Shaman: O Ritual "Shamanico" continua no Rio de Janeiro

Resenha - Shaman (Olimpo, Rio de Janeiro, 17/10/2003)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Rafael Carnovale
Enviar correções  |  Ver Acessos





Fotos: Henrique Pacheco

O Ritual "Shamanico" continua por todo o Brasil e pelo mundo. Desde 2002 excursionando para promover seu "debut" "Ritual", a banda Shaman chega ao Rio de Janeiro para sua terceira apresentação nesta cidade. É algo muito interessante por parte da banda, que numa mesma turnê vem fazendo mais de um show em cada cidade, propiciando aos fãs a possibilidade de verem sua performance pela primeira, ou mais de uma vez.

Desta feita o show foi marcado para o Olimpo, casa localizada na Vila da Penha (Zona Norte do Rio de Janeiro) e o que foi melhor, numa sexta feira e com um preço bem acessível (15 reais), o que fez com que cerca de 3000 fãs aproveitassem e comparecessem ao Olimpo para mais um show do Shaman. Como a WHIPLASH! acompanhava o Shaman no Rio de Janeiro pela terceira vez, seria muito interessante poder observar como a banda se apresenta após mais de um ano em turnê, rodando pelo Brasil e com shows no exterior.

E pode-se afirmar sem sombra de dúvidas que estamos diante de um Shaman cada vez mais amadurecido e empolgante, mas que não perde a alegria de tocar a cada show que é executado. As 23:30 (pontualmente), "Ancient Winds" invade os alto-falantes do Olimpo (com um som meio embolado), dando espaço para "Here I Am", "Distant Thunder" e "Time Will Come" (com um bom solo conjunto dos irmãos Mariutti), que foram cantadas a plenos pulmões pela platéia. A banda demonstra extrema segurança no palco: André Matos já está consolidado como um dos grandes nomes do metal mundial e seus companheiros de banda também se mostram grandes instrumentistas. A ressaltar que Hugo (com um visual a lá James Hetfield, ou Pedro De Lara, como o mesmo fez questão de ressaltar no backstage) inicialmente teve que ajustar por vários momentos sua guitarra, acompanhado por seu roadie, e que Luís (ou Jesus) para a galera, usava uma camiseta aonde se via o número 666 escrito.

Após o início fulminante, André aproveita para atiçar o público dizendo que era "do caralho tocar com nossos amigos da Zona Norte, num local que antes para nós era desconhecido") prometendo voltar em breve para mais shows, dando início ao novo single de "Ritual", "For Tomorrow", com um belo solo de Flauta Indiana por parte de André. "Lisbon", do Angra, seria tocada em seguida, e ovacionada pelo público (vale dizer que a mesma ficou perfeita ao vivo, como já acontecera em outros shows). A seguir, a banda repetiu algo que já vinha fazendo em outros shows: um solo de Hugo (por sinal com um comecinho de "Holy Wars" do Megadeth que mexeu com o pessoal), seguida de uma bela "jam" com Ricardo e Luís e finalizando com um solo matador de Mr. Ricardo Confessori, que mesmo se recuperando de problemas de saúde espancou sem piedade sua bateria. (Nota: Lembro-me de ouvir, logo no começo do solo alguém dizer "Isso eu também toco", mas ao decorrer do mesmo a mesma pessoa ficaria gritando o nome de Ricardo sem parar). A "jam" já é um hábito nos shows do Shaman, mas esta em particular ficou muito boa, com suingue, habilidade e técnica. Um grande momento.

"Over Your Head" viria em seguida, sendo cantada por todos (algo que se repetiria em todas as músicas) e logo em seguida André assumiria o teclado, puxando temas clássicos antes de emendar a bela balada "Fairy Tale" (no meio da mesma ele faria uma pausa para perguntar ao público "quem foi que disse que não existe cenário metal no Rio de Janeiro?", com extremo carisma). Em seguida executariam "Blind Spell" (que foi a que teve a menor recepção por parte do público, mas ainda assim foi cantada por boa parte do mesmo) para o "Irmão Matos" evocar seu lado religioso, obtendo depoimento do "Irmão Ricardo" ("não agüento mais esse sermão durante os shows!") e um pedido do "Irmão Hugo" ("meu irmão pediu para não chamarem mais ele de Jesus"), que não foi atendido pela galera. Antes de começarem a tocar "Pride", o nome de Jesus foi urrado pelo público. Com uma excelente acolhida, a mesma fecharia o set normal.

Um curto espaço de tempo e a famosa intro já ecoa no Olimpo atiçando de vez o pessoal (que já vinha pedindo a música durante todo o show) e "Carry On" foi executada (mais uma vez André deu sinais de cansaço na voz durante a música) com o público em polvorosa. Ao seu final, André tomou o microfone para dizer que este seria o último show na cidade do Rio da turnê e que fechariam com dois covers: "Wasted Years" do Iron Maiden (com uma execução primorosa, principalmente por parte de Luís Mariutti) e "Breaking the Law" do Judas Priest, que encerrou o set, com cerca de 1:40 de show.

Na saída muitos comentavam que o show diminuíra sua duração (antigamente eles tocavam por mais de duas horas), mas foi unânime que a performance do Shaman ficou mais empolgante e o set foi bem dinâmico (nem pareceu durar 90 minutos). Saíram algumas músicas do Angra e do Viper, mas a galera valorizou muito as músicas do cd "Ritual" e os outros covers executados. A banda mostrou (mais uma vez) que tem uma performance matadora e agora nos resta esperar o cd ao vivo (que segundo André vem sendo preparado para novembro) e o DVD do show de São Paulo. Mas como André mesmo disse "ano que vem estamos de volta". Estaremos esperando!!!

Obs: O Olimpo se mostrou uma boa escolha para shows, sendo uma opção a mais para o Rio de Janeiro. A lamentar apenas o pequeno recuo para fotos, que dificultou muito o trabalho da imprensa. O espaço é adequado para shows e, apesar do som meio embolado em algumas partes do evento (principalmente o vocal e o baixo), tudo correu bem para um grande show.



GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de ShowsTodas as matérias sobre "Shaman"


Noturnall: Aquiles diz que nunca houve rivalidade com ConfessoriNoturnall
Aquiles diz que nunca houve rivalidade com Confessori

Andre Matos: Blaze Bayley é uma lição de humildade que serve a todos nós!Andre Matos
"Blaze Bayley é uma lição de humildade que serve a todos nós!"


Enjaulados: Os crimes mais chocantes da história do rockEnjaulados
Os crimes mais chocantes da história do rock

Luís Mariutti para Nando Moura: Estádio não se lota com views ou likesLuís Mariutti para Nando Moura
"Estádio não se lota com views ou likes"


Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

Mais matérias de Rafael Carnovale no Whiplash.Net.