RockOnStage: Arte no Rock ou Rock na Arte?
Por Marcelo Prudente
Fonte: rockonstage.blogspot.com
Postado em 05 de fevereiro de 2011
Publicado originalmente no rockonstage.blogspot.com
O conceito de se manifestar e comunicar com imagens e signos remete aos tempos mais primitivos da humanidade, onde os desenhos em rochas e as simbologias esboçavam, ainda que fosse de uma maneira limitada e precária, a dinâmica de uma comunicação entre os membros da tribo ou agrupamento familiar, de modo que pudessem passar aos seus descendentes um pouco do conhecimento e experiência vivida e sentida até aquele momento. Com o passar dos tempos, a tal comunicação por imagens e signos, que antes era limitada, ganhou substancial desenvolvimento, nome (comunicação visual), conceito, estudo aplicado, caráter estratégico e, principalmente, se mantém em constante aperfeiçoamento às mais diferentes dinâmicas da sociedade.
Mas o que isso tem a ver com rock n’roll? Absolutamente tudo! Porque é uma maneira rápida e direta em persuadir o ouvinte a comprar o álbum e traduzir um pouco do conceito e conteúdo lírico da obra. Esse namoro se tornou casamento no final da década de 1960, com o ápice do romance nas décadas de 1970 e 1980, quando a comunicação visual ganhou destaque e merecida pompa entre as bandas da época.
Um dos nomes precursores a pisar no solo sagrado do rock n’ roll, com sua arte, foi o artista britânico Peter Blake. Blake, em parceria com o fotógrafo Michael Cooper, deu vida a uma das mais célebres e prestigiadas capas de disco, "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band" (The Beatles). Não podendo ser mais feliz em seu trabalho, Peter viu sua obra se tornar ícone da década 1960, e mais: provou que uma boa ideia consegue passar com sobras pelo implacável teste do tempo. O americano Andy Warhol era outro nome muito bem comentado no final da década de 1960 por suas "esquisitices" visuais. O artista assinou trabalhos de grande expressividade como "The Velvet Underground & Nico" (Velvet Underground); o ao vivo "Love You Live" e "Sticky Fingers" (The Rolling Stones) e "Honi Soit" (John Cale).
O rock "viajadão", para não dizer sem pé e cabeça, mas ainda assim sublime de "Weassels Ripped My Flesh" (Frank Zappa) e a virtuose psicodélica progressiva de "In The Court of Crimson King" (King Crimson), não poderiam ficar de fora e tiveram suas músicas embaladas por magníficas artes visuais. Os responsáveis pelas obras foram Neon Park e Barry Godber, respectivamente. Park ainda assinaria capas dos álbuns "Dixie Chicken" e "Waiting For Columbus" (Little Feat). Outro designer gráfico bem querido e disputado pelas bandas de rock é o inglês Storm Thorgerson. Dentre suas obras, o grande destaque é a capa do mega clássico "The Dark Side Of The Moon" (Pink Floyd). Como não bastasse, Storm assinou capas do calibre de "Atom Heart Mother", "The Division Bell", "Wish You Were Here", "Animals" e "Pulse" (Pink Floyd); "In Through The Out Door" e "Houses OF The Holy" (Led Zeppelin); "Peter Gabriel 1" e "3" (Peter Gabriel); "Pieces Of Eight" (Styx); "Skunkworks" (Bruce Dickinson) e "Try Anything Once", "On Air" e "The Time Machine" (Alan Parsons).
Mark Wilkinson é outro nome venerado pela turma do rock progressivo por suas aventuranças pelo campo do surrealismo e as ácidas salpicadas de humor negro, onde as rígidas ditaduras da lógica e razão são meramente expectadores de última fila, o que agradava muito o público e as bandas. Logo, algumas de suas boas cartadas ganharam acolhida em "Script For A Jester Tear", "Misplaced Childhood", "Fugazi" e "Clutching At Straws" (Marillion); "Suits", "Internal Exile", "Sunsets On Empire" e "Raingods With Zippos" (Fish). Até os artistas que tendiam para o lado negro da força – ou da música – encontraram na arte de Wilkinson o par perfeito para seus discos, como, por exemplo: "Painkiller", "Metal Works", "Jugulator", "Angel Of Retribution" e "Nostradamus" (Judas Priest); "Live At Donington", "Best Of The B’Sides", "Eddie’s Archieve" (Iron Maiden); "Mary Jane Single" (Megadeth) e "Prisoners In Paradise" (Europe).
Assim como Wilkinson, Paul Whitehead desafia os traços burocráticos dos desenhos convencionais com seu cáustico surrealismo. Sem limites, percorre o espectro do singelo ao repugnante num piscar de olhos. Paul ajudou a conceber peças importantes do rock progressivo setentista, como "Foxtrot", "Trespass" e "Nursery Cryme" (Genesis); "Pawn Hearts" (Van Der Graaf Generator) e "Illusion" (Renaissance).
A Suíça é outro país que pode se gabar de ter um artista com obras reconhecidas em boa parte do mundo. O responsável é o excêntrico Hans Giger. Giger deu pinceladas certeiras nos progressivos "Brain Salad Surgery" (Emerson Lake & Palmer) e "Attahk" (Magma). Alem desses trabalhos na década 1970, Hans mostrou nos seguintes boa performance e esperadas bizarrices, como em "Hallucinations" (Atrocity); "Heartwork" (Carcass); "Danzig III: How To Gods Kill" (Danzig) e "To Mega Therion" (Celtic Frost).
E não é só o mercado europeu e norte americano que produz bons artistas gráficos. O Brasil é muito bem representado, diga-se, pelo carioca, Gustavo Sazes. O diretor de arte brasileiro já assinou trabalhos de altíssimo nível, vide "Aqua" (Angra); "Brainsworms Part 1" (Bittencourt Project); "Fragile Equality" (Almah); "Southern Storm" (Krisiun); "The Root Of A Evil" (Arch Enemy); "Days Of Defiance" (Firewind) e "Slaves Of The World" (Old Man’s Child). Por seu bom gosto apurado e técnica, Gustavo está, sem dúvida, entre os melhores profissionais do mercado, e não será nenhum espanto se no futuro próximo for uma das referências mundiais na área de concepção e manipulação de imagens.
De volta à Europa, o austríaco Gottfried Helnwein é mais um ás da comunicação por imagens. Sua trajetória pelas artes começou quando criança, depois de receber um carinho de seu pai, um gibi do Pato Donald. Desde então, o desenho e as artes se tornaram tão necessárias quanto o oxigênio para sua existência. Inspirado pelas condições humanas, seus trabalhos têm características perturbadoras e provocativas, sem se esquecer dos traços carregados de depressão e as cores – ou a falta delas – que salientam a ausência de vida nas relações. Na música, Helnwein foi responsável por assinar a direção de arte de álbuns como "Blackout" (Scorpions); "Sehnsucht" (Rammstein) e "The Golden Age Of Grotesque" (Marilyn Manson).
Roger Dean e Drew Struzan também ficaram famosos por suas "loucuras" visuais. O primeiro foi por conceber os clássicos logos das bandas Yes e Asia, bem como, capa de álbuns, entre eles "Close To The Edge", "Yessongs", "Tales From Topographic Oceans", "Relayer" (Yes); "Alpha", "Astra", "Then & Now" e "Asia" (Asia); "Never Turn Your Back on a Friend" (Budgie) e "Demons And Wizards", Sea Of Light e The Magician’s Birthday (Uriah Heep). O segundo por assinar a caótica capa "Sabbath Blood Sabbath" (Black Sabbath) e a debochada "Welcome To My Nightmare" (Alice Cooper). Outros nomes que conquistaram o mundo da música pesada, com seus traços, foram Derek Riggs, criando o personagem Eddie, e as perturbadoras capas para a banda Iron Maiden; e Edward Repka com seu traço thrash, trouxe a urgência e a agressividade que os estilos death e thrash metal necessitavam, caindo como uma luva para Megadeth, Death, Sanctuary e Merciless Death.
Com a absoluta certeza o rock n’ roll é muito mais excitante com os inconfundíveis traços desses e de muitos outros artistas, mesmo que esses traços ora incorporem aspectos caóticos, ora singelos. Portanto, é e sempre será um grande prazer saborear um bom disco de rock, com uma arte visual igualmente apetitosa.
Nota: Para mais informações e outros conteúdos, acesse: http://rockonstage.blogspot.com/
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
Blaze Bayley traz turnê comemorativa "Iron Maiden 30th Anniversary" ao Bangers Open Air
Nicko McBrain revela que indicou Aquiles Priester para seu lugar no Iron Maiden
A pior banda gaúcha de rock de todos os tempos, segundo Rogério Skylab
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro
Marko Hietala arrisca palpite sobre o que levou Floor Jansen a sair do Nightwish
A banda que vendeu 100 milhões de discos e Keith Richards chamou de poser
Por que King Crimson é melhor do que Dream Theater, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
Mateus Asato elege o último guitar hero que existe e compara com Slash e Van Halen
Sharon den Adel promete Within Temptation mais pesado em novo disco
O guitarrista que no auge teve muito bom gosto, segundo Jimmy Page do Led Zeppelin
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
"Stairway to Heaven" nem "Comfortably Numb"? O solo que Slash coloca acima de todos
A pior música do Megadeth, de acordo com Mateus Ribeiro
A curiosa resposta do Led Zeppelin após proposta para tocar no Rock in Rio
A melhor banda que Geddy Lee, vocalista do Rush, já viu ao vivo


O rock e o heavy metal se misturam com a política, sim (e você provavelmente sabe disso)
A declaração de James Hetfield não surpreende, considerando de onde veio
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
O fã não é nenhum idiota, e merece mais respeito
Engenheiros do Hawaii - A reunião que não acontece
Heavy metal: radicalismo ou preconceito?



