Angra: O que esperar do vindouro álbum, "Omni" ?
Por Bruno Faustino de Oliveira Torres
Postado em 16 de janeiro de 2018
A banda paulista Angra divulgou recentemente que estava em estúdio pra gravar o sucessor de "Secret Garden", oitavo registro, lançado em 2014.
Muitas expectativas estão envoltas a este lançamento, pois uma das maiores bandas do cenário nacional volta à evidência com esta notícia, porém a pergunta que fica no ar é, o que esperar do vindouro "Omni"?
Voltando aos primórdios do grupo, pra quem já acompanha a trajetória dos músicos sabe que não é novidade a mudança de ares do grupo que sempre inovou em novas sonoridades e nunca hesitou em ousar subir novos patamares e não repetir a mesma fórmula em todos os seus lançamentos.
Se analisarmos a discografia por fases, vemos que no início de carreira, na fase com André Matos nos vocais, a banda apresentava um Heavy Metal mesclado com Power Metal porém se compararmos Angels Cry (1993) com Holy Land (1996) já notamos mudanças evidentes na sonoridade que passou a ter uma apelo por baladas como o exemplo de "Make Believe" que soa completamente diferente de qualquer faixa do debut.
Seguindo temos "Fireworks" (1998) que apresenta a versão mais entrosada da fase inicial, trazendo um álbum muito calcado no metal oitentista, influenciado por nomes como Judas Priest, Iron Maiden e Helloween, mostrando uma diferença brutal de sonoridade quando comparado aos seus antecessores. Neste momento o Angra encontrava-se rumo ao seu auge criativo e conseguiu gravar seu registro mais marcante do início de sua carreira, trazendo clássicos como "Lisbon" que já começava a mostrar uma nova tendência de acrescentar elementos acústicos ao contexto sonoro e "Wings of Reality" que transmite ao ouvinte a sensação de estarmos no final da década de 80.
As primeiras mudanças na formação foram a mola impulsionadora da mudança de rumos e com a saída de André Matos (vocal), Luis Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria) que vieram a fundar o Shaman, entraram em seus lugares Eduardo Falaschi (vocal), Felipe Andreoli (baixo) e Aquiles Priester (bateria), mantendo apenas a dupla de guitarristas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro como membros da formação original. Logo em seguida a banda lança o novo registro, que surpreendeu a todos, trazendo um Angra renovado com uma sonoridade mais moderna que veio a se tornar marca registrada, seguindo a tendência que mostrou-se em seu antecessor, "Fireworks" com algumas passagens acústicas e elementos sacros. Clássicos como "Heroes of Sand" e "Acid Rain" e "Nova Era" marcam este início de nova fase.
Ápos a boa receptividade de "Rebirth" os paulistas lançam a obra que marca o auge e o ápice de sua carreira, com o magistral "Temple of Shadows" (2004) que conseguiu resgatar aquela alma dos primeiros álbuns trazendo um som mais energético muito bem mesclado com nova fase, trazendo um disco agressivo, melodioso com uma nova faceta. Novos clássicos se apresentam como "Angels and Demons" e "Spread Your Fire" consagram esta chegada ao topo.
Com o passar do tempo, a relação dos membros acabou ficando desgastada e ao lançamento de Aurora Consurgens (2006) e Aqua (2010), ambos registros que são bons porém que não tiveram a mesma receptividade e o mesmo briho que seus antecessores, mudanças de trajetória fizeram com que em 2007 o baterista Aquiles Priester se desligasse da banda, dando entrada ao já conhecido Ricardo Confessori. Mesmo com ânimo renovado, a fórmula parecia estar saturada e após a turnê de "Aqua", o vocalista Edu Falaschi se desliga da banda e decide dedicar-se integralmente ao seu projeto, Almah e logo após seu desligamento o Ricardo Confessori resolve deixar a banda novamente.
Com essas duas lacunas a serem preenchidas, o novo destino do Angra era imprevisto, mas substitutos à atura foram recrutados e eis que o renomado vocalista Fabio Lione (Ex-Rhapsody of Fire) e o novato baterista Bruno Valverde entram no time dando um renovo em seu fôlego e desta forma o Angra apresentou em 2014 sua nova cara em "Secret Garden". O álbum foi bem aceito, porém como já esperado, alguns fãs da antiga formação criticaram as mudanças, estas que são evidentes na sonoridade, trazendo um Power Metal mais pesado com belas melodias e passagens orquestradas como já apresentadas em consagrados registros como em "Angels Cry" (1993).
Em 2015 o guitarrista Kiko Loureiro foi recrutado pra ingressar na lendária banda de Thrash Metal Megadeth, cedendo seu posto ao talentoso guitarrista Marcelo Barbosa que fazia parte do Almah. Com mais esta mudança de formação, no final de 2017 o então líder e fundador Rafael Bittencourt anunciou o lançamento de "Omni" que traz uma expectativa aos fãs, e que já anunciou algumas parcerias pro novo disco, como o da cantora pop Sandy e o da vocalista do Arch Enemy, Alyssa White.
Como fã e seguidor da trajetória do Angra, sinceramente espero um disco inovador, que siga a tendência de seu antecessor e assim como a banda conseguiu gravar excelentes álbuns após grandes mudanças, fico esperançoso que a banda tenha mais um grande obstáculo superado. Duas faixas foram liberadas como prévia, "Travelers of Time" e "Light of Transcendence", ambas trazendo características marcantes da carreira da banda com melodias bem trabalhadas e é claro tendo destaque pros vocais afiados de Fabio Lione. Agora é esperar o lançamento para ver se a tendência se concretiza na totalidade da obra.
Com o advento de redes sociais e inclusão digital, o que mais vemos são malditos HATERS que sabem apenas DENEGRIR a imagem e as obras dos artistas, é muito FÁCIL e SIMPLES sentar-se atrás de uma tela de computador ou celular e escrever ASNEIRAS sem mostrar o rosto, porém é mais DIGNO tecer opiniões inteligentes e se não gosta de uma determinada obra, apenas CALE-SE e busque ouvir e apoiar aquilo que gosta. Música não é competição, pois a ARTE é interpretada de cada um de uma forma DIFERENTE.
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