Tarja: entrevista sobre o Beauty and the Beat na Rússia

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Por Ferrr Barone, Fonte: Site/Fã Clube Tarja Brasil
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Matéria de 06/06/13. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Hoje, 2 de junho, no Event-Hall, a cantora de rock e ópera e ex-frontwoman do Nightwish, Tarja Turunen, vai se apresentar. A cantora chegou alguns dias antes do concerto com músicos, orquestra e coro.

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Os fãs esperavam pela estrela no aeroporto, e agora também no hotel. Uma fã mais persistente ficou de guarda no local do concerto e conseguiu uma foto e um autógrafo como lembrança.

- Tarja, como estavam seus fãs? - perguntamos.
- Em Voronezh tudo correu muito bem, foi fácil. Me encontrei com fãs no aeroporto mas tudo deu certo. Essa é a diferença da América do Sul, onde os fãs sempre estão loucos. Me perseguiam todos os dias e me seguiam por todas as partes. No café da manhã, quando saía para correr, estavam de vigia na porta do hotel. Graças a Deus faz nove meses que eu virei mãe e os fãs perceberam que preciso de muito tempo e espaço pessoal para minha filha, e pararam de me perseguir. Meus fãs são bem compreensivos, e eu os amo por isso.

- Você recebe muitos presentes, onde os guarda?
- Ai, meu Deus! Me dão muitos, muitos presentes, tanto que no fim das tours tenho que comprar uma mala só para guardá-los. E agora que tenho uma filha e tenho que levar um monte de coisas a mais para crianças, podem imaginar o tamanho da minha bagagem. Mas está tudo bem, porque guardo todos os presentes em um quarto especial na casa dos meus pais, já que são peças únicas nas quais os fãs colocaram seus corações. De fato, já recebi um presente bem original. Sou madrinha de um grande tubarão branco! Adoro mergulhar, estar debaixo d'água, e meus amigos, sabendo disso, nomearam um tubarão branco em minha honra!

Falamos sobre criatividade. Tarja diz que levou muito tempo para reaprender a cantar rock, já que tem uma voz com treinamento clássico, e está feliz de ser apreciada na Rússia. Tão apreciada que em 2011 foi convidada a participar do festival Rock in Volga com a banda Kipelov.

- O show foi magnífico, um festival enorme para umas 250 000 pessoas, fiquei feliz de poder participar. Estava preocupada sobre ter que cantar pela primeira vez em russo. Tinha as folhas de papel com a letra, e estou muito orgulhosa de dizer que não as usei para nada - admitiu Tarja.

- Como se sente a respeito das associações frequentes com o Nightwish?
- O que posso dizer? Sempre será assim. Começamos a banda juntos. Mas a vida continua e eu estou muito feliz com meu trabalho hoje.

- Escuta Nightwish hoje em dia?
- Não tenho essa necessidade.

- Se Tuomas Holopainen te convidasse para voltar ao Nightwish e começar tudo de novo, aceitaria?
- Não, obrigada.

- Hoje há muitos críticos de música que condenam o heavy metal. O que pensa sobre isso?
- É um tema sensivel. Comecei com a música clássica, e entrar no metal foi uma grande surpresa pra mim, não estava preparada para nada. Mas é um mundo maravilhoso, descobri lindas canções e músicas. De qualquer modo, escuto hard rock desde pequena. Meu irmão, que é sete anos mais velho, escutava Kiss, Alice Cooper. Conheço bem a música. E logo fui conhecendo mais.

Agora é difícil ganhar dinheiro com o rock n' roll, é dificil trabalhar neste mundo musical. Especialmente para bandas novas, é difícil se fazer conhecer. E encontrar alguém que faça álbuns novos! É por isso que acho que milhares de bandas estão constantemente em tour - porque precisam se manter visíveis, na superfície. Nós queremos entrar em negócios que não visem só a música: precisamos nos prevenir para tempos mais difíceis para poder criar nossa filha. Dinheiro não traz felicidade, mas ainda é necessário.

Agora a entrevista muda. Mike Terrana entra na conversa:

- As pessoas não compram mais discos. Quando era pequeno, se gostava da música, ia e comprava o CD. Agora é só baixar a música e às vezes ir a shows. Tudo ao contrário. Nos anos 60, 70, era mais fácil. As gravadoras tratavam de promover as bandas e grupos muito famosos, como os Rolling Stones, fizeram fama graças a isso.

- Mike, quando estava aprendendo a tocar bateria, ensaiava no sótão da casa do seu pai, e seus vizinhos reclamavam muito do barulho. Agora que é famoso, seus vizinhos ainda se queixam?

- Bateria é um instrumento feio e malcheiroso. Nem eu queria me ouvir tocando em quando praticava. Mas ainda o tinha que fazer. Sempre ensaio no sótão, eu e minha bateria. Ensaio em uma sala especial e assim não causo problemas a ninguém. Se eu pego pessoas agora? Sim, adoro pegar as pessoas. Planejo pegar alguém durante um show.

- Onde fica sua filha durante o show?
- Ah, não se preocupem - Tarja sorri. - Ela vai ficar atrás do palco. Está acostumada a ver e escutar os shows. Fica muito tranquila nos ensaios. Nota-se que ela gosta de música. Quando mais alto o volume, melhor dorme a Naomi. Porque nos primeiros cinco meses de gravidez eu estive em tour com minha banda de rock, e minha filha desde a barriga se acostumou com música pesada. E dorme muito bem, até começa a sonhar. E quando ela dorme, eu e meu marido podemos voltar à rotina normal, não temos que sussurrar ou caminhar nas pontas dos pés com medo de que ela acorde. Deve ser difícil ser uma mãe perfeita, talvez impossível. Claro que se minha filha sofresse por conta do meu estilo de vida, eu o teria mudado. Mas felizmente o papai sempre viaja conosco, e isso ajuda na felicidade da nossa filha, e assim tudo vai bem. Ela já tem muitos amigos - todos os músicos que me acompanham nesta tour a adoram. Com todo esse amor, ela também está feliz. E ela é minha inspiração - antes, eu estava em primeiro lugar, agora ela está!

Sobre o Beauty and the Beat, Tarja também comenta:

- É um programa muito dificil de se interpretar, até para a orquestra e para o condutor. Há peças clássicas que os músicos podem interpretar bem, sem nem pensar, mas já as peças de rock são de difícil execução. São excelentes músicos, tocar com eles é genial, e é muito fácil trabalhar com a orquestra, o coro e o maestro. - nos conta Tarja. - Em geral, é uma cidade maravilhosa, mais moderna e avançada do que, por exemplo, Nizhny Novgorod, onde estávamos antes. Sinto que é uma cidade ótima, próspera, na qual coisas boas estão acontecendo. Nos sentimos muito bem aqui.

- Na Rússia, muitos artistas cuidam de sua voz com brandy e ovos crús. Como você cuida da sua voz?
- Ah, deus, não! Brandy e whisky jamais! - ela ri. - Meu segredo: bebo muita, muita água todos os dias. Sinto que a umidade faz bem para minha voz. Geralmente escuto o que meu corpo pede. Em lugares com clima mais quente e úmido canto com mais facilidade, pois não preciso ingerir tanto líquido, a umidade está já no ar. Com tantos anos de prática é cada vez mais fácil cuidar da minha voz. Mas não posso viver uma vida de rock n' roll. Nada de cigarros ou álcool, tenho que dormir bem todas as noites, pensamento positivo e bons passatempos.

Tarja não teve problemas em nossa cidade. Depois dos ensaios, a estrela passou seu tempo livre com o marido e a filha de nove meses, Naomi. Antes do shows, a família foi ao aquário e passaram uns 40 minutos ali. Tarja se deleitou com os leões marinhos e com os suricatos, enquanto sua filha gostou de observar os peixes. Tarja é valente, assim que pedimos que ela tirasse uma foto com nossa píton ela a colocou em volta de seu pescoço! Tarja também nos contou como ama mergulhar e o mundo submarino.

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Sobre Ferrr Barone

Fernanda é jornalista, professora de inglês e amante de música. Começou a ouvir metal desde pequena, mas aos 11 anos se dirigiu mais ao estilo ouvindo Avantasia, Angra e Nightwish. Decidiu cantar sob a influência de Tarja Turunen. Estudou canto lírico e agora estuda belting. Já teve uma banda (que não deu certo). Ama escrever, ir a shows e ver filmes. É atualmente uma das mantenedoras do site FlooRocks, o fã-clube da Floor Jansen no Brasil.

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