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Shadows Fall: aprendendo enquanto se amadurece

Por César Enéas Guerreiro
Fonte: Blabbermouth
Postado em 28 de março de 2007

O texto abaixo é uma tradução de matéria publicada no Blabbermouth:

"Queríamos apenas compor um álbum de Metal bem pesado", diz Brian Fair, vocalista do SHADOWS FALL. "Estávamos pensando ‘Não me importo com o que está acontecendo hoje em dia – vamos compor músicas de Metal que sejam do car*alho!’ Bem, essa sempre foi a nossa atitude mas, desta vez, fomos ainda mais fundo em nossas raízes de Rock e Thrash".

"Threads of Life", o novo álbum do SHADOWS FALL, é uma inovadora explosão de Heavy Metal extremo e uma mistura inteligente de idéias tradicionais com Hard Rock da mais alta qualidade feito com paixão, precisão e uma revigorante falta de pretensão. Chamados de "os maiores fornecedores do Metal popular" pela revista Revolver, o quinteto de Massachusetts, que faz muitas turnês e também é chegado numa cerveja, conseguiu ultrapassar os altos padrões estabelecidos pelo álbum "The Art of Balance", lançado em 2002 e aclamado pela crítica, e pelo seu ainda mais aclamado sucessor de 2004, "The War Within" — que vendeu mais de 270,000 cópias até agora e recebeu uma indicação para o Grammy pela faixa "What Drives The Weak", um feito surpreendente para um lançamento independente.

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Uma das forças pioneiras por trás da "New Wave of American Heavy Metal" e líderes indiscutíveis dessa cena, o SHADOWS FALL está atualmente na iminência de se lançar entre os deuses do Metal clássico com o álbum "Threads of Life".

Produzido de forma a conseguir o máximo impacto sonoro por Nick Raskulinecz (FOO FIGHTERS, STONE SOUR, RUSH) no Studio 606 de Los Angeles, "Threads of Life" é uma obra-prima feita por uma banda que continua a evoluir artisticamente enquanto permanece fiel ao seu estilo e à sua legião de fãs. "Nick conseguiu melhorar nossas performances de um jeito que nem mesmo nós esperávamos", diz Fair, entusiasmado.

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"Estruturalmente, trabalhamos bastante no material antes de entrarmos no estúdio, mas ele realmente trouxe uma nova vida às músicas em termos de sonoridade – diferentes arranjos de guitarras, harmonias vocais que nunca tínhamos imaginado e outras ótimas idéias".

Para aqueles que já estavam prestando atenção na banda, o seu contínuo crescimento musical não é uma surpresa – em termos de pura habilidade musical, o SHADOWS FALL já é há muito tempo uma das mais respeitadas bandas na comunidade do Metal, com uma formação que poderia facilmente ser comparada aos mais lendários músicos do Rock.

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Os guitarristas Matt Bachand e Jon Donais já foram colunistas da revista Guitar World e tiveram recentemente a honra de serem incluídos na lista dos "100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos" da revista. O baixista Paul Romanko é colaborador regular da revista Guitar World's Bass Guitar, enquanto o baterista Jason Bittner escreve uma coluna para a Modern Drummer, cujos leitores o elegeram o "Melhor Baterista de Metal" nas eleições de 2005 e 2006. E, com seus ‘dreadlocks’ de 1,20 m, seu vocal poderoso e sua ótima presença de palco, Brian Fair — um apresentador regular do programa "Headbanger's Ball" da MTV — é um frontman que está entre os mais carismáticos e conhecidos do Metal.

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Todos os cinco membros também trouxeram uma grande variedade de influências. "Jonny sempre gostou do Metal dos anos 80 e do Rock dos anos 70", explica Fair. "Matt gostava mais de Death Metal e Grindcore, mas ele gosta também de todo tipo de material relacionado a vocalistas/ compositores; Jay tem uma formação mais Prog — ele é um grande fã do RUSH e do DREAM THEATER — e Paul gosta de Punk Rock e Hardcore tradicional. Eu cresci ouvindo o rock dos anos 70 e depois descobri a cena Hardcore, mas sempre ouvi muito jazz, reggae e música não convencional".

Mas, como acontece com todas as grandes bandas com o passar dos anos, os músicos do SHADOWS FALL compõem música juntos, o que faz com que as diferentes influências e personalidades se combinem numa visão unificada. "Na verdade, não há egos nesta banda", afirma Fair. "Sempre vamos nos concentrar no aspecto técnico de nossa música, porque estes caras sabem tocar. Mas queremos incorporar tudo isso na estrutura das músicas, o que significa tentar criar a melhor música e entender como ela se encaixa no esquema. É claro que", acrescenta ele, "quando é hora de compor pra valer, vamos compor pra valer!".

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"Redemption", o hino que abre o álbum "Threads of Life" e seu principal single, é um verdadeiro curso sobre a original mistura que o SHADOWS FALL faz com riffs metálicos, agressão hardcore e toques melódicos. "Esse é o som do SHADOWS FALL condensado em quatro minutos", diz Fair, rindo. "Acho que é uma perfeita representação do que fazemos. E também acho que resume todo o álbum, por isso a colocamos como faixa de abertura, já que tem um pouco de tudo o que você terá nos próximos 45 minutos!".

"Final Call", a épica peça central de sete minutos — que inclui alguns espetaculares duelos de guitarras entre Donais e Bachand — um grito de protesto por esperança e solidariedade em tempos de cinismo e desespero. "Muitos dos ideais e objetivos de nosso governo parecem estar tão longe daquilo que tenho tentado realizar até agora em minha vida que me sinto como se estivesse exilado em meu próprio pequeno plano de existência", diz Fair. "Mas, neste momento, tudo bem, porque acho que há outros que sentem o mesmo e eles são muito mais numerosos do que as pessoas imaginam".

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Fair também não tem medo que criticar a si próprio furiosamente quando a situação assim pede. "Failure of the Devout", "Burning the Lives" e "Forevermore" são críticas pesadas aos responsáveis pelo estado precário em que o mundo se encontra, sejam os sistemas políticos corruptos ou a religião organizada em geral.

Mas o melhor exemplo do ecletismo musical, lírico e emocional do SHADOWS FALL é "Another Hero Lost", uma balada emocionante, inspirada pela morte do primo de Fair, um soldado do EUA morto ano passado no Iraque. "Sempre tivemos esses momentos mais lentos em nossos álbuns, com músicas como 'The Art of Balance' e 'Inspiration on Demand'," explica o cantor, "mas essa foi a mais simples, direta e melódica balada que já fizemos. Eu não quis fugir do clima de tributo tornando-a brutal e maluca; ela tinha que vir diretamente do coração e ser realmente pura e verdadeira. Além disso, é a música mais pessoal que já gravei. Liricamente, ela foi escrita segundo a perspectiva de meu primo, e eu apenas falei sobre as emoções que minha família e eu estávamos sentindo naquele momento. A música não é nem um pouco política – eu apenas lembro de alguém com quem cresci e que significou muito para mim. Conheço muita gente que passou por coisas parecidas recentemente, então acho que é uma música com a qual eles poderão se identificar. Mas espero que não haja muito mais músicas compostas sobre algo desse tipo".

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Formado há mais de uma década em Springfield, Massachusetts, o SHADOWS FALL enfrentou muitas dificuldades para chegar ao sucesso, como tocar em shows de fim-de-semana em porões na região da Nova Inglaterra [EUA], em centros recreativos e até em armazéns para o dinheiro da gasolina. "Éramos todos amigos antes de formarmos esta banda", lembra Fair. "Todos nós tocávamos em bandas que tocavam juntas, além de termos objetivos e opiniões parecidas em relação àquilo que queríamos realizar juntos. Nós tínhamos aquela atitude tipo ‘um por todos e todos por um’ desde o começo e é assim que ainda fazemos negócios – é preciso que haja uma decisão unânime antes de fazermos qualquer coisa".

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Essa unidade de espírito e opiniões foi bastante útil para o esforço do SHADOWS FALL em ser reconhecido além da cena Metal de Massachusetts. "Nós aprendemos conforme fomos amadurecendo, enfrentando sozinhos as dificuldades", explica Fair. O grande sucesso da banda chegou em 2003, quando tiveram a oportunidade de tocar no segundo palco do Ozzfest daquele ano. Eles acabaram sendo a banda de maior sucesso entre as que tocaram no segundo palco e o SHADOWS FALL conquistou legiões de jovens fãs com a intensidade de seu ataque musical; a sua habilidade de fazer até mesmo o maior show parecer uma simples festa regada a cerveja também ajuda. "Acho que o fato de tantos garotos virem ao segundo palco só para ver esta banda ‘indie’ abriu os olhos de muita gente", diz Fair. Dois anos depois, o SHADOWS FALL passou a tocar no palco principal do Ozzfest, onde as suas performances incendiárias conquistaram até os mais teimosos fãs de Metal tradicional, que queriam ver IRON MAIDEN e OZZY OSBOURNE. Obviamente, essa era uma banda capaz de carregar a tocha passada para eles pelos gigantes do Heavy Metal tradicional.

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Após um período de sucesso com o selo independente Century Media, "Threads of Life" marcou a estréia do SHADOWS FALL numa grande gravadora, a Atlantic Records. "Nós a consideramos apenas mais uma gravadora, com mais recursos", explica Fair. "Éramos amigos do pessoal de lá antes mesmo de iniciarmos nossa relação comercial, então foi tudo agradável desde o começo. Eles perceberam que somos uma banda profissional que está na estrada já faz uma década e querem nos ajudar a continuar assim".

Em outras palavras, mesmo com uma nova gravadora, uma avalanche de críticas positivas e uma legião de fãs que aumenta rapidamente, as coisas estão como sempre foram para o SHADOWS FALL — gravar um grande disco e ir pra estrada divertir o maior número possível de pessoas (e também beber umas cervejas com elas). "Nós começamos a tocar esse tipo de música porque era divertido", diz Fair, rindo. "Num certo momento, decidimos que ‘Vamos subir na van e fazer turnês até não podermos mais’ – e isso realmente valeu a pena, o que é incrível. Estamos com muita vontade de continuar tocando Metal e vivermos disso".

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".
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