Slayer: é fácil ser fã dos caras,eles não decepcionam nunca

Resenha - Slayer (Via Funchal, São Paulo, 09/06/2011)

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Por Sérgio Fernandes
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Quinta feira fria e chuvosa; nada de estranho para uma noite de outono em São Paulo. E mesmo as baixas temperaturas e garoa fina e chata não foram o suficiente para espantar os headbangers, fãs casuais, vendedores de hot-dog e bebidas ou curiosos que se aglomeraram na região do nobre bairro da Vila Olímpia na cidade de São Paulo, onde fica a casa de shows Via Funchal, para assistir ao show de uma das grandes lendas do thrash metal de todos os tempos, o Slayer.

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Mesmo com o evento acontecendo em um dia de semana e com o tempo não ajudando muito, por volta das 19 horas a fila já dobrava a esquina do quarteirão do Via Funchal, e ninguém parecia desanimado com as cirscunstâncias adversas (nem mesmo com a ausência do guitarrista Jeff Hanneman, sendo substituido por Gary Holt da outra lenda do thrash, o Exodus). O pessoal queria mesmo era rever os amigos de filas de shows, tomar umas doses de conhaque barato pra esquentar e curtir uma noite de heavy metal pra sair com o pescoço doendo de tanto bangear e esquentar a noite de baixas temperaturas.

Acredito que o Slayer seja uma das poucas bandas que nunca poderá ser acusada de decepcionar seus fãs. O grupo, ao longo do tempo, inseriu algumas novas influências em sua música, adicionando um pouco de groove nas composições, algumas canções mais cadenciadas e Tom Araya se conteve mais em certos álbuns, como o clássico “South of heaven”, mas a essência do Slayer sempre foi mantida: você compra um CD da banda ou vai ao show dos caras e tem a certeza de que vai ouvir thrash metal direto e em altíssima velocidade. Alguns podem achar que isso mostra uma limitação criativa da banda mas, se for assim, AC/DC e Motorhead sofrem do mesmo “problema” (e também podem ser consideradas bandas que nunca decepcionam). Seria essa uma coincidência, ou a afirmação de que o público tem medo de grandes mudanças? Seja como for, esse assunto pode ficar para uma outra hora...

Pontualmente atrasada, a organização do evento abriu os portões um pouco depois das 20hrs, o que prejudicou o show da banda Korzus, pois muitos ainda estavam entrando (inclusive eu) quando a banda paulistana subiu ao palco. Os que viram o show disseram que os veteranos do thrash brasileiro fizeram um grande trabalho, mostrando que a escolha deles como banda de abertura foi correta.

Houve pouca demora para a preparação do palco da atração principal, até porquê não havia muita coisa para se arrumar, somente a grande bandeira com o logo da banda ao fundo e a bateria de Dave Lombardo devem ter dado um pouco mais de trabalho. Assim, quando haviam passados poucos minutos das 22hrs, as luzes se apagam e começa a intro de “World painted blood”, música que da nome ao álbum mais atual do grupo e também à turnê mundial que a banda esta promovendo.

Nesse momento a casa de shows já estava praticamente lotada e logo que as primeiras notas começaram a soar a histeria foi geral: muitas mãos levantadas fazendo o sinal imortalizado por Ronnie James Dio, punhos ao ar e gritos de “SLAYER!!!” eram ouvidos e quando parecia que não caberia mais uma formiga sequer no Via Funchal, as rodas começam a se abrir.

Quando o Slayer entra no palco eles não deixam pedra sobre pedra. O show tem um ritmo incrível e todos os membros da banda são verdadeiros monstros com uma presença de palco sem igual. Ver Kerry King bangeando sua barba como um louco, Dave Lombardo socando a bateria sem dó e Tom Araya com sua voz e carísma inconfundíveis é algo que todo fã de metal deveria presenciar pelo menos uma vez na vida para ter a noção do que é um show de thrash de verdade. Gary Holt não deixou barato, e substituiu Jeff Hanneman de forma perfeita (como disse antes, ninguém sequer comentou a ausência do guitarrista loiro do Slayer, o que não desmerece seu trabalho junto à banda de maneira alguma).

Logo na terceira música, a clássica (e qual música da banda não é?...) “War Ensenble” ocorreu um problema nos P.A.s de som do palco e a única coisa que se escutou foi a bateria de Dave Lombardo. O músico, notando que era o único que se fazia ouvir nas dependências da casa de shows, continuou a execução da canção, contando com a ajuda de todo o público que gritava e cantava a plenos pulmões. Coisa linda de se ver! Com certeza emocionou a banda! Logo após o show, em pronunciamento semi-oficial, o Via Funchal responsabilizou a empresa de som que acompanha a banda pelos problemas técnicos.

Depois desse percalço a banda voltou ao palco e continuou o show sem maiores problemas. Destaques? Impossível citar apenas um. A cada execução as rodas ficavam mais violentas, pessoas era jogadas no mosh (inclusive esse que vos escreve!!!) e a banda parecia mais insana. O grupo não costuma fazer muitas pausas entre as músicas, apenas Tom Araya perguntava como todos estavam em alguns momentos e anunciava o próximo petardo, mas sem tentar falar em português (como se alguém se importasse com isso...).

No meio das rodas de pogo e nos moshs era possível ver muitos rostos famosos da cena metálica nacional, como Fernandão Schaefer (Endrah, ex-Korzus, Treta, Pavilhão 9 e Rodox entre outras) o pessoal do Torture Squad, membros da banda de grind-core Presto, Toninho, figura lendária e presidente do fã clube nacional do Sepultura e até Paulo Xisto, baixista do próprio Sepultura.

Depois de 1h40 de show a banda sai do palco em definitivo, tendo acabado de tocar o bis composto por “South Of Heaven”, “Raining Blood”, “Black Magic” e “Angel Of Death”. O Slayer fez a fria noite de São Paulo ficar quente como o inferno! Com certeza todos os que foram ao show da lendária banda americana ficaram completamente satisfeitos, e não tinha como ser diferente.

O Slayer mostrou mais uma vez o porquê de sua longevidade tocando um estilo de música tão extremo: ser fã dos caras é muito fácil! Eles não decepcionam nunca!

SLAYER em São Paulo
09/06/2011 - Via Funchal
Duração: 1h50

1. World Painted Blood
2. Hate Worldwide
3. War Ensemble
4. Postmortem
5. Temptation
6. Dittohead
7. Stain Of Mind
8. Disciple
9. Blood Rain
10. Dead Skin Mask
11. Hallowed Point
12. The Antichrist
13. Americon
14. Payback
15. Mandatory Suicide
16. Chemical Warfare
17. Season In The Abyss
18. Snuff

Bis
19. South Of Heaven
20. Raining Blood
21. Black Magic
22. Angel Of Death

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Sobre Sérgio Fernandes

Paulistano desde abril de 1988, Sérgio Fernandes é baterista da banda CARAPUÇA (www.youtube.com/tvcarapuca), diretor de imagem e produtor multimídia do portal Terra e formado em Rádio e TV pela UNISA em São Paulo no ano de 2009. Ouve rock desde pequeno por influência de seus pais. Entre suas bandas preferidas estão Sepultura, Rolling Stones, Rancid, Muse, Fresno, Slayer e qualquer outra que toque algo que lhe agradar os ouvidos, nunca se fechando a gêneros e estilo, mantendo a mente aberta a novas experiências sonoras. E-mail para críticas e sugestões: sergio_ong@hotmail.com.

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