"Somos tão jovens": filme retrata adolescência de Renato Russo
Por Matheus B. Vieira
Fonte: Estrela de Cinco Pontas
Postado em 05 de maio de 2013
Acabei de assistir ao filme Somos tão Jovens, que retrata a adolescência do falecido cantor Renato Russo e o embrião da Legião Urbana. Nunca fui um fã de Legião Urbana. Gosto da música, gosto do Renato e da importância que ele teve, mas não sinto isso na mesma escala em que a maioria de seus verdadeiros fãs o sentem, por isso me sinto meio a salvo pra falar bem dele, já que nunca fui fanático pelo cara, apenas um admirador distante.
Em se tratando de música, Legião sempre é um assunto polêmico. Muitas pessoas não conseguem compreender a razão do impacto deste grupo na música brasileira, na maioria das vezes porque não o conhecem. Aliás, desconhecimento geralmente leva à incompreensão, e logo, a preconceitos. Há pessoas que realmente acreditam que o sucesso é fruto de uma insistência em emplacar uma coisa por falta de coisa melhor, um banda de karaokê, etc. Mas eu penso que Legião Urbana, para sua época, foi uma banda necessária, cujo legado e importância não podem ser manchados ou esquecidos, em outras palavras, gostem ou não as pessoas, Legião Urbana e o seu líder já fazem parte da história da música brasileira.
Renato Russo falou sobre a vida, e para entender o que ele diz, é preciso vivê-la organicamente, e não plasticamente, nessa era do silício.
Sobre essa banda já escutei um monte de idiotices, porque as pessoas se prendem a fantasmas e estereótipos midiáticos. Mas quando eu ouvi o cara falando, a voz verdadeira do Renato Russo, saindo através dele mesmo, dá pra perceber porque ele foi um dos últimos músicos realmente íntegros daquela época.
Quando se trata de arte, é preciso despir-se para sacar o que o artista quer. Renato não era um músico exímio, mas é inegável que sua voz era belíssima e que sua poesia era perturbadora para a emoção. Enquanto todo mundo falava da grandiosidade de um mundo que esperava dar certo através de determinadas ideologias, Renato Russo falou do medo de se viver num mundo tão perturbado e insano como o nosso.
Mas seu legado ainda é manchado por causa de moralismos pífios ou desconhecimento da obra.
Falando do filme, achei que ele demora um pouco pra começar a acontecer. A introdução do filme pode cansar os mais imapacientes, mas o restante é praticamente tudo o que já ouvi falar sobre ele: um adolescente sensível ao extremo, muito culto, muito diferenciado e espontâneo, e que acima de tudo sonhava com o seu sucesso como músico e poeta. A interpretação de Thiago Mendonça foi impecável. Ele captou com tanta sutileza os trejeitos do Renato que você simpatiza quase instantaneamente assim que o personagem começa a se mostrar mais. Ainda acredito que foi uma sacada do diretor em entender o quão medíocre o povo hoje é em conceitos, por isso maneirou no que quer se tratasse em relação à drogas ou homossexualidade.
E como comentário pessoal, poxa vida, os caras escolheram como título um verso da minha música favorita da banda.
Numa era em que a ignorância tornou-se algo endêmico, onde as pessoas acreditam e se deixam levar pelas mais diversas desinformações, onde as pessoas vivem suas vidas apenas através de suas opiniões limitadas em redes sociais, esse filme é nostálgico e emocionante, que traz de volta uma juventude de fato forte e tranformadora, que no mínimo de suas atitudes, não se impedia de sonhar com um mundo diferente e melhor para todos.
O jovem que apenas tecla, que não faz ideia do que é uma vida fora desse vício doentio de ser bem sucedido numa corporação invisível, pra satisfazer essa necessidade estúpida de consumo, esse filme fará pouca sombra em seus corações.
Renato Russo, foi como se você nunca tivesse saído daqui. Seus fãs e apreciadores agradecem.
Segue abaixo essa música que para mim, é a maior obra prima que ele já compôs, e que por tantas vezes salvou minha sanidade. O que seria das pessoas de verdade se não fossem os poetas?
Tempo Perdido
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As únicas 11 músicas do Dream Theater que são boas, segundo Regis Tadeu
42 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de setembro
Billy Gibbons explica continuidade do ZZ Top tendo apenas sua presença dos membros clássicos
Assista o primeiro show da Cretin Family (Ramones, Green Day, Rancid e Blink-182)
O disco do Rush que baixista do Napalm Death considera perfeito
Edguy vai lançar novo álbum após show de reunião? Tobias Sammet explica
O riff do Black Sabbath que Eddie Van Halen vivia pedindo para Tony Iommi tocar
Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
Governo assina decreto ampliando fiscalização na venda de ingressos e cobranças de taxas
Por que Luís Mariutti foi barrado no show do Angra, segundo o próprio
O guitarrista que fez Angus Young admitir que nunca se considerou grande na guitarra
Tuomas Holopainen diz que refaria apenas uma letra em 30 anos de Nightwish
O disco que talvez seja a definição mais perfeita de "classic rock"
O álbum do Led Zeppelin que Ozzy Osbourne considerava um dos grandes discos de metal
O apelido com referência nerd que pedaleira de Paulo Miklos ganhou nos Titãs
O vocalista em que Robert Plant teria se inspirado para criar seu visual e atitude no palco
Tony Iommi e Geezer Butler não estavam a fim de fazer o último show do Black Sabbath
A música que nem seria incluída em disco, mas virou hit e mudou a história do Metal

O compositor dos anos 80 que Paulo Ricardo coloca acima de Cazuza e Renato Russo
O que mapa astral de Renato Russo revela sobre a Legião Urbana, segundo astróloga
A resposta de Dado Villa-Lobos que humanizou Renato Russo, segundo Canal Musicália
Por que é errado achar que Renato Russo era supergenial, segundo Dado Villa-Lobos
A diferença entre Renato Russo e Humberto que explica o que acontece com o Engenheiros



