Resenha - Primal Fear (Rio de Janeiro, 26/11/1999)
Por André Heavyman Morize
Postado em 26 de novembro de 1999
Nota: 10 ![]()
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Well... gostaria de começar esse review dizendo que QUEM VIU O PRIMAL FEAR NO RIO... VIU!!! QUEM NÃO VIU... SE ARREPENDERÁ POR TODA A ETERNIDADE!
Bom, por volta de 15:00 do dia do show foram iniciados os trabalhos de reportagem de campo da Whiplash, na loja do Carlos (produtor do show - contatos 0xx-21-8997592), a Heavy Melody, lá na Galeria do Imperator, no Méier.
Havia cerca de 100 fãs aguardando ansiosamente a presença dos músicos do Primal Fear, para a tradicional tarde de autógrafos. A loja do Carlos, muito bem localizada e muito bem abastecida, com farto estoque de itens de heavy, foi o cenário ideal para receber os mestres da nova safra mundial do metal tradicional.
Ali já se podia antever o excepcional clima de amizade, simpatia, competência e prazer que o show ofereceria aos felizardos que o assistissem. A banda capitaneada por Ralf Scheepers e Matt Sinner, atendeu a todos que lá foram para fotos e autógrafos, com o máximo de gentileza e respeito, demonstrando além de seu alto grau de profissionalismo, uma satisfação real de tocar no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro. Por volta das 16:30 encerrada a tarde de autógrafos, nos dirigimos para o local do show para a passagem de som e lá aguardaríamos até a hora marcada para o show.
A Blue Garden, uma danceteria, embora esteja meio caída, é um lugar excelente para shows de rock / heavy metal, pois possui um bom palco e lugar para acomodar cerca de 1000 a 1200 pessoas, além de se situar em um ponto de fácil acesso para a galera da maior parte dos bairros do Rio. A passagem de som ficou marcada pela integração da banda com a rapaziada presente no local (umas 30 pessoas entre a turma da produção e alguns convidados), uma vez que demorou até todos os ajustes da mesa de som fossem efetuados Ralf e Matt ficavam conversando, contando piadas e dividindo o buffet conosco.
Uma vez acertado o som. a banda subiu ao palco e tocou duas músicas Jaws of Death e um cover do Judas Priest, 'You've Got Another Thing Coming'. Ali mais uma vez se confirmava o alto astral que pairava, pois o som estava absurdamente alto e com uma qualidade dificilmente obtida em shows de maior porte e produção milionária.
Apesar do calor infernal e das precárias acomodações que a casa oferecia (nem ar condicionado havia no camarim) em momento algum a banda mostrou-se mal humorada ou incomodada. Para isso contribuiu muito o esforço da produção do Carlos, feita com muita dedicação e carinho, com o que o Primal Fear ficou encantado. Nesse meio tempo, durante o bate papo Matt Sinner se mostrou muito curioso acerca da atual cena do metal brasileiro, e aproveitei a oportunidade presenteá-lo com CDs de bandas Whiplashers: Sigma5, Anthology e Proposital. Ele prometeu ouvir com carinho e dar uma força se possível. Eric Haas, manager da Century Media no Brasil, também participava do papo e ficou curioso em conhecer as nossas bandas e pude dar-lhe o CD do Anthology (infelizmente do Sigma e do Proposital eu não dispunha de outras copias lá). Ficamos acertados que eu entraria em contato com as bandas para que os trabalhos lhe fossem enviados "a posteriori" pois ele reside em São Paulo. Logo após a passagem de som do PF, o ENDLESS, banda de metal melódico carioca, subiu ao palco para também fazer os seus ajustes.
O relógio marcava cerca de 21:00 minutos quando tudo foi dado como pronto. E os portões abertos. A galera entrou ordeiramente, ao som de Pantera, Cowboys from Hell que rolava no PA.
Às 21:30 o Endless, subiu ao palco para apresentar seu show de metal melódico e aquietar a platéia agitada que gritava Primal Fear, Primal Fear sem parar. O Endless (contatos [email protected] ) composto por Vitor Veiga (Vocal), Rey Araujo (baixo), Cris Moura e Leandro Pimenta (guitarrras), Marcio Brito (teclados) e Sergio Sanches (bateria) levou um show competente, com muita garra, um show que certamente agradou em cheio quem gosta de metal melódico. Para tanto ajudou muito o som que estava perfeito e com um volume muito razoável (cerca de 65% do que o Primal Fear teria disponível). O set list foi em sua maioria de repertório próprio (Wasting My Time, Holy Ground, Mind, Guiding Light, Visions, Minstrels, e Eternal Winds) e ainda dois covers: 'Hell Patrol' do Judas e 'Kiss of Judas' do Stratovarius. No intervalo entre os shows uma surpresa: rolou no PA o CD demo do Anthology que eu havia dado para um dos técnicos de som, e a galera aproveitou para bangear enquanto aguardava o show principal, bebendo muita cerveja e refrigerantes, apesar do preço extorsivo (cerveja R$2,00 e refri R$1,50), pois o calor estava quase insuportável.
Por volta das 23:00 o Primal Fear subiu ao palco para fazer um dos melhores shows de heavy metal que já pude assistir em minha vida, e que certamente entrará para os anais da cena heavy carioca. Que show! O Primal Fear veio com tudo, tocando um metal tradicional muito rápido, com muito peso e o principal: sem firulas desnecessárias que andam assolando as bandas mais modernas. Solos e contrasolos de guitarra na medida certa, teclado usado apenas para eventualmente auxiliar na composição do clima musical e não para sobressair nas músicas, e bateria e baixo marcando e mantendo o peso do Primal Fear no talo o tempo todo, associados a um genuíno prazer da banda em estar ali, fazendo com certeza um show impecável e memorável.
O set list de músicas de seus dois CDs (Primal Fear e Jaws of Death) contemplou Intro, Jaws of Death, Final Embrance, Batallions of hate, Silver &Gold, Church of Blood, Under your spell, Alex solo, Into the future, Running in the dust, Stefan solo, Save a prayer, Tears of rage, Play to kill, Klaus solo, One with the world, When the night comes e Promised Land. O bis foi de duas musicas Primal Fear e Another thing is coming , esta saideira uma justa homenagem ao Judas Priest, banda na qual o Primal Fear buscou inspiração e com a qual seu vigoroso som em muito se assemelha. Isto é um grande elogio, pois Judas Priest é um dos pilares do metal mundial e certamente pelo que demonstrou ao vivo o Primal Fear já tem reservado um lugar de destaque na história do heavy metal. Era 1:00 da manhã e terminava um belíssimo show, um dos melhores que já tive o prazer de ver... pena que apenas 300 headbangers tenham comparecido, este foi o único destaque triste de uma inesquecível noitada de heavy metal.
Review e fotos André Heavyman.
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