Megadeth: Kiko Loureiro foi inteligente na sua escolha?

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Por Ícaro Tavares
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Será que a decisão de integrar o MEGADETH foi sábia? Ou foi uma oportunidade daquelas que, mesmo não sendo a melhor ideia não tinha como recusar? Convém a este talentoso guitarrista realmente manter esta relação de trabalho?

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A ida de Kiko Loureiro para integrar o MEGADETH pode ser entendida como a realização de um sonho para qualquer ser vivente que tenha tocado guitarra na vida ou ao menos tenha um vislumbre do que signifique a palavra MEGADETH para a história da música. É o sonho de qualquer um que já tentou deixar os cabelos crescerem e comprou camisas pretas a rodo na adolescência. Ao mesmo tempo, podemos entender que, foi uma decisão algo forçada, aquela decisão natural, que não se deve discutir, que o universo te impeliu a aceitar. Simplesmente impossível de negar, mesmo que se saiba a furada onde pode estar se metendo…

É inegável a fama de Dave Mustaine de ser uma pessoa difícil, que conta com a reputação de esculachar os seus empregados sempre que tem vontade e se sente ferido ou ameaçado. Com certeza Kiko Loureiro sabe disso, ele não vive no mundo da lua nem ao menos tem uma mentalidade de fã deslumbrado. Ele sabe que invade o terreno de egos gigantescos, de uma banda e um músico simplesmente lendários, e que como tal, não necessita provar nada a quem quer que seja. Não é tarefa de Kiko Loureiro esperar que o MEGADETH se molde aos solos e sua técnica musical. Ele sabe muito bem que deve se moldar ao estilo da equipe que vai integrar. Lembrando que o brasileiro tem uma longa carreira consolidada, com uma banda de renome internacional, com instrumentistas monstruosos e vocalistas de capacidade inequívoca tendo sido seus companheiros, não devemos esperar que ele sonhe em ser o salvador da pátria da banda do Pato Donald, nem que ele esteja se preparando para mudar os rumos do thrash metal. Acredito piamente que ele sabe que está em uma banda em decadência, que não chega nem perto de ser o que já foi um dia. Mas que pode acrescentar sua contribuição e inflar seu nome na indústria musical. Estrelas não se criam, elas simplesmente surgem. Tudo bem que Kiko possa dar o ar de sua graça e dar uma sobrevida à banda de Mustaine, mas não irá se transformar de repente num Randy Rhoads, num Jeff Hanemann ou num Kirk Hammett porque entrou numa banda de proporções gigantescas como a que passa a integrar. Integrar uma banda com músicos de renome não é sinônimo de sucesso garantido.

O MEGADETH sempre foi uma banda de um homem só e como tal, o sucesso depende apenas de seu dono e fundador, com necessidade de músicos de renome para aparar as arestas das suas criações. Para Kiko isso é um sonho; para Dave é apenas mais um virtuoso que ele conseguiu contratar e caso ele não aceitasse, chamava o próximo de uma fila quilométrica de guitarristas talentosíssimos querendo esse trabalho. É um baita emprego pra o currículo de qualquer um, mas não é o emprego mais fácil de se manter. Ao menos serve como uma boa referência na hora de entregar o currículo numa nova entrevista de emprego na pior hipótese.

Pessoalmente não acredito que nosso guitar hero vá durar mais que um ou dois discos, pois ele sabe que pode ser uma furada se comprometer por meio de contratos com uma banda em má fase e deixar de lado a banda de maior sucesso na história metálica brasileira (juntamente com o SEPULTURA) e que se encontra com carreira consolidada e evolução consistente ao longo dos anos. Não devemos pensar como fãs e idealizar esse encontro de monstros do metal, mas levar em consideração que o sucesso dessa empreitada depende de inúmeros fatores, dentre eles o principal que é a sorte. Se ele não corresponder às expectativas será um fato esperado até certo ponto, dado a diferença de estilos que devem convergir para um resultado harmonioso. Lógico que desejamos o melhor ao Kiko por ser nosso conterrâneo e por ser um cara extremamente competente e dedicado ao que faz, o que o torna um exemplo. Mas que o deus metal decida. Enfim, nós e Kiko Loureiro só temos a ganhar.

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