katatonia foram a apresentação principal do Overload Music Festival, em um setlist impecável em uma das melhores apresentações do gênero que já vi por estas bandas. A apresentação anterior no humilde Hangar110 mostra o quando a banda saltou no apelo do público dada esta apresentação: de um festival no Carioca Club para show único lotado na casa. Mas parece que algo se perdeu, e esta apresentação entra para o rol daquelas onde se espera muito, mas se entrega pouco.
Quando se termina um show, é fácil ler a expressão dos fãs que deixam a casa. Quando eles caminham rumo a saída, algo se quebra, similar ao que o filósofo grego Aristóteles dizia sobre a kátharsis, a purificação: quando vemos um espetáculo, nos conectamos com o artista, captando suas emoções e liberando as nossas, trazendo o que hoje se aproxima da paz de espírito. Não foi este o caso deste show, onde era claramente visível a decepção de uma boa parte do público.
E ela é totalmente explicável. Em 2016, naquela icônica e perfeita apresentação, a banda trouxe um setlist completo, uma verdadeira ode a carreira do Katatonia em 23 músicas. Neste fim de semana tivemos algo que parecia o show de uma banda de abertura e não a apresentação principal, quase como uma amostra grátis – mas muito bem paga – de um show digno deste artista. Não só a quantidade das músicas decepciona, mas também a própria formação da banda, sem teclados, deixa o som extremamente pobre, recorrendo toda hora a playbacks para compor a atmosfera do show, que fica artificial e infeliz.
Por outro lado, Carioca Club e Overload novamente entregaram um espetáculo digno do gênero, apesar das escolhas duvidosas que o Katatonia presenteou ao público brasileiro. Isso é visível pela qualidade do som, a minúcia de como os vocais de Jonas Renkse – para mim um dos melhores vocalistas da sua geração – soaram incríveis em vários momentos do show, ou como as guitarras não decepcionaram seja nos momentos mais cadenciados, seja nos momentos mais intrincados.
As escolhas musicais do Katatonia podem ter sido erradas, seja por ter resolvido tocar esta turnê sem um de seus principais integrantes ou por trazer um setlist de gosto duvidoso, mas não podemos tecer críticas a capacidade musical do que foi apresentado. A banda abriu o show de maneira impiedosa com a ótima "Austerity", do recém lançado "Sky Void of Stars". "Lethean", que veio pouco depois, explodiu o público, que cantou junto a plenos pulmões seus momentos mais "animados", com um solo de guitarra bombástico que coroou a música.
O público cantou muito, seja nas músicas novas como "Birds", seja em figurinhas já carimbadas de turnês passadas como "Buildings" e "My Twin", uma das melhores apresentações da noite, cadenciada e com um belíssimo instrumental no seu trio de cordas.
Quando o show chegou ao seu final, com uma boa parte do público ainda levemente incrédula quando as cortinas foram fechadas – muita gente claramente esperava mais, ou foi até lá esperando por mais – claramente os fãs ficaram divididos entre os que se sentiram tocados pelo Katatonia, realizando sua kátharsis, quanto aqueles que sentiram que algo ali não chegou ao fim, como se o show fosse simplesmente cortado ao meio, sem ter chegado no resultado esperado. Para mim uma grande pena.
Setlist
Austerity
Colossal Shade
Lethean
Deliberation
Birds
Behind the Blood
Forsaker
Opaline
Buildings
My Twin
Atrium
Old Heart Falls
Untrodden
Bis
July
Evidence
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