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Foreigner: Desfile de clássicos para um público pequeno mas eufórico

Resenha - Foreigner (Credicard Hall, São Paulo, 16/04/2006)

Por Rodrigo Scelza
Postado em 23 de março de 2006

Quando comentei com Jeff Pylson (no dia do show, no hotel) que tinha visto no site oficial da banda o vídeo de "Jukebox Hero" com essa nova formação, ele sem pestanejar falou: "O que você viu não foi absolutamente nada..."

E realmente não foi. Quando cheguei ao Credicard Hall parecia que o show havia sido cancelado, pois a quantidade de pessoas na porta do local era mínima. Porém, com o tempo algumas pessoas foram se aglomerando em frente à casa à espera das portas serem abertas. O interessante é que o público trazia desde pessoas em trajes de gala, senhoras de vestido acompanhada de seus maridos que devem ouvir Foreigner pela "Antena Um light FM" até amantes do bom e velho AOR (Adult Oriented Rock), figuras com a camisa do STYX (?!), por exemplo.

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Ao entrar no Credicard Hall me deparo com uma casa um pouco vazia e pessoas ainda chegando e se acomodando em suas cadeiras e mesas. Ao longo da espera umas 800 pessoas já estavam no local aguardando o show que estava programado para as 21h30.

Com meia hora de atraso as luzes se apagaram e após o anúncio a banda entra detonando três petardos logo de cara, "Double Vision", "Head Games" e "Cold As Ice". O que se via era uma banda com excelente presença e musicalidade. Destaque total para o novo vocal, Kelly Hansen (como canta esse sujeito...), soando exatamente como Lou Gramm, e com presença de palco sensacional, em vários momentos lembrando bastante Steven Tyler, vocal do Aerosmith, alguns anos mais jovens. Jeff Pylson é um show à parte, pois a sua postura no palco é incrível, chamando a galera o tempo inteiro, correndo de um lado pro outro, batendo cabeça a todo o instante; parecia que estava tocando em uma banda de metal tamanha era a vitalidade desse músico no palco.

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Continuando com o set, o desfile de clássicos não parava; "Waiting For a Girl Like You" arrancou suspiros da mulherada, "Dirty White Boy" com direito a Kelly cantando a música no meio da galera e chamando as mulheres para dançar junto com ele, simplesmente sensacional! Duas músicas que na minha opinião foram completamente inesperadas, mas de extremo bom gosto e uma grata surpresa: "That Was Yesterday" e "Say You Will" do disco pouco reconhecido pelos fãs chamado "Inside Information", mas pausa para isso. Até Kelly começar a cantar, uma surpresa que nunca havia visto em um show do Foreigner, uma versão acústica com TODOS cantando. Esse foi o momento em que Jason Bonham saiu de sua bateria e foi assumir a pandeirola, algo, no mínimo inesquecível tamanha era o entrosamento dos músicos. A linha melódica das vozes era impressionante assim como os vocais contrapostos de Jeff Pylson (quem é fã de Dokken sabe o quanto esse cidadão canta). Um dos raros momentos da minha vida em que meus olhos encheram de água e eu quase me vi pagando a ridícula cena de deixar as pessoas verem um brutamontes de mais de 1m80 chorar.

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A essa altura o público já estava completamente entregue à competência desses sujeitos. A banda seguiu e eis que Kelly apresenta o membro fundador e mentor do Foreigner, Mick Jones. Ele assume os vocais e canta o clássico "Starrider", do primeiro disco da banda, uma versão matadora. Apesar da voz não das melhores, mais uma vez a banda o faz parecer um vocalista profissional tamanha era a sincronização dos backing vocals; perfeito. Mick Jones pode não ser um excelente guitarrista, mas esbanja feeling no palco, além de ser um excelente músico e produtor, Van Halen que o diga.

"Feels Like The First Time" e "Urgent" foram tocadas logo em seguida, esta com um excelente solo de sax feito pelo guitarrista base Scott Gilman, que gravou o último disco de estúdio da banda, "Mr. Moonlight". Ao final desta música a banda sai do palco e deixam Jason Bonham e o tecladista Jeff Jacobs sozinhos para seus respectivos solos. Jeff apresenta um competente solo, mas, obviamente, quem rouba a cena é o filho do homem, que massacrou a bateria com uma pegada impressionante, arrancando aplausos e muitos gritos de um público extremamente contagiado pelo show. O público que não era muito parecia o triplo tamanha a animação, gritando e respondendo a cada chamada da banda.

O set segue com a última música do repertório normal. "Jukebox Hero" numa versão matadora com muito improviso e com direito a um pedaço de "Whole Lotta Love" do Zeppelin, empolgante até pra quem não gosta de Led. Todos se despedem com uma platéia já abandonando as suas cadeiras e indo à frente do palco para o desespero dos seguranças que tentaram, em vão, fazer com que os presentes voltassem aos seus lugares.

Depois de um breve intervalo a banda volta para o bis com um cover, dessa vez na íntegra, também do Led Zeppelin, "Misty Mountain Hop", que mais uma vez foi muito bem recebida pelos presentes, que cantaram em uníssono.

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Agora faltava a música... "O" clássico da banda para muitos, e com certeza ela não faltou. "I Wanna Know What Love Is" gerou um coro impressionante. Uma versão linda que mais uma vez impressionou o já rendido e emocionado resenhista que vos escreve. Para finalizar a noite ganha e a impressão de ter visto o melhor show de Hard Rock/AOR da minha vida, "Hot Blooded" com todo o seu feeling Rock n`Roll.

1h30 de apresentação que mexeu com todos os presentes e com os próprios músicos, que com certeza levarão com eles essa experiência maravilhosa de tocar no Brasil. Vida longa ao Foreigner e para os que foram brindados com esse momento, no mínimo, especial. Até a próxima, espero.

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