Música ao Vivo: entenda como algumas casas a estão destruindo

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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Texto original por ARI HERSTAND

Deixe que eu comece o texto dizendo que sou músico. Eu já fiz mais de 600 shows ao redor do mundo.

Algumas noites atrás eu fui até a lendária casa de shows da Sunset Strip, o Viper Room, para um evento de promoção de uma estação de rádio que exibiria algumas bandas australianas. Eu já estive no Viper Room algumas vezes ao longo dos anos para ver as bandas dos meus amigos tocarem.

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Dos talvez quatro shows que eu fui no Viper Room, nenhum estava com o som muito bom. O mix é sempre horrível.

Eu aponto a péssima qualidade desses mixes para o fato de o técnico de some star cagando e andando. Porque havia ‘umas bandinhas de merda’ tocando. Não estou dizendo que as bandas dos meus amigos são de merda [não o são], mas eu deduzi que é o que o técnico de som provavelmente presumiu quando a noite começou [mais sobre isso adiante].

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Mas nessa noite, essas eram bandas em turnê internacional tocando num evento de vitrine organizado por uma estação de rádio bastante respeitada em uma casa lotada. Se era pra se importar uma vez na vida, essa era a hora.

Mas, novamente, o mesmo mix de bosta.

O vocalista, compositor e guitarrista capitaneava uma banda de músicos contratados; Ele frequentemente mandava solos de guitarra, e em 9 dentre 10 vezes, eles estavam apagados no mix. Completamente inaudíveis. Por várias ocasiões ao longo do set, as pessoas se viravam para a cabine de som para ver quem estava lá em cima e o que caralho ele estava fazendo. Ele não viu que o cantor/guitarrista estava solando? Aumenta isso! Ele estava ocupado mexendo com as luzes, ou, na maior parte do tempo, sumido.

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Mas além do fato de ele perder quase todos os solos, os vocais estavam perfurantes. Frequências médias a todo volume assaltavam os ouvidos de todos os que foram desafortunados o suficiente para esquecer seus protetores auriculares. A caixa da bateria estava apagada, mas, estranhamente, os pratos estavam estourando. O teclado, naquele caso, deveria preencher o espaço, mas estava mais alto do que os solos de guitarra. O baixo estava bom e pesado, o que revelava os poderosos subwoofers na casa.

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A banda não era uma merda. Eu fui informado que os músicos contratados pelo vocalista saem em turnê com superastros frequentemente.

O cara do som era uma merda. Simples assim.

É triste que uma casa dedicada ao rock tão lendária como o Viper Room tenha decaído tanto. Pelo fato de o ‘acordo padrão’ para qualquer show no Viper Room é ‘pagar pra tocar’, a maioria dos artistas que tocam lá de fato são umas merdas. Não há preocupação ou reputação como critério de agenciamento de uma banda hoje em dia. Quem estiver disposto a tomar no rabo com o acordo com os proprietários e pagar mais, toca.

E por causa disso, o técnico do som se farta de lidar com bandas locais vagabundas noite após noite. Eles desistem de fazer um trabalho decente. Ou isso ou eles perderam sua audição depois de todos esses anos.

Se as casas não tomarem conta do elemento mais importante de suas instalações, o SOM, então elas vão perder seu público. Permanentemente.

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As casas se perguntam o porquê de as pessoas não voltarem a elas. Não é que as bandas que vocês colocam não tenham mais esse poder, mas porque a sua casa não está proporcionando uma experiência agradável. As bandas não deveriam ter que contratar seu próprio engenheiro de som para ir mixar o set delas em uma casa de 300 pessoas de capacidade. O cara ou a mina da casa deveria ser de alto padrão. Especialmente no caso de casas respeitadas, esses engenheiros deveriam ser os melhores do ramo.

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Eu ouço tantos amigos [não-músicos] dizerem, ’eu não gosto de música ao vivo’. Bem, a razão pela qual eles não gostam de música ao vivo é porque eles, por vezes demais, vão a shows menores e têm experiências terríveis. Eles não sabem o porquê, mas provavelmente é porque o som é péssimo. Eles não conseguiriam determinar porque o som está ruim, e a maioria, infelizmente, culpa a banda.

Mas eu sei a real.

Eu já passei por isso várias vezes em casas voltadas para o público de rock por todo o país: caras do som que metem o volume TÃO ALTO que chega a ser ensurdecedor. Isso é divertido pra quem? Eu não sou nenhum vovô. Eu tenho 29 anos. tipicamente, os picos de frequência são tão arregaçantes que a única explicação é que o cara do som perdeu todas as outras frequências em sua audição depois de anos de mandar no talo.

Eu devo contrastar isso com um show que eu vi no domingo passado no Bootleg Theater em Echo park, mixado por SIR ERIC BROWN. Uma das melhores mixagens ao vivo que eu ouvi em muito tempo. A cabine de som está localizada na lateral da sala, bem perto do teto [como no Viper Room].Contudo, ao contrário do Viper Room, Eric Brown no Bootleg tinha uma mesa digital que ele controlava a partir de seu iPad e caminhava a várias partes da sala [discretamente] ao longo da noite,mixando. Porque é IMPOSSÍVEL mixar com sucesso situado em uma cabina a 3 metros da plateia. Eu tenho que elogiá-lo em público porque esse engenheiro de som não era somente talentoso, mas realizava de fato sua função, pela qual ele fora pago. E se esforçou para isso, vejam só.

O Hotel Café, outro pico predileto meu, sempre tem um excelente som. Eles possuem engenheiros talentosos sob contrato, que se alternam nas noites. Um salve especial para JOE ECKELS, que mixa alguns dos melhores shows que eu já ouvi naquela sala. Todos adoram o Hotel Café porque sabem que terão um show com excelente som. Eles contratam bandas de ponta [todas avaliadas pelo dono, Marko], pagam um cachê bem competitivo, e contratam excelentes engenheiros.

As casas precisam se organizar. Arrumar ouvidos musicais pra elas, para que ouçam ao som da casa e dos engenheiros. Obtenham opiniões honestas de profissionais. A maioria dos fãs de música no geral não sabe porque não gosta do som,mas se a banda for ótima, então ou é culpa do técnico ou do equipamento da casa.

O mais frustrante aqui como músico é passar horas e horas ensaiando e aprimorando meu set, pro som ser esculhambado e pisoteado nos falantes da casa, porque o cara do som tá pouco se fudendo.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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