Bruce Dickinson: integridade na música e nos negócios
Por Igor Soares
Fonte: Iron Maiden 666
Postado em 02 de dezembro de 2012
Bruce Dickinson concedeu uma breve entrevista para Salvador López do programa espanhol Con Tu Negocio, durante sua passagem por Barcelona para participar do Móvil Forum Conference 2012, onde o vocalista do Iron Maiden foi um dos palestrantes. Confira o vídeo no final desta matéria.
CTN: O que você aprendeu no mundo da música que pode ser aplicado no mundo dos negócios?
Bruce Dickinson: Bem, tudo que você tem no mundo na música, o que você pode vender, é a sua integridade. No mundo dos negócios, é o que seria chamado de sua "marca". Mas, é mais do que apenas uma marca. Uma marca é algo que... bem, não é uma espécie de marca, eu acho que existem diferentes níveis de integridade no mundo da música.
De um lado está o "The X-Factor" (Reality Show Musical), que não tem integridade nenhuma, é apenas o equivalente medieval aos palcos onde as pessoas atiravam frutas, e aquele que recebia a menor quantidade de frutas podres avançava para a próxima fase e ganharia o prêmio no final. É basicamente isso. Enquanto por outro lado, você tem a situação do Iron Maiden, onde nós criamos nosso próprio nicho, nossa identidade, e nós resistimos ao resto do mundo para tentar mudá-lo, pois nós existimos e não nos adaptamos artisticamente a qualquer outro regime, exceto o nosso próprio.
Assim, há um conceito puramente artístico no centro de tudo. Agora, para torná-lo possível, temos um robusto mecanismo de defesa, composto por empresários, advogados e esse tipo de gente. Assim que alguém vem e diz: "Ei, criamos um perfume"! Dizemos: "Não". "Mas por que vocês não ganham um monte de dinheiro?" E dizemos: "Ok, mas isso é um lixo".
Então, assim que fazemos coisas que achamos que são adequadas, quero dizer, se com isso podemos fazer algum dinheiro, nós olhamos para essas coisas com muito cuidado. Nós protegemos o que é nosso, não só a nossa imagem. Por que como pessoas não temos uma imagem. De verdade? Me refiro em termos de ser uma celebridade e todo esse tipo de coisa. Sair em boates e em revistas. Nós não fazemos nada disso, e não queremos. Desejamos isso para outras pessoas que definem sua marca dessa maneira. Algumas pessoas possuem uma imagem que se baseia nisso, e é isso que estão vendendo, suponho eu. Mas nós não fazemos isso.
A arte, se você quiser, pode ser recíproca com a nossa base de fãs, nosso nicho. É como eu poder fazer algo sobre: "sei falar de negócios", "sou um piloto de avião" e coisas assim, porque realmente não está em conflito com o que acontece com o Iron Maiden, e não é por não estar relacionado, na verdade, é algo totalmente separado. Mas isso é algo a ser aprendido, eu aprendi em termos, percebendo como eu me aproximo, ou outras coisas que eu faço. É como, por que eu quero estar em qualquer coisa na qual estou envolvido? Eu quero estar na Hello Magazine (Revista de Fofocas), ou eu quero estar com a integridade do Iron Maiden?
Eu não sei com qual opção eu me sinto mais confortável. Eu me sinto confortável em dizer "não". Eu me sinto mais confortável mudando as coisas, porque elas não estão bem. Depois, alguém vem e diz... sim, sim, sim, qualquer relação com a mídia é boa. Isso é um absurdo, pois não é verdade.
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