Bad Religion: receita de sucesso para um bom show de punk

Resenha - Bad Religion (Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 15/10/2011)

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Por Gabriel von Borell
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Se a turnê de comemoração pelos 30 anos de estrada do Bad Religion também servia para formalizar uma despedida da banda dos palcos mundiais não foi essa impressão que ficou para quem esteve na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, neste último sábado (15).

Os veteranos Greg Graffin (vocal), Brian Baker (guitarra), Jay Bentley (baixo), Greg Hetson (guitarra), junto com Brooks Wackerman, que está no grupo há 10 anos, mostraram muito gás e entusiasmo do início ao final do show.

Pode até ser que o Bad Religion realmente se aposente, mas seria por qualquer outro motivo menos disposição. O show teve todos os ingredientes necessários para uma grande noite de punk rock. Muita interação entre banda e público, rodinhas insanas, corpos passando por cima de dezenas de mãos alheias, galera subindo no palco sem gerar maiores problemas e um repertório de deixar qualquer fã surtado. Sorte de quem não desanimou com a chuva que insistia em cair, ininterruptamente, no Rio de Janeiro e compareceu à Fundição Progresso, que, ainda assim, recebeu um bom público.

O show começou exatamente às 00h, que automaticamente virou 01h por causa do início do horário de verão, com a música “Resist Stance” do álbum mais recente do Bad Religion, “The Dissent of Man” (2010). E a recepção do público foi calorosa. Os fãs mais dispostos faziam questão de travar grandes batalhas corporais para permanecer próximos da grade enquanto outros preferiam manter uma certa distância da loucura que acontecia ali na frente.

O Bad Religion deu continuidade ao show fazendo um apanhado da carreira com canções como “Social Suicide”, “Los Angeles is Burning”, “Atomic Garden” e “Recipe for Hate”. Entre uma música e outra, Graffin fazia algumas piadinhas e exaltava o público carioca. Volta e meia a banda também distribuía garrafas de água para a plateia, que permanecia ensandecida música após música.

E o Bad Religion seguiu na mesma vibe do público, executando com muita vibração vários sons de sua trajetória bem sucedida. Destaque para “I Want to Conquer the World”, “New Dark Ages”, “Modern Man” e “Generator”. Já em “Let Them Eat War” um adolescente subiu ao palco e, embora alguns membros da equipe técnica tentassem tirar ele de lá, o vocalista deixou o garoto cantar parte da letra. Graffin, então, fez sinal para o público de que nada poderia fazer a não ser deixar o moleque cantar. Não satisfeito, o garoto ainda permaneceu por um tempo no palco tentando interagir com todos os integrantes, até que foi convidado, de fato, a se retirar. Nesse momento, Graffin brincou ao dizer que, talvez, aquele fosse o momento para o Bad Religion procurar por um novo vocalista. Afinal “até o Pennywise conseguiu trocar de vocalista”, segundo o próprio Graffin afirmou, mostrando o seu lado espirituoso.

Pouco depois veio a última música antes do bis, “Fuck Armageddon... This Is Hell”, que deixou os fãs bem empolgados.

Às 2h05 o Bad Religion reapareceu no palco para dar ao público mais quinze minutos de punk rock de primeira. O clássico “American Jesus” abriu o bis para a alegria dos fãs, depois a banda seguiu com “Infected”, outro momento memorável da apresentação, e encerrou a noite em grande estilo com “Sorrow”, que foi cantada verso por verso pelos fãs.

Assim terminava mais um show do Bad Religion no Rio de Janeiro. E a banda soube usar direitinho a receita de sucesso para um bom show de punk rock: simplicidade, energia e competência.

Pena que as camisetas do Bad Religion, que estavam sendo vendidas por R$ 80 na banca de produtos oficiais, desvirtuaram um tanto do conceito. É a prova de que o capitalismo dominou geral. A filosofia do “do it yourself” pode ter sido completamente desconstruída, mas a boa música punk ficou. E tomara que o Bad Religion também continue.

Set list:

1- The Resist Stance
2- Social Suicide
3- 21st Century (Digital Boy)
4- Los Angeles Is Burning
5- Wrong Way Kids
6- Sinister Rouge
7- Atomic Garden
8- Before You Die
9- Recipe For Hate
10- I Want To Conquer The World
11- Come Join Us
12- New Dark Ages
13- Do What You Want
14- You
15- Modern Man
16- Generator
17- The Defense
18- Let Them Eat War
19- No Control
20- Anesthesia
21- Along the Way
22- Fuck Armageddon... This Is Hell

Bis:

23- American Jesus
24- Infected
25- Sorrow

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Sobre Gabriel von Borell

Gabriel von Borell, nascido em 30/03/85, jornalista. Não vive sem música e também não se apega a rótulos musicais. Acredita que todo preconceito é burro, inclusive o musical. Escuta de tudo um pouco, considerando que um jornalista deve estar aberto pra conhecer e comentar sobre qualquer músico ou banda. Pode ser encontrado no Twitter em @gabrielborell.

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