Muse: relato fotográfico de um fã na Drones Tour 2015
Por Fernando Yokota
Fonte: Fernando Yokota
Postado em 30 de outubro de 2015
Muitos de nós acreditamos que aquilo que você ouve até uma certa idade é aquilo que forma o seu gosto musical. De forma geral, tendo a concordar com isso e o Muse foi a última das minhas bandas favoritas. Posso estar enganado, mas desde então ouvi muita música magnífica e, por mais esforço que eu fizesse, nunca mais atravessei a linha que separa o frio respeito do apreciador casual da adoração de fã.
Não me recordo exatamente, mas em algum ponto do ano de 2002 alguém me falou, via ICQ (?!), para que eu ouvisse um disco com uns desenhos que, para mim, até hoje são umas traves de futebol americano. Para efeito narrativo, teria sido mais legal o amor à primeira vista, mas infelizmente não foi. O disco da capa amarela ficou encostado em alguma pasta do HD do computador por um tempo junto com um monte de outras coisas que eu nunca devo ter ouvido (discografias completas de coisas como OCEAN COLOUR SCENE ou algum obscuro disco solo do Scott Rockenfield).
No ano seguinte me avisaram que o tal do MUSE havia lançado outro disco. Meio resistente, dei uma chance e aí, logo de cara, começou o "problema". O Origin of Symmetry -- o disco amarelo -- é um clássico entre os fãs e hoje certamente é tocado em casa mais do que deveria, mas sempre fui atraído por álbuns em que o exagero, a megalomania e a grandiosidade prevalecem (os Illusions do GUNS N’ ROSES, o Mellon Collie dos SMASHING PUMPKINS e, para dar dois exemplos na seara do metal, o Seventh Son do IRON MAIDEN ou o Scenes From a Memory do DREAM THEATER). O Absolution certamente tinha os riffs de guitarra de Stockholm Syndrome, o "quasiprog" de Butterflies and Hurricanes e os timbres gigantes de bateria de Apocalypse Please (todo disco com tambor gravado de dentro da piscina é automaticamente bom); o que me fisgou, no entanto, foram o riff de baixo, o refrão e -- mais importante -- um Chad Smith do fim dos dias encarnado em Dominic Howard descendo o porrete em Hysteria.
O MUSE pode não ser a minha banda favorita, mas certamente é a mais importante num aspecto em particular: foi com esses ingleses porta-vozes da distopia e do apocalipse que estabeleci uma ligação entre a minha geração e os fãs mais novos. Com o MUSE, aquela (bem questionável) autoridade do fã mais velho perante o mais novo não existe e, assim, viro moleque novamente.
Para além do registro jornalístico, as fotos que apresento aqui são as lembranças de viagem de um fã em meio à correria de quem está acompanhando uma das suas bandas favoritas. Quem é fã sabe que a experiência de ir a qualquer show de rock vai além das duas horas que você fica de frente para a banda: acordar cedo de ansiedade, não ter cabeça para trabalhar, a cerveja na fila com os amigos, a ressaca afônica no dia seguinte e, o mais importante, o frio na barriga naquela hora em que a luz apaga de uma vez e o show começa. Sendo fã ou não, se você se identificar pelo menos um pouquinho com esse sentimento ao ver essas fotos, dou por cumprida minha missão fotográfica.
(Com o agradecimento à T4F pelo credenciamento para os shows. Um salve em espcial ao colega Ton Müller, grande fotógrafo cujo trabalho merece ser visto em www.fb.com/tommuller)
Resenha do show do Rio de Janeiro:
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