Resenha - Bonded By Blood (Circo Voador, Rio, 20/10/2004)

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Por Rafael Carnovale
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E eis que finalmente a turnê brasileira do Exodus conseguiu rolar... depois de todas as turbulências internas (incluindo a demissão do vocalista Steve “Zetro” Souza e uma diarréia verbal por parte do guitarrista Gary Holt no “site” da banda) que culminaram com o cancelamento das datas iniciais, só ocorrendo o show no México, a banda conseguiu dar a volta por cima. Chamaram outro Steve, ex-Skinlab, começaram uma série de ensaios e antes de excursionarem pelos EUA com o Megadeth de Dave Mustaine vieram ao Brasil cumprir as datas já agendadas. E eis que a sorte brilhou para os cariocas, que foram brindados com uma edição do Bonded By Blood Trash Fest, que estava programado para ocorrer apenas em São Paulo. O “cast” era diferente, mas a idéia foi digna de aplausos. Principalmente quando se anunciou que o local do show seria o antológico Circo Voador, que já é parte da história musical de nosso país. Após uma reforma consistente, o Circo ganhou um ar renovado, e já havia sido definitivamente batizado com um show matador do Krisiun semanas antes. Mas faltava um dos maiores nomes do thrash metal deixar sua marca no templo do rock carioca. E assim foi feito.

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Mas não há como falar deste evento sem dar uma sonora bronca no público carioca, que vive reclamando da falta de shows. Mesmo sendo numa quarta feira, o preço era bem acessível, e as atrações prometiam. Mas nem isso ajudou muito e apenas cerca de 500 pessoas compareceram para prestigiar o festival. Uma pena, considerando que tal fato vem minando o interesse dos produtores de eventos pela cidade maravilhosa.

O festival estava marcado para começar por volta das 19hs, e não era estranho ver os membros do Exodus circulando livremente pela galera, com extrema boa vontade para tirar fotos e dar autógrafos. Por sinal todos os integrantes das bandas de abertura também passeavam pelo Circo, e era evidente a satisfação geral com os resultados das reformas e com o som que rolaria no show.

Por volta das 20hs, a banda TESCH sobe ao palco, ainda com muito pouca gente no Circo. Os cariocas mostraram sua mistura de hardcore com poppy-punk e metal, com resultados no mínimo estranhos. Se em músicas próprias como “Long Running” e “Someday We’ll Find Something to Believe in” a banda se mostrava competente, nos covers de “Just Another Day” do Oingo Boingo as coisas soaram meio sem nexo. Ainda tiveram a crueldade de tocar uma “versão” hardcore de “Amigo de Fé” (de você sabe quem...), que arrancou risos da platéia, além do tema do seriado japonês “Jaspion” (lembra???) , que fez muita gente ir comprar cerveja...

O ALLEGRO era de longe a banda mais deslocada do evento. Mas os cariocas puseram todo seu lado heavy pesado neste show, executando números novos como “No Truth”, “Humans” e uma outra música que ainda não havia sido tocada ao vivo, segundo o vocalista Ílton Nogueira, além de sons já conhecidos como “Third Millenium” e “Enigma”. Para entrar no clima do festival a banda executou “Into the Pit”, do Fight, com Ílton se esgoelando para fazer os agudos de Rob Halford e o guitarrista Lula Washington fazendo as vozes guturais. Um show forte e coeso, que teve seu mérito reconhecido pela platéia, ainda meio dispersa.

“ANDRALLS!!!! FUDEU!!!!!!!!”... com este coro delicado os paulistas do ANDRALLS iniciaram sua apresentação, com um thrash vigoroso e agressivo. A banda é extremamente talentosa e não escondia a alegria de tocar de novo na cidade maravilhosa e abrindo para o EXODUS. Músicas próprias como “Beyond the Tale” e “Reich” foram executadas, assim como um belo “medley” de “Children of the Grave” e “Iron Man”, que incendiou o público, nesta hora mais presente. “Andralls on Fire” e “Angel of Death” do Slayer, deram fim a um show matador. Com dois cd’s nas costas, o ANDRALLS mostra que não é a toa que é considerado um dos nomes fortes do thrash nacional, junto com bandas como TORTURE SQUAD.

O que mais pode-se dizer do KORZUS? Há vários anos na ativa, com um excelente cd (“Ties of Blood”) recém lançado, a banda vem renascendo para uma série de novos fãs, já que os antigos nunca os esqueceram. Seu show no festival só pode ser descrito como matador. Liderados pelo carismático vocalista Pompeu e seu gogó gutural, o quinteto executou petardos como “Catimba” (dedicada aos políticos brasileiros), “Correria”, o “hit” “Agony” e a nova “Evil Sight” (de “Ties of Blood”), com Ílton Nogueira fazendo as vozes de André Mattos. As guitarras de Sílvio Golfetti e Heros Trench são pesadíssimas e o baixista Dick Siebert já é uma figura folclórica no metal nacional. Um belo “medley”de músicas antigas (incluido a animalesca “Eternally” do cd “KZS”) foi executado, abrindo rodas e mais rodas de pogo. Quando a apresentação era dada como encerrada, ainda executaram “Rainning Blood” do Slayer, e a galera literalmente se matou de tanto agitar. Um showzaço.

Passava da meia-noite e o nervosismo tomava conta do público, que já ocupava toda a lona do Circo Voador, quando a “intro” estilo “gangsta rap” foi executada e Gary Holt, Steve, Tom Hauting, Rick Hunolt e Jack Gibson entraram com tudo com “Scar Spangled Banner” e “Exodus”, e abriram-se as rodas. A nova e excelente “Blacklist” foi tocada, seguida por “Piranha”, que fez o público literalmente voar.

Steve se encaixou como uma luva no Exodus. Seu vocal urrado combinou bem com o peso das guitarras de Gary e Rick, e o mesmo tem uma presença de palco invejável, pulando e agitando sem parar, além de ter um carisma forte. Steve não cansava de agradecer ao público carioca, nitidamente emocionado, e por várias vezes deu o microfone para a galera cantar partes dos refrões. “Brain Dead” e “Shroud” foram executadas, seguidas por “Another Lesson in Violence” “Pleasures of the Flesh”. A banda literalmente estava se divertindo tanto quanto a galera, bastava ver as performances de Gary, Rick e Jack, que agitavam sem parar, além das batidas massacrantes de Tom, literalmente um monstro da bateria.

Subitamente fomos transportados para os anos 80, com rodas por todo lado e nada de tecnologia, apenas os músicos dando seu sangue no palco, ao som de “Metal Command”, “And Then There Were None” e a nova “War is My Sheppard”. A cada música uma roda se abria, e cada roda aberta crescia em agressividade, mas sem guerras ou feridos, apenas para que todos pudessem por para fora a energia que a banda despejava no público.

”Bonded By Blood” foi executada e pode-se perceber que o vocal de Steve, apesar de competente, sofre um pouco por não ter a melodia de Zetro, mas tal fato não chegou a comprometer. A banda sai para o bis e foram apenas alguns segundos para o público respirar, antes do massacre final, ao som de “Toxic Waltz” e “Strike of the Beast”, encerrando 1 hora e 20 minutos de show, e 500 fãs detonados... um massacre.

O festival foi um sucesso, só lamentando o fato do mesmo ter ocorrido numa quarta feira, com seu término as 2:30 da manhã... mas quem foi com certeza não ligou para os olhos esbugalhados, a ressaca e os zumbidos no ouvido no dia seguinte... parabéns a TOPLINK e a ROCKSTAGE, que já prometeram para 2005 a vinda dos americanos do ANTHRAX. Resta torcer para os cariocas honrarem tal fato, e comparecerem aos shows. Quem foi pode atestar o que digo...

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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