Angra: Kiko comenta tour latino-americana
Postado em 01 de junho de 2007
O seguinte texto foi postado pelo guitarrista Kiko Loureiro no Site Oficial do ANGRA:
Aí, galera do Angra.net!
Vou escrever um pouquinho sobre como foi nossa tour pelos países irmãos da América Latina. Faz tempo que alguém da banda não escreve por aqui, portanto, já começo pedindo desculpas pela ausência de todos nós.
Saímos do Brasil sabendo que seria uma tour bastante cansativa, pois os vôos seriam na sua maioria de madrugada, não deixando praticamente nenhum tempo para a banda dormir. Quero dizer, dormir deitado, pois dormir homeopaticamente em cadeiras de aeroportos, vans, aviões etc., isso até que a gente já é expert.
Além da agenda apertada, não pudemos contar com a equipe técnica inteira. O Marquinhos, roadie de bateria, não pôde ir. Assim, o Aquiles se desdobrou para ajudar os roadies locais na montagem da batera, na passagem de som e, é claro, na garantia de que tudo daria certo durante os shows. Na equipe, tivemos conosco apenas o Silveira, técnico de som, e o Fantoni, técnico de guitarra. Os dois realmente se empenharam e fizeram um perfeito trabalho.
Saímos de São Paulo para a Costa Rica, local do primeiro show. Claro que não foi simples assim, pois tivemos escalas no Rio de Janeiro e no Panamá, deixando a viagem com mais de 12 horas de duração.
A Costa Rica é um país interessante. Apesar de estar na América Central, nunca foi palco de famosos conflitos, como ocorreu na Nicarágua, Honduras, El Salvador... É um país com as pessoas bem tranqüilas, amistosas e alegres. Como eles mesmos dizem: "Pura Vida".
Depois da longa viagem, fomos direto para uma sessão de autógrafos conhecer os fãs costa-riquenses. O problema foi que não pudermos ver seus rostos tanto assim, pois logo quando chegamos à loja, uma chuva monumental ao melhor estilo tropical caiu e um blecaute aconteceu na cidade. Fizemos os autógrafos mesmo assim...
O show foi muito bom! Pura Vida! É sempre muito emocionante ir a um país ou cidade pela primeira vez e descobrir quanta gente conhece o nosso trabalho, respeita e admira a longa carreira do Angra.
Logo na manhã após o show fomos para o aeroporto rumo à Colômbia. Foi muito engraçado passar algumas horas no aeroporto e notar que várias pessoas pediam autógrafos ou olhavam para o Felipe. Estávamos o Rafael, eu e o Felipe juntos. Algumas pessoas vinham e pediam o autógrafo do Felipe apenas... Muito curioso. Daí, descobrimos que todos estavam achando que ele era o vocalista do Maná (famosa banda mexicana). O Felipe até falou para uma mulher que não era ele, mas ela continuava olhando com aquela cara de "me engana que eu gosto"...
A Colômbia já é um país a que fomos algumas vezes. Temos algumas amizades e um belo relacionamento com os fãs em Bogotá. Tocamos no mesmo lugar da turnê do Temple Of Shadows, El Teatron. Foi uma grande noite, com o El Teatron lotado e com o público cantando todas as músicas. Realmente inesquecível.
Infelizmente, com a correria dos vôos, não houve tempo para dar uma volta por Bogotá. O centro antigo da cidade é muito bonito, tem um teleférico que leva a uma igreja no alto de um morro de onde é possível ver toda a cidade. Há outros pontos turísticos, como a casa do libertador Simon Bolívar, mas desta vez nada disso deu para aproveitar. Inclusive, a tarde de autógrafo foi marcada para acontecer na manhã seguinte ao show, uma segunda-feira às 10 da matina. "Manhã de autógrafos"! Todos nós achávamos que não haveria ninguém, mas que nada... Algumas centenas de pessoas nos esperavam. O problema foi que iríamos direto para o aeroporto, então, não pudemos atender a todos.
No mesmo dia, chegamos ao Peru, lá pelas oito da noite. Uma longa viagem novamente... Esse dia, disseram, seria nosso dia de descanso. Mas descanso não existe no nosso vocabulário. Foi, sim, mais um dia de aeroporto, avião, raio-x, vans, malas, controle de passaporte e todas as chatices de uma viagem internacional.
Quando chegamos ao hotel, nos avisaram que haveria uma curta "noite de autógrafos". Novidade... Lá fomos nós, às 22h, para a noite de autógrafos. O Rafa já estava lá, pois no mesmo lugar havia feito um workshop. Como era a nossa primeira vez no Peru, foi divertido conhecer cara a cara centenas de fãs desta terra Inca.
Durante o dia, foi possível dar umas voltas pelo bairro Miraflores e conhecer a costa do Pacífico do nosso continente. Comida e visual espetaculares. Porém, à noite o encantamento foi maior ainda. Com a casa superlotada e uma multidão de peruanos cantando as músicas, desde os remotos tempos do Angels Cry até o atual Aurora Consurgens, e todos da banda tocaram com uma empolgação extrema.
Acabado o show, tínhamos apenas duas horas para descansar e arrumar nossas coisas rumo ao Chile. Saímos do hotel às 3 e meia da manhã e só chegamos ao hotel do Chile às 4 da tarde... Mais uma vez, cochilos intermitentes no melhor estilo Leonardo da Vinci...
Eu tinha um workshop com outros grandes guitarristas chilenos e, mal cheguei ao hotel, fui direto para o evento. Havia umas 700 pessoas e foi uma noite muito legal, onde pude fazer novas amizades e conhecer grandes músicos chilenos.
No dia seguinte, dia do show, estávamos tranqüilos para andar pela cidade. Cada um tomou seu rumo. Estávamos bem no centro de Santiago e eu fui dar uma volta pelo museu de história do Chile e pelo museu de Belas Artes. Havia várias obras do famoso pintor Chile Mata. Para quem gosta de pintura moderna, vale a pena conhecer. O Chile me dá um mix de inveja e felicidade. Feliz por ver um país sul-americano limpo, organizado e em pleno desenvolvimento e inveja por ver que o Brasil deveria estar nesta posição. Como nós sabemos, ainda vemos nosso desenvolvimento travado por causa das politicagens tupiniquins, mas isso é outro assunto.
O show foi no mesmo ginásio em que toquei com o Angra em 99, na tour do Fireworks. Boas memórias daquele show, quando o exército entrou para mandar parar a música que estava muito alta. Na nação onde muitos ainda idolatram Pinochet, isso me parece uma coisa normal. Desta vez, porém, foi tranqüilo. Ginásio lotado e com um público muito sedento para ouvir as músicas novas e do Temple – já que a última vez em que estivemos lá tinha sido na tour do Rebirth.
Mais uma vez fomos depois do show praticamente direto para o aeroporto, agora rumo a Buenos Aires, Argentina. Na Argentina, também estivemos pela última vez na tour do Rebirth. Assim, os ingressos já tinham se esgotado dias antes do show e sabíamos que seria muito boa a receptividade do público. Uma coisa temos que falar bem dos argentinos: quando eles cantam as músicas de estádio de futebol em coro – "Angra no se vá" –, não tem como não ficar emocionado e deixar o público cantar até cansar. E nós só olhando com cara de crianças felizes.
Em resumo, mais uma vez voltamos de uma turnê pela América Latina falando em voltar em breve e nos perguntando por que não tocamos com mais freqüência por lá. O público, as pessoas, os shows, as amizades, a cultura... Enfim, todo este contato é o melhor que tiramos dessa nossa vida de músicos errantes.
Kiko Loureiro
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