Blind Guardian: Review e fotos da apresentação de São Paulo

Resenha - Blind Guardian (São Paulo, 10/08/2002)

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Por Marcos M. Franke
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Fotos: Patrícia Pierro

Coletiva de Imprensa (08/08)

Via Fuchal, um dia ensolarado pacas, e lá vamos nós da equipe Whiplash! cobrir a coletiva mais esperada e tumultuada que pelo menos eu já vi. Pontualmente os funcionários do Via Funchal abre as portas de uma maneira tímida, até parecendo que iríamos invadir o local. Bom, é claro, se as pessoas fossem um pouco mais reservadas, deixariam suas guitarras Fender em casa. Mas como todo mundo sabe, mesmo sendo de um veículo da mídia, brasileiro é brasileiro mesmo. Aquele que tira foto quando não pode tirar. Depois de um tempo, fiquei meio que até enjoado de ouvir o cd novo do Blind Guardian "A Night at The Opera" que rolava de fundo exaustivamente.


A entrada de três integrantes já mostrava tudo. Algo estava por vir, e não era nem um pouco agradável. Os alemães têm o péssimo hábito de sempre falar as más notícias antes das boas, acreditem, aqui quem vos fala é a voz da experiência. É, acertei de cara. O batera Thomas não iria participar da turnê por causa de uma infecção do tendão do braço direito, e estava além disto em Hamburgo relaxando. Quem iria substituí-lo? Esta era a boa notícia, nada mais nada menos que o super hiper cotado, Alexander Holtzwarth, baterista do Rhapsody.

Para mim a primeira reação foi perguntar qual seria o futuro de nossas belíssimas músicas dos álbums anteriores. A resposta de Hansi foi direta, mas primeiro elogiou a pergunta. "Iremos ensaiar hoje e todos os dias durante a nossa turnê, e as nossas músicas velhas não perderão seu estilo, pode acreditar nisto. Alex é um grande baterista e acredito que ele resolverá isto da melhor maneira possível." Esta foi A NOTÍCIA, o restante foram só deduções de uma talvez futura participação na trilha sonora de "Lord Of The Rings II", e respostas que inclusive estão no nosso site, quando entrevistamos André Olbricht. Houve, é claro, uma pergunta que passou desapercebida, se o baixista seria contratado. A resposta foi um grande "Não". Eles confiam naqueles que já fazem a formação desde o princípio e nunca deu errado. Por que eles deveriam agora colocar alguém na banda para simplesmente estar. "Deixarei estar com está",
diz Hansi Kürsch.


Como contei no princípio, houve tumulto por autógrafos, o que atrapalhou bastante o serviço de nossa fotógrafa. Os três integrantes do Blind Guardian tiveram que sair praticamente correndo da situação que se encontravam, cercado por canetas, camisetas e revistas pedidas para serem autografadas. Ás vezes eu fico com vergonha e me pergunto, será que eles são realmente jornalistas, ou fãs enlouquecidos por uma assinatura? Eu fico com a notícia.

O Show (10/08)


O show do Blind Guardian, em São Paulo, no dia 10/08/2002, também aniversário do Hansi Kürsch, vai ser um dia inesquecível para todos os seres que estiveram presentes naquela noite.

Filas quilométricas demonstravam uma ansiedade de um público insano, alegre como numa festa medieval. A fila que dava uma volta no quarteirão da casa de shows sempre mostra a paciência e o carinho que o headbanger tem pela sua banda preferida. Interessante que nenhuma banda menciona isto. Será que isto realmente faz parte de um show? Sim, faz e muito. Animados, os fãs já gritavam de ansiedade pelo Blind Guardian pelo menos uma hora antes de abrirem as portas para a entrada confusa, mas muito bem organizada pela segurança da casa. Um clima de lágrimas nos olhos e euforia era visto em cada olho daqueles que entravam e especialmente daqueles revoltados com o esgotamento dos ingressos, sendo obrigados a encarar os cambistas, que exploravam este fato, chegando a cobrar até R$100,00 por um ingresso.


Minha atenção se voltava aos gritos insandecidos dos fãs correndo escadas acima para ter uma visão perfeita do tão esperado show. Pontualmente às 20h30, o Heaven's Guardian, banda de Goiânia, entra em cena para mostrar o seu talento, como emergente, no estilo Heavy Melódico. O público, bastante animado, entrava no clima e acompanhava todos os ritmos e vocais bem feitos. A empolgação era tanta que por um momento esqueci que Heaven's Guardian era uma banda nacional, de tão prestigiada e aplaudida pelo público. O ápice do show desta banda que realmente sabe como fazer uma apresentação, foi tocar com muita empolgação "Breaking the Law", clássico do Judas Priest reconhecível para qualquer headbanger que estava presente naquele verdadeiro tumulto de gente. Heaven's Guardian saiu do palco aplaudido e feliz pela sua ótima apresentação, provando que o esforço tem os seus momentos gratificantes.

Sim, agora era o momento que todos esperavam há quatro anos. Blind Guardian. Mas peraí? Aonde estava Thomas? Uma não muito estranha silhueta de um baterista do Rhapsody na bateria!!! Isso mesmo, Alexader Holtzwarth.


A escuridão tomou conta do local, o que levou o público ao delírio. Ouvia-se em unissono "GUARDIAN! GUARDIAN!" e finalmente Hansi entra depois da trilha de abertura de "Batllefield" já rasgando sua voz única. O público formava ondas, como num mar, e levantavam os braços com os punhos cerrados ao comando de Hansi.

O importante não era o baterista, mas sim a alma do Blind Guardian, que estava mais do que presente naquela noite. Um pequeno pano de fundo, com um símbolo de um dragão, dedicava aquele show ao mestre J.J.R. Tolkien, autor do Senhor dos Anéis. Um clima de festa e de fantasia dominava e arejava o local, transportando todos os fãs para épocas jamais conhecidas. Fogos de artifício explodiam feito bolas de fogo cuspidas por um dragão.

Homenagens também não faltaram, afinal numa ópera medieval tinha-se como costume dedicar músicas e mostrar o carinho pelos fãs. Momentos tristes comoviam o público como a morte de Eldar, aonde não existia banda nem público. Existia uma verdadeira ópera, aonde todos cantavam, dançavam, e se divertiam cantando suas canções preferidas, a maioria de "Imaginations From The Other Side" e "Nightfall In Middle-Earth". O que mais impressionava era a interação, e a música fluindo entre todos, o que mais uma vez comprova que o Blind Guardian não só se superou em estúdio lançando um álbum perfeito técnicamente, mas evoluiu espiritualmente, levando e fazendo com que tudo fosse magia, luzes e brincadeiras de duendes.


Chegava a hora de dizer adeus depois de Hansi ser homenageado pelo seu aniversário. O público continuava viajando entre fantasias quando do nada começaram a mostrar o poder que eles tem. Sauron (mago mau do livro O Senhor dos Anéis), não saberia como calar a empolgação do "parabéns a você" que todo o público cantava com suas últimas forças.

Infelizmente todas as histórias e sonhos devem ter um fim, e o Blind Guardian entra em cena para fechar seu espetáculo. Com tristeza Hansi deixava o palco, enquanto a história terminava. O público acordou de um sonho e calados, parecendo até hipnotizados caminhavam para a direção da saída.

Eu sentado pasmo, me lembro de uma frase que um Elfo uma vez disse a Frodo: "Os Sonhos são eternos, é só você querer que eles sejam", me levantei e saí da casa de shows. Quando olhei para o céu, estrelas brilhavam e a Lua mostrava sua majestade. "Sim, foi realmente uma noite numa ópera", eu disse para mim mesmo, e saí caminhando em direção ao tumultuado congestionamento de carros.

Set-List

01. War Of Wrath
02. Into The Storm
03. Welcome To Dying
04. Nightfall
05. Script For My Requiem
06. Lord Of The Rings
07. Valhalla
08. The Soulforged
09. Born In A Mourning Hall
10. Mordred's Song
11. Banished From Sanctuary
12. Bright Eyes
13. Punishment Divine
14. Bard's Song
15. Imaginations From The Other Side
16. Encore : Happy Birthday Hansi
17. A Past And Future Secret
18. Journey Through The Dark
19. Mirror Mirror




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