"Não sou satanista", diz baterista do Deicide

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Joel McIver WebSite
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O jornalista Joel McIver entrevistou em outubro de 2006 o baterista do DEICIDE, Steve Asheim, para a maior revista sobre bateria do Reino Unido, a Rhythm.

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Sobre satanismo

Rhythm: Você é um satanista, como o frontman do DEICIDE, Glen Benton?

Steve: “Não. Eu apóio o DEICIDE e seus pontos de vista – quero dizer, é tudo música e diversão. Eu não tenho objeções em relação às suas mensagens e não odeio a religião, embora eu ache que seja um tanto estúpido seguir uma determinada religião. Na minha opinião isso é uma perda de tempo, e a vida é tão curta. Não posso me dar ao luxo de perder tempo rezando por alguma coisa.

Para mim, são dois lados da mesma moeda estúpida. Gosto do fato do DEICIDE ser uma espécie de alerta para que as pessoas não se tornem seguidores demagógicos. Apenas abra seus olhos e use a sua cabeça! Não me importo se você quiser venerar um tomate mas, você sabe – é preciso acordar!

Tentar abolir a religião não vai resolver os problemas das pessoas. O que vai acontecer é que as pessoas vão acordar e dizer que não precisam disso, ou que não precisam ser extremistas, ou coisas desse tipo. É como na série ‘Star Trek’, quando eles encontram uma civilização que venera uma batata – eles pensam: ‘Como são primitvos!’ Pra mim é a mesma coisa quando vejo pessoas aqui na Terra adorando isso ou aquilo – eu penso: Cara, como isso é primitivo... Deus isso e Deus aquilo. Já não passamos dessa fase?”

Sobre Glen Benton:

Rhythm: Glen já causou bastante controvérsia, especialmente na imprensa britânica, pelo incidente durante uma caçada a esquilos em meados dos anos 90.

Steve: “E isso aconteceu na terra da caça às raposas! Sabe, quando eu tinha 25 anos e as pessoas ameaçavam jogar bombas em nossos shows e coisas parecidas, nós podíamos simplesmente ignorar aquilo. E se acontecesse novamente hoje, eu iria ignorar novamente. Aquilo acabou trazendo muita atenção para nós, e as pessoas ainda comentam o assunto 10 anos depois”.

Rhythm: Glen também previu sua própria morte aos 33...

Steve: Isso é um assunto que sempre volta pra atormentá-lo. As pessoas ainda perguntam ao Glen ‘Cara, você ainda está vivo – eu achei que você ia se matar aos 33 anos!’ Bem, sinto muito em desapontá-los...”

Sobre armas:

Rhythm: No último DVD do DEICIDE, você mostrou ao entrevistador a sua coleção de armas. Muitas pessoas acham que os americanos são obcecados por armas de fogo. O que você pensa sobre isso?

Steve: “Se isso é o que eles acham, é um direito deles. Não acho que eu seja obcecado por armas. Nos Estados Unidos não há apenas muitas pessoas obcecadas por armas, mas também há pessoas obcecadas por sexo, dinheiro e outras coisas. O problema é a facilidade com que as armas podem ser obtidas, principalmente aqui no sul. Acho que é parte de uma estratégia do governo o fato permitirem que haja tantas armas aqui no sul”.

Rhythm: Como isso poderia beneficiar o governo?

Steve: “Isso torna mais difícil que as pessoas venham morar aqui. Eu pergunto: Por que não há armas em Nova Iorque, mas há milhões de armas aqui na Flórida e por toda a região Sul — Texas, Alabama e até Maryland?”

Rhythm: Uma pessoa pode entrar em uma loja e comprar uma arma exposta no balcão?

Steve: “Eu posso. Eu tenho porte de arma, o que significa que o FBI tem minhas digitais e que fizeram uma verificação de meus antecedentes. Isso significa que não sou criminoso e não tenho problemas mentais. Fui autorizado pelo governo, portanto posso carregar uma arma sem problemas. Posso comprar rifles, espingardas e outros tipos de armas no mesmo dia e ir pra casa. Revólveres e pistolas têm um período de espera de cinco dias, para que possam te investigar”.

Sobre a possibilidade do SLAYER tocar Death Metal:

Rhythm: Na música “Supremist” do novo álbum do SLAYER, “Christ Illusion” há um momento [40 segundos depois do começo da música] quando [Dave] Lombardo quase — mas não completamente — toca um ‘blastbeat’.

Steve: “Na verdade, há muita discussão sobre isso por aí! Eu duvido – em primeiro lugar eu achei que era uma espécie de batida sincopada no surdo, mas ouvindo com mais atenção dá pra perceber que é um ‘blastbeat’. Ele está trabalhando bastante para tentar tocar dessa maneira. Eu odeio dizer ‘tentar’, como se ele não pudesse tocar assim, mas para o SLAYER concordar em colocar um ‘blastbeat’ numa música já é surpreendente! É como se eles estivessem dizendo que evitaram o Death Metal durante tempo demais e agora vão tentar tocar algo nesse estilo. Para mim, essa é uma das coisas mais compensadoras a esse respeito.

Não que ele tenha tocado assim, mas pelo fato do resto da banda ter dito ‘Vamos colocar um ‘blastbeat’’. Talvez da próxima vez eles façam uma música inteira assim – estou realmente ansioso por isso”.

A entrevista será publicada na edição de janeiro de 2007 da Rhythm, nas bancas em 20 de dezembro. Para maiores informações acesse o link abaixo.

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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