Family Values: Festival de "hottest tickets" no Compaq Arena, Califórn

Resenha - Family Values Tour 2001 (Compaq Arena, Califórnia, 13/11/2001)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Bruno Romani
Enviar Correções  

Uma velha frase popularmente falada no Brasil dá a exata dimensão do que é a Family Values Tour: "dinheiro atraí dinheiro". Turnê criada, ou pelo menos idealizada, pelo já milionário Fred Durst, a Family Values reune apenas os "hottest tickets"(como são chamados, aqui nos EUA, os artistas que mais atraem público) da temporada. Além disso, soma-se o merchandizing involvido (camisetas a U$ 32,00) e a venda de comida e principalmente de bebida (cerveja U$ 7,00).

publicidade

Contando em edições anteriores com Korn e o próprio Limp Bizkit, a Family Values deste ano tem como atrações o Stone Temple Pilots e as queridinhas da MTV-Staind e Linkin Park. Com tudo isso, a média de idade do público não poderia ser maior do que 16 anos, e em certos momentos a semelhança com shows do Backstreet Boys ou coisa do tipo é imensa. Contudo, o show de abertura da noite conseguiu quebrar um pouco o clima de festa criado. Estou falando sobre o Deadsy.

publicidade

Pouco conhecido da grande massa presente (inclusive desse que vos escreve) e fazendo um estilo que em certos momentos ora lembra o Machine Head, ora lembra Marilyn Manson; o Deadsy começou sua apresentação exatamente às 7 da noite para um estádio praticamente vazio. As poucas pessoas que se aventuraram em assistir o concerto, tiveram que encarar a péssima qualidade sonora que, entre outras coisas, acabou ocultando a boa performance do baterista, Alec Püre. O tempo destinado, também foi outro fator que comprometeu a performance do Deadsy, tendo o show, ao todo, apenas 6 músicas. Os pontos de destaque ficaram por conta da música "Winners" e de "Tom Sawyer", cover do Rush, que se não prima pela beleza, não peca pela originalidade. A distorção usada no baixo e o sintetizador fazendo o papel principal, deixaram aquela impressão de "Estou perdido num cemitério à meia-noite e pisando em crânios" (essa foi péssima). O cover do Rush foi a última e derradeira música do aquecimento que o Deadsy deu para a molecada que estava lá, todavia se essas pessoas dependessem só disso para se esquentarem, a noite seria gélida.

publicidade

As cortinas do palco, listradas em vermelho e branco para propositalmente lembrar a bandeira norte-americana, foram abertas pela segunda vez na noite para o Static-X. Apesar de contarem com apoio de uma pequena legião de fãs e uma considerável melhora no som, o que realmente contribuiu para que o Static-X fosse bem recebido pela galera, foi a boa quantidade de exibições que os seus clips têm na MTV americana. Sendo assim, as primeiras (e talvez únicas) "rodas" da noite aconteceram ao som das 9 músicas que formaram o set-list do show. Os pontos altos da apresentação ficaram por conta do quase hit "Black and White" e da música "This is not". O Static-X também contou no palco com a participação de Elijah Blue, vocalista do Deadsy, em uma música cujo o nome minha memória não permite citar. Ao final do concerto, finalmente, parecia que o público estava aquecido para os 3 shows que ainda estavam por vir.

publicidade

Quase 15 minutos após encerrado o concerto, a banda preferida da MTV americana e do público sobe ao palco. Estou me referindo ao Linkin Park. Um dos espoentes de, talvez, um dos piores gênero de rock já criado ("nu-metal"), o Linkin Park já tinha toda a galera na mão, e antes mesmo do show começar, uma confusão já havia se formado. As pessoas que estavam na parte inferior da arquibancada, pularam para pista criando uma enorme correria e dando muito trabalho para os seguranças, porém ninguém se machucou e tudo se acalmou rapidamente. Começado o show, o Linkin Park mostrou que ao vivo, além de ter muita energia, é melhor do que em estúdio. Embora de tenham tocado uma música inédita (eles não falaram o nome) e tenham tido a participação de Aaron Lewis, do Staind, em uma canção, as maiores emoções ficaram reservadas para a metade final do show. Entre essas, estiveram "In the End" e a ovacionada "Crawling". O show apesar de curto (10 músicas), teve tempo até para uma boa ação de Chester. O vocalista (que está com os cabelos pintados de azul) ao ver que alguém havia caído na platéia e estava prestes a ser pisoteado, mandou parar a música, e só reiniciou depois que a (o) cidadã(o) estava de pé. Antes de introduzir "One step closer", a última, os caras ainda tiveram fôlego para fazer uma "gracinha" com um cover de Sweet child o’ mine, do Guns n’ Roses. Encerrado o concerto, e boa parte da criançada que lá estava começou a deixar as depêndencias do local; fazendo isso, deixaram de assistir o pior que estava por vir.

publicidade

Chato. Essa palavra resume como foi o show do Staind. O "eterno" sofredor Aaron Lewis e sua turma não conseguiram empolgar com suas músicas que tratam de suas atormentações diárias. Além das músicas já não serem "aquela beleza", os caras da banda colaboram para a entediante apresentação. Aaron Lewis limita-se apenas a alguns poucos passos vagorosos pelo palco, assim como todos os outros integrantes; exceção feita ao guitarrista Mike Mushok, que balança descoordenadamente o corpo.O show teve apenas 2 momentos de agitação (?) por parte da galera: uma na versão acústica para "Outside", com direito a esqueiros no ar, e outra na radiofônica "It’s been a while". O Staind também teve direito a participações em sua apresentação, tendo essa ficado por conta do vocalista do Static-X, Wayne Static. Assim como as outras bandas, o tempo do Staind foi bem reduzido, sendo assim, o set-list conteve apenas 10 músicas. Encerrado o "dramático" concerto, mais uma boa porcentagem de crianças que lá se encontravam deixou o recinto. Ao ver tanta gente indo embora, uma pergunta, seguida de uma conclusão, veio a minha cabeça: Se tanta gente lá estava para ver uma banda que se aproveitou de elementos grunges (Staind), por que não ficar parar assistir uma banda nascida no auge do movimento grunge (Stone Temple Pilots)??? A resposta para essa questão, é que talvez a maioria desse público não sabia nem o que era música quando o Grunge explodiu. Sendo assim, não tem respeito pela "coisa".

publicidade

Demonstrando tamanha rapidez e organização por parte das equipes de arrumação, pouco mais de 15 minutos após o show do Staind, o recinto já estava pronto para receber o Stone Temple Pilots. Antes de entrarem no palco, começa uma introdução com "Wet my bed", enquanto a sombra de Scott Weiland podia ser vista através da cortina. Na sequência, como se fosse o álbum "Core", eles entram "rasgando" com "Crackerman". Porém dessa vez parece que o feitiço virou contra o feiticeiro, me refiro a qualidade sonora, pois normalmente num festival, as primeiras bandas tem um som mais baixo em relação às últimas. Dessa vez o som estava tão alto, que ficou inaudível, condição que permaneceu até a quinta música, "Dead and Bloated". Essa por sinal teve participação de Chester, do Linkin Park, que inclusive portava um mega-fone, marca registrada de Scott Weiland nos shows do STP. Após o começo não muito bom por razões óbvias (som e falta de público), o palco é mudado para um set acústico. Eles tocam "Days of the Week" como introdução para "Sour Girl" e, num dos melhores momentos do show, tocam "Creep", com a participação de Aaron Lewis. Palco trocado novamente e uma verdadeira seleção de hits começa a ser tocada, entre eles, "Interstate Love Song" e "Plush" (Diga-se de passagem que essas músicas ao vivo parecem ainda melhores). Scott Weiland mostrou estar em grande forma, tanto como vocalista, como na maneira em lidar com o público. Os irmãos Dean e Robert de Leo também demonstraram estar muito bem, destaque para o segundo. Mostrando um pouco de suas raízes, o STP tocou um trecho de "Moby Dick" do Led Zeppelin; fizeram isso como introdução para "Sex Type Thing", última música da apresentação. Durante essa, Scott Weiland teve o ato mais ousado da noite, ao ficar completamente nú e se enrolar na bandeira americana. Acrescentou-se a isso, ainda, um discurso que pregava a liberdade, e que citava a não discriminação de religião e raça, entre outras coisas (O discurso cai como uma luva para os tempos atuais, mas tenho dúvidas quanto a veracidade de Scott Weiland). A única baixa do show ficou por conta da exclusã de ótimas músicas que o quarteto possuí, tais como "Down", "Kitchen Ware and Candy Bars", "Seven Caged Tigers" e "Regeneration". Além disso para uma banda que sempre procurou fugir do rótulo de cópia do Pearl Jam devido ao álbum "Core", centralizar o set-list no mesmo não é muito coerente. Resumindo: O show foi muito bom, mas poderia ter sido melhor. Algumas outras conclusões podem ser tiradas após o encerramento da apresentação. Primeira: A escalação do STP como banda principal do festival foi uma decisão errônea, que desagradou tanto aos fãs do STP, quanto a molecada que lá estava para assistir as bandas do momento. Segunda: O pouco tempo de apresentação pode até ser suficiente para bandas como o Linkin Park e o Staind (já que essas têm no máximo 2 cd’s), mas para a banda de Scott Weiland faltou tempo para mostrar a enorme quantidade de músicas que fizeram durante esses 10 anos de carreira e 5 cd’s.

publicidade

Set-List do Stone Temple Pilots

* Wet My Bed (Sampled)
* Crackerman
* Vasoline
* Wicked Garden
* Big Empty
* Dead and Bloated (with Chester from Linkin Park)
* Days of the Week/Sour Girl (Acoustic)
* Creep (Acoustic, with Aaron Lewis from Staind)
* Pretty Penny/ Trippin' On A Hole In A Paper Heart
* Coma
* Interstate Love Song
* Plush
* Moby Dick/Sex Type Thing

publicidade


WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin