Peste Fest: a gravação do primeiro DVD do Claustrofobia
Resenha - Peste Fest (Cine Jóia, São Paulo, 27/10/2012)
Por José Antonio Alves
Postado em 01 de novembro de 2012
Se a Claustrofobia pode ser definida como a aversão a lugares fechados, o que as centenas de fãs que compareceram no último dia 27 de outubro possuíam era justamente o contrário: queriam estar dentro do Cine Jóia para prestigiar a tão esperada gravação do primeiro DVD da banda paulistana CLAUSTROFOBIA.
Contando com as presenças das bandas convidadas PROJECT46 e OITÃO, Marcus D'angelo (vocal/guitarra), Alexandre de Orio (Guitarra), Daniel Bonfogo (baixo/backing vocals) e Caio D'angelo (bateria) mostraram toda a peste que impregna muitos que ouvem o som da banda há mais de quinze anos.
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O local escolhido para este importante evento é um point novo para a cena headbanger de São Paulo: pela primeira vez o Cine Jóia, no bairro da Liberdade, recebeu um evento de Metal. A casa, que foi inaugurada em 1952 na forma de um cinema para filmes orientais, conta com uma boa infraestrutura para o público, incluindo também um largo palco que possibilita projeções em seus arredores, o que engrandece muito qualquer espetáculo.
Ainda para um público não tão numeroso, por volta das 22h a banda PROJECT46 começou a esquentar os presentes. Eu já havia me impressionado com a performance ao vivo destes rapazes há um tempo atrás, e mais uma vez a banda não deixou a desejar! Por mais que muitos tenham certa resistência em aceitar o som da banda por possuir certa influência do Metalcore, de fato, a banda consegue reunir muita influência do Thrash Metal e flertes com o Hardcore em seu som, liderados pelo performático vocalista Caio MacBesserra.
Promovendo o álbum "Doa a Quem Doer", de 2011, faixas presentes neste petardo como "Atrás das Linhas Inimigas" e "Impunidade" começaram a agitar as primeiras rodas da noite. "Capa de Jornal" foi a próxima, essa inclusive considero uma das melhores músicas da banda, afinal ficar em casa na internet ou vendo TV é fácil, quero ver "colar na grade para tomar murro na boca", como os próprios versos da canção descrevem.
"No Rastro do Medo" antecedeu um dos ápices da apresentação do grupo. Após comentar a respeito da apresentação que a banda fará no Maquinaria Festival no Chile em Novembro, a banda anunciou a execução de "War Ensemble", cover do Slayer, banda que também estará presente no festival chileno. Slayer é Slayer, e a prova disso foram os insanos mosh pits durante a música presente no álbum "Seasons in The Abyss", de 1990.
"Dor" e "Violência Gratuita" encerraram a enérgica apresentação da banda que desfrutou de toda a ótima qualidade de som que a casa poderia proporcionar. Fiquem de olho nessa banda, que promete trazer bons frutos no futuro para o Metal nacional. Vale ressaltar também o jovem público da banda que é presente e usa em peso o merchandising da banda nos shows.
Chegava a hora da apresentação da banda Oitão. Formada em 2008, a banda faz um som calcado no Hardcore, que apresenta muitos elementos do Metal (mais precisamente o Crossover). Contando com o frontman Henrique Fogaça que é simplesmente um monstro no palco, a banda apresentou canções de seu álbum "4º Mundo", lançado no ano de 2009.
Logo de cara a trinca "Imagem da Besta", "Hipócrita" e "Maldito Papel" deram o cartão de visitas da banda, com um som veloz e com letras discorrendo sobre diversas críticas sociais. Vale destacar os trabalhos do baterista Marcelo B.A que é uma verdadeira locomotiva humana, e coordena bem a cozinha do grupo. Destaco também a execução da ótima faixa "4º mundo", que possui uma pegada excepcional.
O show da banda foi sapatada atrás de sapatada, e animou ainda mais os corajosos que adentravam o moshpit. "Buraco" e "Tormento" fecharam a apresentação e terminaram de esquentar os presentes no agora já tomado Cine Jóia.
Já passava da 0h30 quando os gritos de "Olê Olê, Olê, Olé, Claustro! Claustro!" foram bradados a plenos pulmões, já prevendo a destruição sonora que começaria em instantes. E quando Marcus D’angelo começou com o "É Pior Que Febre/ Claustrofobia é Peste!", era hora de começar os trabalhos com a faixa que abre o último trabalho de estúdio da banda, o aclamado "Peste". Uma impressionante e veloz performance que se abrilhantou ainda mais com o bom áudio (pelo menos onde eu estava) e com o público insano que reagia muito bem. Logo emendandaram uma das ótimas faixas do seu último trabalho, "Metal Maloka" música mais "despojada", mas não menos intensa.
"Thrasher" e "Comdemned", ambas do álbum de 2002 intitulado "Thrasher" só elevaram a satisfação do público e banda em mais alguns moshpits brutais, e ao final com o vocalista/guitarrista Marcus D’angelo agradecendo o público pela noite fantástica. Vale destacar a produção de palco usada, em certos momentos as projeções usadas nas laterais do palco mostravam a banda tocando em preto e branco, ou seja, tínhamos de certa forma três Claustrofobias sendo projetados para quem via, e olha, se um só já é bom imaginem então em dose tripla!
O show seguiu com "Bastardos do Brasil" e sua ótima letra, emendando com a música que talvez exprima o sentimento de várias pessoas em muitos momentos da vida: "Eu quero é que se foda!". Vale destacar a explosiva "War Stomp" e um dos pontos altos do show, a faixa "Nota 6,66", que contou com a presença de membros de uma escola de samba que em meio aos riffs, batucavam e proporcionavam uma mistura que se tornou genuinamente brasileira e que deve-se exaltar, pela coragem de usar tais elementos dentro de um álbum de Heavy Metal. E o melhor de tudo foi o público, que em nenhum momento demonstrou qualquer desrespeito com todos aqueles batuques alinhados ao que a banda executava no palco.
Se algum fã estivesse esperando algo mais tranqüilo para descansar um pouco, poderia esquecer. "Enemy" foi outra das faixas que quase fizeram o Cine Jóia vir abaixo, e que só confirmou toda a competência da banda ao vivo, que ao meu ver em termos de presença de palco esteve perfeita.
Para fechar, nada como homenagear nossos queridos e "competentes" políticos, com a faixa "Filha da Puta", afinal, no dia seguinte era dia de eleição, e nada mais propício do que a citada homenagem. Não teve como não "viajar" no pensamento ao ver Marcus D’angelo executando a última música do show, um cover do grande SEPULTURA, para a música "Arise". Como já citei, a performance da banda no palco esteve matadora, e esse senhor parece ter um feeling inacabável, é impossível não notarmos a influência de um certo Cavalera ali...
Chegava ao final uma noite que certamente faria com que o Cine Jóia demorasse algum tempo para assimilar tamanha avalanche sonora no qual foi palco neste 27 de outubro de 2012 e também que empesteou os ouvidos de todos os presentes. Resta aguardarmos agora por este tão esperado primeiro DVD que com certeza será brilhante.
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