Maestrick: brilhando mais uma vez ao vivo em Rio Preto
Resenha - Maestrick (Automóvel Clube, São José do Rio Preto, 12/10/2013)
Por Júlio Verdi
Postado em 17 de outubro de 2013
O Automóvel Clube é um dos mais tradicionais clubes de São José do Rio Preto. Pra quem não é da cidade, leia-se, um clube de associados classificados como classe econômica B+ ou A. Nos anos 1960 e 1970 sediou muitos eventos relacionados ao rock and roll da cidade. Este mesmo clube foi palco em Outubro de 2013 de uma apresentação da banda Maestrick, nascida em Rio Preto, e que cada ano dá mostras que está buscando (e conseguindo) alçar voos cada vez maiores do que o limite geográfico de sua cidade natal. Já tocou no Peru, tocou no "Roça N´Roll" (Varginha-MG, um dos maiores festivais nacionais do underground, que conta com bandas internacionais), recentemente seu primeiro álbum "Unpuzzle!", foi lançado na Europa e nos EUA pelo selo alemão Power Prog Records. E em 2013 ainda esteve entre as 10 bandas selecionadas entre mais de 1.000 no país para abrir shows do festival "Monsters of Rock", onde atuarão nomes como Dr. Sin, Dokken, Ratt, Queensryche, Whitesnake e Aerosmith.
Dadas às devidas apresentações da banda, vamos ao show. Em setembro o grupo abriu o show do músico Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii), ocasião onde gravou um vídeo-live para a música "H.U.C.". Mas, nesse show do AC a banda foi mais incisiva. O local tinha um (relativamente) bom público (em se tratando de outros eventos de rock na cidade no mesmo dia). Cerca de 300 pessoas adentraram ao clube para prestigiar as atrações da noite, que ganhou o nome de "AC Rock in Rio Preto".
Para abrir as apresentações, a banda escalada foi a conterrânea Anexa. Com seu hardcore melódico (com um quê de peso a mais) alegrou a turma mais nova ali presente. Além de covers de Charlie Brown Jr, a banda mandou suas músicas autorais, com destaque para "Um dia a Gente se Encontra" (cujo vocalista emocionado dedicou a pessoas falecidas recentemente) e a interessante "Promessas". Por volta das 23 horas o Maestrick sobe ao palco, trazendo como abertura o conceito de seu primeiro álbum, que mistura arte, teatro, performances de dança, efeitos visuais e claro, música. De imediato se percebe que a banda, ao contrario de outros shows anteriores, contava nessa ocasião com apenas um guitarrista, o competente e estrelado Paulo Pacheco. E a turma superou bem a falta de um segundo homem das seis cordas.
O Maestrick iniciou sua apresentação com um som com ótima qualidade e visivelmente empolgante e tranquila, transparecendo uma experiência surpreendente para uma banda tão nova. Fabio Caldeira (vocal), Renato Montanha (baixo), Heitor Matos (bateria) completam o time. As backing vocals Dany e Marilys não atuam apenas como meras coadjuvantes, funcionando com vozes potentes e impactantes para o clima do show. Algumas delas fazendo parceria principal com Fabio. E foram revisitando seu competente e complexo repertório. Músicas como "H.U.C.", "Yellown of the Ebrium", "Radio Active", "Pescador" (com sua levada de "brasilidade" que faz o público cantar junto com a banda e teve a participação de Renato operando uma viola, numa versão bem interessante e diferente das apresentadas anteriormente) fizeram muita gente vibrar (e muita gente que não tinha visto a banda ao vivo se surpreendeu), todas que constituem o primeiro álbum da banda, "Unpuzzle!", de 2011. "Disturbia" contou com a participação especial de Rodrigo Carmo (vocalista da banda House of Bones, de Bebedouro-SP), que também havia atuado na faixa do álbum. Na balada intensa "Treasures of the World", a interpretação fez um clima grandioso pra festa. E o final, ao contrário de Queen ou Jethro Tull, que costumeiramente fecham o show, a escolhida desta feita foi "While My Guitar Gently Weeps", dos Beatles, numa versão emocional, visceral e impactante. Umas das melhores versões já concebidas dessa música fantástica. Encerraram o show com aquela que já é considerada o grande hit do grupo, "Aquarela", com suas levadas contagiantes e um forte refrão. Outro ponto de destaque são as costumeiras performances de dançarinos e atores, que apareceram sobre o palco e desta vez no meio do público, enfatizando o conceito teatral de "Unpuzzle!".
O Maestrick está em fase de composição do novo disco, mas ao vivo, a banda parece ter amadurecido num nível bem elevado. Seus músicos parecem à vontade sobre o palco, executando seus complexos temas que nunca deixaram de se enquadrar no protótipo prog-metal, mas com uma variação estupenda de elementos musicais. Nuances de MPB, música erudita e rock clássico são evidentes, aliados a uma execução admirável. Dos shows que presenciei da banda esse foi o melhor. Esperamos em breve um novo trabalho e pela competência de composição e entrosamento ao vivo, a banda rio-pretense tem todas as condições de voar mais alto e concretizar seu nome como uma das mais criativas bandas de metal do país, e que está começando a ser descoberta pelo resto do mundo.
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