Elton John: Fortaleza recebeu o maior e melhor show da turnê

Resenha - Elton John (Arena Castelão, Fortaleza, 26/02/2014)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Depois de receber um dos responsáveis pela reinvenção do rock e da música popular nos anos 60, Sir PAUL MCCARTNEY, a Arena Castelão, em Fortaleza, recebeu nesta noite de quarta mais um sir, o cantor e pianista ELTON JOHN, que encerrou aqui a parte brasileira de sua turnê "Follow The Yellow Brick Road". Ao contrário do primeiro show citado, o trânsito na judiada Fortaleza fluiu bem, com quase todos os que compareceram aquele grande evento chegando e entrado sem maiores complicações, apesar de uma paralisação da Autarquia Municipal de Trânsito. Leia sobre o show de PAUL MCCARTNEY no link abaixo. Além disso, a produção também disponibilizou muita gente com camisas "Posso Ajudar", para ajudar aos que chegavam a encontrar o portão correto de entrada. A disponibilização de tickets para estacionamento no próprio Castelão (ao invés dos bolsões de estacionamento), vendidos antecipadamente em um shopping na cidade, também foi uma grande avanço.
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As 21:40 quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes de "Funeral For A Friend" começaram a soar, uma multidão de câmeras tentava, em vão, capturar o astro inglês. No entanto, as luzes de palco se mantiveram apagadas ate explodirem em profusão em "Love Lies Bleeding", um momento de puro rock and roll com o piano de John duelando com a guitarra de Davey Johnstone. "Bennie and The Jets" apareceu em seguida numa versão estonteante, enquanto as letras E, L, T, O e N apareciam em sincronia com os compassos marcantes da canção. O público inteiro se rendeu em um grito na bela mas melosa "Candle In The Wind", homenagem primeiro a Marilyn Monroe (cujo nome real, Norma Jean, está na letra da canção) e, mais recentemente, à Princesa Diana, ambas falecidas precocemente.

É então que ELTON JOHN se dirige ao público pela primeira vez, falando o quanto estava alegre por estar aqui, antes de falar que a próxima canção, chamada "Grey Seal", também pertencia ao álbum homenageado na turnê, o "Goodbye Yellow Brick Road", de 1973. Durante a execução da canção, ele e sua banda fazem uma jam que não está presente na versão de estúdio, algo típico de encerramento de show, mas ainda era só o começo. Mais dessas imperdíveis e memoráveis versões ao vivo viriam a seguir e justificariam qualquer esforço para ir ao show.

Na primeira vez que ele deixou o piano milionário para receber os aplausos do público e que foi possível ver todo o brilhante casaco. O astro tinha incluído em sua lista de exigências um limite de temperatura que não deveria ultrapassar 19 graus centígrados. Não sei como estava o palco, mas todo o resto do Castelão ardia no calor característico da capital cearense. Muitas pessoas reclamavam de calor nas arquibancadas e no gramado a situação talvez fosse um pouco melhor, mas ainda era um desafio.

Mudando de álbuns, "Levon", do belíssimo "Madman Across The Water", de 1971, enquanto no telão de fundo de palco, contrastando com o calor na arena, caia a neve do dezembro no hemisfério norte, quando nasceu o personagem da canção. Mais uma vez, temos um magnífico solo de piano que não está na versão de estúdio, impossível não bater cabeça, mas que demorou a encontrar reação do público. A reação só viria na mais romântica "Tiny Dancer", com boa parte do Castelão tentando cantar junto.

Foto: Arte Produções
Foto: Arte Produções

Se dirigindo novamente a plateia, com um "Obrigado", a única palavra dita em português por ele durante toda a noite, ELTON JOHN explicou que a próxima cancão, ainda de "Madman..." falaria dos hotéis em que costumava se hospedar no inicio de carreira (todos pareciam o mesmo). A canção tem um excelente trabalho no bandolim do guitarrista Davey Johnstone, velho parceiro e um dos destaques do show depois do próprio ELTON. A faixa título do álbum bem que também poderia marcar presença, mas não está no setlist da turnê.

Mesmo tendo mantido o setlist intocado na maioria dos shows, na perna brasileira da turnê, que também incluiu Rio de Janeiro, Goiânia e Salvador, ELTON JOHN fez algumas adaptações, incluindo hits amados pelos brasileiros. Em Fortaleza não poderia ser diferente, então a bela "Sorry Seems To Be The Hardest Word" substituiu "Mona Lisas and Mad Hatters" do setlist original, o que, pela quantidade de pessoas cantando, agradou a plateia. Em seguida, ELTON JOHN declarou que a próxima cancão, "Believe", era uma das letras que mais gostava, por ele próprio acreditar no amor. Nota: a maioria das canções de ELTON JOHN tem letra de Bernie Taupin, colaborador de longa data. Para esquentar novamente a noite, "Philadelphia Freedom", antecedendo o grande (embora curto) momento da noite, a cancão que da nome ao disco e, de certa forma, à turnê. Em canções como essa, lançadas antes de 1986 e já bem registradas na memória popular e apreciadas por admiradores dos mais diversos estilos, do forró eletrônico sem valor ao rock progressivo, é que fica mais evidente a diferença na voz do ELTON JOHN de agora para a gravação original. Por problemas de saúde, sua voz está bem mais grave, mas isso não é realmente um problema. uma vez que o artista, ao contrário de outros grandes nomes da música, domina perfeitamente o timbre que o acompanha há já quase trinta anos.

Este foi o grande momento apenas até aquele momento, e, perdoem, não há forma melhor de escrever uma afirmação como essa. O que vem a seguir não é só uma ode ao espaço e seus viajantes, é uma declaração de amor a própria música (sem que isto esteja da menor forma explicito na letra). Rocket Man, iniciando com ELTON JOHN sozinho em seu piano e o telão mostrando apenas suas mãos e as teclas, levou às lágrimas todos que não estavam usando capacete de astronauta. O dia tinha começado com a triste notícia de que o mundo tinha perdido PACO DE LUCIA, que tinha a mesma idade de ELTON JOHN. Quando se perde um artista, além da irreparável perda humana, perde-se todo o talento que eles esbanjam em momentos como este e o mundo fica mais pobre.

Em mais um momento rock and roll, "Hey Ahab", da recente parceria com LEON RUSSEL agradou o público, já devidamente emocionado. E eles cantaram junto a letra de "I Guess That's Why They Call It The Blues".

"The One" foi executada com ELTON sozinho no piano. E todas as luzes e olhares apontam pra ele. Um belo momento, mas que também significava que "Nikita", grande sucesso radiofônico aguardado por boa parte dos presentes, estaria de fora, uma vez que as duas canções costumam "se revesar" nos shows. No entanto, para surpresa de todos que conheciam os setlists anteriores, ELTON continuou sozinho e entregou "Nikita" de presente aos fortalezenses. Um momento raro que apenas Fortaleza e Salvador tiveram, pois, há muito tempo o pianista não cantava ambas as cancões no mesmo show. Em seguida, mais um presente para Fortaleza, "Daniel". Já com a banda completa, outro dos maiores sucessos radiofônicos, a bela "Skyline Pigeon", que fez com que ELTON JOHN ganhasse aplausos de pé no final.

Passando para uma cancão mais alegre, "Sad Songs", em uma versão bem dançante, seguida da também dançante "All The Girls Love Alice", mais uma do "Goodbye...". Uma pena que o público, pelo menos no gramado, não tenha se levantado de suas carteiras para transformar o Castelão na maior tertúlia do mundo. E o show inicia sua terceira hora, mal parecendo ter começado.

Foto: Arte Produções
Foto: Arte Produções

Quem viaja sabe o quanto é bom voltar pra casa, encontrar os filhos e aquelas pessoas que amamos. Esta cancão, do meu novo álbum, "The Diving Board", fala sobre voltar pra casa e se chama "Home Again", disse ELTON JOHN apresentando a única canção do novo disco apresentada nesta noite. É o momento de apresentar a banda: Davey Johnstone, na guitarra, bandolim e banjo, Nigel Olsson na bateria, Matt Bissonette no baixo, Kim Bullard no teclado e John Mahon na percussão. Em seguida, "Don't Let The Sun Go Down On Me", amada por uns, considerada chata por outros (aqui eu me incluo), até ficou bonita na versão apresentada. Em "I'm Still Standing" ELTON JOHN celebra a longevidade de sua carreira com imagens dele no telão de fundo de palco, com seus óculos e trajes espalhafatosos. Após "The Bitch Is Back" é que ele fica mais próximo da plateia, para receber o carinho de seus fãs, embora não haja nenhum contato. Em seguida, um pouco de twist com "Your Sister Can't Twist (But She Can Rock 'n Roll)".

Foto: Arte Produções
Foto: Arte Produções

O show de um artista como ELTON JOHN é um show em que não dá pra olhar só pro palco. É preciso olhar também para os telões, para ver os dedos do pianista desfilando sobre as teclas brancas e pretas, solando e fazendo compassos complicados parecerem simples. Da mesma forma, é um show que funciona melhor com o público tendo onde sentar para apreciar as canções mais lentas, a maior parte da obra do artista. No entanto, foi no mínimo desconfortável olhar para todo o mar de cabeças à sua frente e ver que apenas umas duas ou três se moviam. Deixa pra lá, talvez entendam a noite de quarta-feira não é um adequado para lutar, nem dançar ao som de "Saturday Night's Alright For Fighting". Neste aspecto, quando deveriam ter se comportado como brasileiros, mostrando o calor humano tão elogiado por dez entre dez artistas internacionais, os fortalezenses se comportaram como gringos. Anteriormente, minutos antes do show, um pequeno grupo tinha se comportado como o pior tipo de brasileiros. Chegaram tarde, deveriam ter ocupado o bom número de cadeiras vazias que ainda haviam nos setores laterais direitos (obviamente, não os melhores àquela hora), mas invadiram o gramado, ficando na frente de quem estava na Arena Castelão desde o finalzinho da tarde, criaram confusão, deram uma de espertos e conseguiram ser realocados para o camarote open bar, com visibilidade e preço muitas vezes superior, causando indignação entre os ocupantes de todos os setores envolvidos. Quantos destes estiveram e estarão nas manifestações pedindo honestidade dos políticos brasileiros e transparência nos gastos com as copas? Felizmente, este foi um caso isolado, não representou uma quantidade significativa dos 26.000 presentes e não atrapalhou em nada o show.

Após a pausa que não causa surpresa em mais ninguém, ELTON JOHN e a banda voltam para o bis. ELTON está com outro casaco(!) ainda mais brilhante. O resto da banda, ao contrário, optou por camisas mais leves. Num primeiro momento, Johnstone até pareceu homenagear um dos dois maiores times do estado, o Ceará, vestindo uma camisa alvinegra (depois perceberíamos que era uma camisa do Botafogo). ELTON JOHN fala o que seria a sua despedida ao público cearense e do Brasil (além desta ser a última parada da turnê em solo brasileiro, dados da ABIH-CE indicam que o show do britânico aumentou a ocupação dos hotéis em Fortaleza em 3,5%, isto em um meio de semana). "Obrigado por sua generosidade. Esta canção é para cada um de vocês". "Your Song" e "Crocodile Rock", ausente em Salvador, fecharam a noite. Durante "Crocodile Rock", finalmente o público entendeu que poderia se animar um pouco mais, mas aí já era tarde. Um simples "Uh, Yeah" e ELTON JOHN e banda saem do palco. Sem dominar o idioma de Shakespeare, o público ignorou a despedida momentos antes e chegaram a pensar que britânico teria sido descortês. Fortaleza, no entanto, tinha recebido o maior e melhor show entre todos os quatro em que ELTON JOHN se apresentou no Brasil.

Assim como a chegada ao estádio, o retorno para casa também foi bem tranquilo quando comparado ao show de PAUL MCCARTNEY. A Arena Castelão já tinha recebido além do ex-BEATLE, uma das maiores divas do pop, três jogos da Copa das Confederações e jogos das equipes locais, e não precisa mais provar ser um local adequado para receber atrações desta grandeza. A disposição do palco, na lateral do campo, também privilegiou os expectadores das arquibancadas, que puderam conferir o show mais de perto do que se o astro estivesse posicionado em um dos gols, embora os setores esquerdos (plateia lateral superior e inferior) tenham ficado em desvantagem em relação aos setores do lado direito devido posição de ELTON JOHN e seu piano no palco. Outros pontos identificados podem tornar ainda melhores futuras experiências similares no mesmo espaço. Os camarotes, que ficaram extremamente vagos, poderiam ser redimensionados, talvez com a junção dos dois tipos de camarotes e a criação de um novo setor de arquibancada, o que talvez até evitasse a questão da invasão citada anteriormente. Outro problema foi que alguns tipos de alimentos acabaram antes mesmo do início do show. Havia também um pouco de eco no Castelão, principalmente nas batidas de Nigel Olsson. O som do baixo de Matt Bissonette, por outro lado, mal podia ser notado. O pessoal do "Posso Ajudar" também poderia ter continuado dando orientações ao final do show. Teoricamente, bastaria que as pessoas fizessem o inverso do percurso inicial, mas na prática as coisas nem sempre são tão simples quanto na teoria. Entretanto, nenhum desses pontos evita que o saldo do show tenha sido extremamente positivo. E que venham as próximas atrações internacionais. IRON MAIDEN, METALLICA ou RHCP na lista?

Agradecimentos: Arte Produções e Tatiana Pavarino, pelo credenciamento e atenção.

Charge: Sinfrônio
Charge: Sinfrônio

Setlist

Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding
Bennie and the Jets
Candle in the Wind
Grey Seal
Levon
Tiny Dancer
Holiday Inn
Sorry Seems to Be the Hardest Word
Believe
Philadelphia Freedom
Goodbye Yellow Brick Road
Rocket Man (I Think It's Going to Be a Long, Long Time)
Hey Ahab
I Guess That's Why They Call It the Blues
The One
Nikita
Daniel
Skyline Pigeon
Sad Songs (Say So Much)
All the Girls Love Alice
Home Again
Don't Let the Sun Go Down on Me
I'm Still Standing
The Bitch Is Back
Your Sister Can't Twist (But She Can Rock 'n Roll)
Saturday Night's Alright for Fighting

Bis:
Your Song
Crocodile Rock

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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