Pain Of Salvation contra a guerra
Por Thiago Sarkis
Postado em 19 de março de 2003
Entrar no site do Pain Of Salvation - www.painofsalvation.com - hoje, dia 18 de Março de 2003, é uma aventura certamente assustadora e inesquecível. Num primeiro olhar, com certeza se tem a impressão de um site hackeado. É difícil até enxergar o "enter" em meio a tantas palavras e expressões passando de um lado para outro incessantemente, enlouquecidamente.
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Nenhum hacker esteve por lá. Tampouco desistiram da banda que vai muito bem, obrigado. Também não é tempo de atualização ou reformas no site. O fato é que Daniel Gildenlöw pichou à sua maneira a revolta contra a guerra e a política externa americana no endereço onde geralmente o seu conjunto realizava promoções, divulgava novidades, clips, arquivos de computador, além de vender CDs e outros artigos.
Vários artistas manifestaram sua indignação perante as atitudes do presidente George Bush. Warrel Dane, vocalista do Nevermore, por exemplo, deu seu recado dizendo que todos nós deveríamos visitar a página de Bob Dylan - www.bobdylan.com - e ler a letra de "Masters Of War". Contudo, nada perto da intesidade do ativista idealizador do Pain Of Salvation.
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Um protesto a ser lido com atenção. Não há nele um espírito de simplesmente atacar o governo dos Estados Unidos sem mais nem menos, mas uma série de razões apresentadas para tal e igualmente uma implicação social, num trabalho de reflexão e movimentação, o qual nos mostra também nossa parte nisso tudo. "Nós fazemos nosso trabalho", diz Gildenlöw, prosseguindo com: "Quais são suas fontes de informação?", "Qual canal de televisão você assiste"? "O que VOCÊ pode fazer?", e finalizando na pergunta: "Quantas pessoas os EUA mataram nos últimos 20 anos? (nem queira saber)".
Como se não bastasse, todo as páginas do site foram reformuladas com o fundo de tela dizendo "NO WAR" e no fórum do Pain Of Salvation, o líder do grupo solta o verbo no que poderíamos considerar um artigo digno de ser aplaudido e assinado embaixo por Noam Chomsky, Edward S. Herman, Alex George, ou qualquer outro que tenha posto em prática o que o vocalista sueco tanto preza em sua mensagem: "PENSE!".
Qualquer adendo aqui seria redundante. Nos resta relatar e deixar pelo menos um trecho do que Gildenlöw pontua com bastante precisão:
"Eu quero deixar claro que não apóio o regime de Saddam ou o terrorismo, mas se todos nós somos livres para interpretar ataque como auto-defesa e podemos nos considerar livres para julgar outra religião, raça ou estado e seu nível de periculosidade, nós estamos andando num chão proibido, caindo num caminho de destruição. Pedir a outro país por seu desarmamento completo, negligenciar a opinião mundial e da ONU, chantagear outra nação com um pedido de abandonar seu líder, por as pessoas em gaiolas em Cuba sem uma alternativa, e agora ameaçando colocar protestantes na prisão - é esta a democracia que nós trabalhamos tão duro para alcançar? A Saddam nunca seria permitido fazer isso - e com razão! Mas como Bush vem a ser?"
Daniel Gildenlöw - 18 / 03 / 03
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