Resenha: CBJr e Ultraje a Rigor
Resenha - CBJr e Ultraje a Rigor (Praia do Boqueirão, Praia Grande, 24/01/2000)
Por Carlos Roberto Merigo Filho
Postado em 24 de janeiro de 2000
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Durante todo o ano, Praia Grande fica de fora da agenda de qualquer banda, seja de sucesso ou não. Praia Grande definitivamente não é uma cidade que tenha porte para shows de Rock/Pop. O máximo que se vê por aqui são grupetes de pagode e axé em algumas casas de shows locais.
A história só muda na temporada de verão, quando a prefeitura organiza a já famosa maratona de shows chamada "O Show do Verão é Você". Fato que dá a cidade o direito de carregar o título de "os maiores shows de todo o litoral brasileiro". Mas a situação não muda muito, devido ao grande apelo popular, os organizadores do evento dão ênfase aos sertanejos, pagodeiros e espécies afins. Salvo as exceções, onde podemos encontrar grandes nomes do rock/pop nacional.
Charlie Brown Jr - Mais Novidades
Dia 24, quente noite de uma Segunda-feira de Janeiro os organizadores do evento trazem para a arena montada na Praia do Boqueirão com capacidade para 30 mil pessoas, duas famosas bandas do rock nacional: Charlie Brown Jr e Ultraje a Rigor. A primeira faz a cabeça dos moderninhos de plantão, que preferem a mistura do rock com outros gêneros como rap e hip hop. A segunda, já é uma banda clássica do rock nacional que vem da antológica geração dos anos 80 e que também recentemente fez bastante sucesso com o último disco que contem 4 musicas inéditas.
Charlie Brown Jr pode ser considerada uma banda local, já que foi criada em Santos, cidade vizinha a Praia Grande, por isso grande parte do público era composto por interessados em ver apenas Chorão e sua turma.
O apresentador, espécie de mestre de cerimônias dos shows, é interrompido ainda quando diz o nome dos patrocinadores do evento, quando Chorão entra no palco berrando o nome de sua banda.
Logo está toda a sua trupe em cima do palco gritando o nome da banda, fato que aliás acabou enchendo a paciência já que durante várias vezes Chorão e Champignon durante os intervalos de uma musica e outra, ficavam durante intermináveis minutos gritando o nome da banda desnecessariamente. Todos já sabem o nome da banda, não precisam ficar repetindo o tempo todo...
Começam a tocar as músicas já famosas, que até hoje são executadas nas rádios exaustivamente. O fato curioso é que ao vivo as músicas soam bem mais pesadas do que nas versões contidas nos discos. Mas isso não significa que a qualidade musical da banda seja excelente. Falta técnica. Chorão e seus músicos esbanjam vitalidade, correm o tempo todo, pulam, gritam mas no quesito musical ficam devendo. Talvez a situação melhorasse se eles corressem menos no palco e tocassem mais.
O público grita, canta, pula, todos adoram. Chorão incentiva o público, e eles respondem prontamente. Charlie Brown Jr realmente tem algumas músicas boas, com um rock bem tocado, mas são facilmente descartáveis. Isso sem contar as diversas músicas que nada tem de rock ‘n roll, e que apenas são mais um dos intermináveis raps melodramáticos. Apenas músicas para os que se acham moderninhos e grandes injustiçados da sociedade.
E entre um ou outro discurso sobre a dificuldade que tiveram pra vencer na vida, contando sobre sua juventude pobre, Chorão chama ao palco um grupo de hip hop, do qual não me recordo o nome. Não preciso dizer que isso não faz parte do meu gosto musical, e é claro que não via a hora daquilo tudo acabar. Mas para o meu desespero a pseudo-música que eles cantaram não deveria ter menos do que dez minutos. Mais uma das longas e intermináveis novelas mexicanas que esses "compositores" de rap/hip-hop resolvem fazer sobre a vida. É admirável as letras, os protestos desses grupos de rap, mas realmente de música isso não tem nada. O mais engraçado foi observar que, entre as frases de protesto contra a sociedade, a burguesia, o capaptalismo, a morte da bezerra... um dos integrantes desse grupo de hip-hop usava uma camiseta onde estava escrito em letras garrafais: "JUST DO IT" e abaixo o símbolo da Nike. Realmente uma grande hipocrisia.
Uma das melhores partes do show foram quando Chorão e sua turma tocaram covers de "Geração Coca-Cola" do Legião Urbana. Outro destaque fica por conta do cover de "Killing In The Name" do Rage Against The Machine, da qual Chorão é fã. E pra encerrar a apresentação tocaram a boa e pegajosa "Proibida pra Mim"
De resto, nada mais interessante. Charlie Brown é uma banda que tem talento, o primeiro disco deles é muito bom pra uma banda que estava começando. Se o direcionamento musical da banda fosse mais pro lado rock, com certeza seriam melhores, isso após alguns anos de experiência no qual adquirissem a técnica necessária para ficarem marcados definitivamente na história do rock nacional. Mas restava saber se o público que até agora parecia extasiado iria manter o mesmo ritmo quando o Ultraje a Rigor tomassem o comando do palco.
Realmente isso não aconteceu. Quando o Ultraje á Rigor começou a sua apresentação o que se podia observar era a total apatia das mais de 25 mil pessoas presentes. É claro que nesse meio estavam também os fãs da banda e do verdadeiro rock nacional, esses sim estavam adorando a saida do Charlie Brown e a entrada de Roger, um mártir na história do rock nacional, e seus músicos.
Começaram com "Filha da Puta", uma crítica inteligente e irônica sobre os políticos brasileiros, nada de novelas mexicanas. Depois veio "Zoraide". Roger cumprimenta os presentes e partir daí começam a desfilar clássicos da banda, como "Sexo!", "Independente Futebol Clube", "Ciúme", "O Chiclete", a nova "Nada a Declarar", "Inútil" uma das quais o público mais participou, "Pelado", "Eu Gosto de Mulher", "Nós Vamos Invadir Sua Praia" que alias combinava com o local do show, "Marylou", "Mim Quer Tocar", "Terceiro"...
Entre uma e outra música emendavam alguns covers que já se tornarem comuns nos shows do Ultraje. Grande destaque pro cover de "Será" do Legião Urbana. Tocaram ainda um trecho de "Light My Fire" dos The Doors e uma do Metallica, e duas ótimas versões dos clássicos Ramonicos: "Sheena Is A Punk Rocker" e "Blitzkrieg Bop".
E também "Paranoid" do Black Sabbath, que praticamente está em todos os shows do Ultraje. Mas para minha surpresa, pouca gente se manifestou diante desse clássico imortal do rock. A maioria parecia nem saber de qual música se tratava, o público demonstrava total desinteresse. Ao contrário do que aconteceu no Clube de Regatas Vasco Da Gama em Santos-SP a três meses atrás, no qual o Ultraje fez também um grande show. Nessa ocasião, quando Roger e cia esboçaram os primeiros acordes de "Paranoid" o local quase veio abaixo. Todo mundo cantava junto, pulava, todos em estado de êxtase. Não só em "Paranoid", mas como em todas as outras músicas, o público não parava um só minuto.
Diferentemente do que aconteceu no show de Praia Grande, no qual o público pareciam um bando de estacas fincadas na areia. O público só resolveu se mexer quando Roger começou a cantar o hino do São Paulo Futebol Clube e todos se apressaram em mandar garrafinhas e latinhas para o palco. Mas depois, para agradar a gregos e troianos também emendou o hino do Sport Club Corinthians. Mesmo assim os objetos que eram arremessados em direção a sua cabeça não cessaram.
Mas não é surpresa que o publico não tenha se empolgado com o grandioso show do Ultraje, já que maioria ali era composta por fãs do Charlie Brown e do rap/hip-hop. Sem contar os pagodeiros e outras espécies que por falta do que fazer também estavam lá.
Mas como sempre Heraldo estava afinadíssimo, demonstrando total intimidade com a guitarra ele tocava qualquer coisa que vinha pela frente sem a menor dificuldade. Roger sempre mandando muito bem nos vocais e na guitarra. Fica aqui também registrado os parabéns ao organizadores do evento, já que a qualidade do som estava excelente não se perdendo em nenhum momento.
O Ultraje a Rigor fez mais uma vez uma excelente apresentação, tocando o verdadeiro e viril Rock ‘n Roll. Sem imitações, sem lubrificantes, sem invenções. Só o velho, imortal e bom Rock ‘n Roll. Nota 10 para a banda, nota 0 para o público.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Morre Lito Sousa, do Aviões e Músicas; veja sua relação com o rock
Metallica inicia temporada de shows em Las Vegas e volta a tocar "...And Justice for All"
O vocalista que Tony Iommi demitiu do Black Sabbath porque ele "estava cheirando muita cocaína"
A banda que recusou Rock in Rio 1985: "Pessoas decidiram que não era boa ideia"
Por que hiato do Angra não foi pretexto para tirar Fabio Lione, segundo Felipe Andreoli
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
Cronos, vocalista e baixista do Venom, morre aos 63 anos
Sepultura esgota ingressos do último show da carreira
Slash anuncia álbum solo "Flying Blind" e confirma quatro shows no Brasil
A opinião de Marcelo Barbosa sobre o Angra que chocou Andre Matos: "No Brasil, só você"
Nicko McBrain relembra o dia em que ficou alucinado e confundiu ônibus com elefante
Nicko McBrain quis deixar o Iron Maiden nos anos 1980 por ter errado em um show
As 5 melhores músicas do Metallica que foram gravadas por Cliff Burton, segundo a Revolver
A homenagem de Krisiun e Destruction ao Venom no Rock in Rio 2013
O hit dos Beatles que foi gravado somente com músicos de estúdio, nenhum deles está tocando
Fausto só descobriu que Massacration plagiou Helloween anos depois, diz Bruno Sutter
A banda brasileira que merecia estar no mesmo patamar do Sepultura, segundo Regis Tadeu
Rick Bonadio lança desafio e convoca guitarristas a simular Charlie Brown Jr.
Regis Tadeu explica como o linchamento virtual antecedeu a morte de Champignon
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil



