Theatre of Tragedy: O ponto final de Tommy Lindal
Por Rodrigo Mendes Bueno
Fonte: Funeral Wedding Webblog
Postado em 12 de setembro de 2012
Tommy Lindal, um dos fundadores da banda norueguesa "Theatre of Tragedy", está saindo de cena após sua longa batalha de 16 anos. Em 1996, ele sofreu um derrame na Alemanha durante a gravação dos álbums "Velvet Darkness They Fear" e "A Rose For the Dead". Desde então, ele tem lutado para voltar ao cenário musical, mas as limitações pós-derrame não permitiram que ele conseguisse.
Theatre Of Tragedy - Mais Novidades
Aqui está a declaração oficial final de Tommy...
Trad.: Marcelo Bauducco
"Meu ponto final…
Levei mais de 16 anos para finalmente perceber e, mais importante pra mim pessoalmente, admitir que aquele dia no estúdio em 1996 mudou para sempre minha vida como músico – isto é, o quão profunda era a paixão pela minha guitarra e o amor por fazer música, razões pelas quais que eu estive lutando todo esse tempo. Desde aquele dia eu tenho tentado encontrar meu rumo de volta a onde tudo começou, de forma que eu pudesse ‘continuar’ meu caminho pela estrada que fui tão feliz em encontrar.
Foi uma jornada difícil, pessoalmente e profissionalmente, onde eu encontrei muitas pessoas novas e vivi muitas experiências diferentes. É com um coração muito pesado e lágrimas nos meus olhos que eu admito que o caminho foi ficando cada vez mais e mais distante e agora se desfez. Minha batalha acabou.
Existem razões diferentes para a minha decisão de desistir, mas o acidente de 16 anos atrás ainda é o que torna impossível que eu continue. Como efeitos colaterais do meu derrame, a perda de precisão da minha mão esquerda, perda de memória recente e baixo equilíbrio. Eu não posso fazer movimentos rápidos com meu braço e isto limita muito minha habilidade de tocar do jeito que eu quero. Eu tentei de tudo, terapia, treino, até acupuntura, mas nada ajudou. Nos últimos anos, eu tentei tocar de um jeito que contornasse os problemas, mas eu não estou satisfeito com o resultado do meu próprio trabalho.
Mesmo assim, eu tenho conhecimento da sorte que tive ao ser parte da cena gothic/doom por alguns anos e talvez eu tenha sido um dos responsáveis por estabelecer alguns novos padrões para o gênero. Eu fui tão afortunado por ter o trabalho espalhado por todo o mundo e realmente me comove quando as pessoas dizem que ele teve um grande impacto na vida delas.
Durante os últimos anos, meu interesse em música diminuiu, acho que isso me fez perceber que meu ponto final estava chegando. Eu não escuto mais música diariamente, eu dificilmente toco minha guitarra, eu nem me esforço pra ouvir os novos lançamentos das minhas bandas preferidas. Eu ainda amo assistir shows, mas é de um jeito diferente de antes. Hoje, eu vou pra shows pra me divertir, encontrar amigos, curtir a banda e não pra me inspirar, observar técnicas e pensar como um músico. Sim, tem uma diferença num artista e num fã, eu acho. Como artista, nós ouvimos a música de um jeito diferente, então hoje eu me sinto mais um fã que um artista. Acho que eu estou cansado. Consumido…
Também acho que a maioria da música de hoje em dia é tão artificial, cirurgicamente precisa e cheia de aparelhos eletrônicos. Eu não vejo a verdadeira música vinda da alma. Bem, soa legal, arrebenta, mas é minha opinião. Eu lembro que quando eu gravei minhas partes para "Theatre of Tragedy" e "Velvet Darkness They Fear" era tudo feito de sentimentos. Nós éramos apenas os caras com a bateria e as guitarras fazendo música na sala de ensaio, sem máquinas e luzes piscando. Nós usávamos um teclado, mas mais como piano e para obter alguns sons esquisitos. Nós fizemos música de acordo com sentimentos verdadeiros e amávamos ela porque achávamos que soava brilhante. Tudo começou quando nós não nos importávamos se alguém iria gostar ou não.
Por favor, não me entendam errado, eu tive muitos momentos lindos e existem centenas de bandas brilhantes lá fora. Meu amor por música como arte nunca vai morrer, nem a flama queimando dentro de mim. Eu sempre vou me apaixonar por música, só que desta vez será como um fã.
Eu também quero dizer a todos vocês que acreditaram em mim, que entenderam minha mensagem, meu jeito de tocar, que eu sou eternamente grato por todo o apoio. Obrigado.
Levei 16 anos de sangue, suor e lágrimas para perceber, mas é bom finalmente admitir. Eu fiz meu melhor.
Você acabou de ler meu ponto final…"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O baterista que é um "músico bom em banda ruim", segundo Regis Tadeu
A maior banda de rock de todos os tempos, segundo Mick Fleetwood
A banda sem frescura que tinha os melhores músicos do rock, segundo Joe Perry
"Esse disco acabou com minha paixão pelo heavy metal": Sergio Martins revisita clássico
Angela Gossow comenta em postagem de Michael Amott e fãs se empolgam
"Não tivemos escolha", diz guitarrista sobre suspensão de planos do Twisted Sister
Mille Petrozza (Kreator) admite que ficaria entediado se fizesse um álbum 100% thrash metal
O guitarrista brasileiro que ouviu a real de produtor: "Seu timbre e sua mão não são bons"
Cartaz oficial do Bangers Open Air é divulgado pela organização do festival
A banda europeia de metal com milhões no Spotify cujo integrante trabalha como bombeiro
A música de Ozzy que atingiu o topo das paradas, mas não aparece nas coletâneas "Best Of" do madm
"Heavy metal é para ser tocado com duas guitarras", opina Schmier (Destruction)
Vocalista do Amaranthe e ex-cantoras do Arch Enemy e Delain sobem ao palco com o Epica
Os cinco discos favoritos de Tom Morello, do Rage Against The Machine
Como Angela Gossow se juntou ao Arch Enemy, de acordo com Michael Amott
O que é "rastro de cobra e couro de lobisomem" em "Homem com H" de Ney Matogrosso
O frustrante único encontro de Roger Waters do Pink Floyd com John Lennon dos Beatles


Gothic Metal: Bandas com vocais femininos
Liv Kristine: fui demitida de minha própria banda!



