Violência contra mulher: jovem é morta e carbonizada após sair de show de Thrash
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Fonte: Facebook
Postado em 31 de maio de 2016
Além dos recentes casos de estupro coletivo, mais um crime contra a mulher foi registrado no Brasil e, embora não tenha recebido da mídia convencional o mesmo tratamento que os casos do Rio e do Piauí, também merece o mesmo choque, principalmente da comunidade metal brasileira.
De acordo com o G1, a jovem Rayzza Ribeiro, de 22 anos, foi encontrada morta nesta segunda (23) em São Pedro da Aldeia, também no Rio de Janeiro, após deixar uma festa em uma escola ocupada de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. Raizza tinha ido a um evento realizado na Escola Estadual Miguel Couto - ocupada por estudantes que protestam contra as condições de ensino no Rio de Janeiro.
O estado em que Raizza foi encontrada, carbonizada e desfigurada, dificultou até mesmo a identificação do corpo, que só foi reconhecido pelo seu irmão por causa das tatuagens que a jovem usava. Ainda segundo o G1, o delegado da delegacia de São Pedro da Aldeia, Jorge Veloso, ainda não se sabe se Rayzza foi morta por arma de fogo ou facada. Ele trabalha com várias linhas investigação: as principais são o latrocínio, ou que Rayzza tenha sido vítima de alguma vingança.
A banda de thrash metal VINGADOR, que tocava no evento onde Raizza foi vista com vida pela última vez, postou em seu facebook uma mensagem como homenagem à jovem e também como alerta.
"Rayzza Ribeiro!!
Rayzza gostava muito do Vingador e nos acompanhava sempre que possível. Estava presente em todos os shows que pudesse e no ultimo Sábado, quando tocamos na ocupação, não foi diferente. Ela estava lá. Trocou ideia conosco, comentou o quanto feliz ficou pelos rolês da turnê da banda, bangeou e cantou as musicas conosco. Deu seu grito de apoio e aplausos quando criticamos e pedimos pela desconstrução do machismo, escondido ou não, nas entrelinhas dentro da cena que já busca desconstruir outros tipos de opressão. Saiu feliz do evento e seria a última vez que iria ao nosso show, que trocaria essa energia e emoções conosco.
Rayzza foi brutalmente assassinada naquela mesma noite, poucas horas depois do final do evento. Mais uma vítima do feminicídio que tem nos assolado. Numa sociedade machista e extremamente moralista uma menina é morta de forma covarde e brutal, e ainda é julgada pela ignorância e pelo ódio dos moralistas, dos conservadores como culpada, que ainda tentaram difamar o evento por tudo isso..
Estamos todos cansados disso!! Sei que vocês também estão, mas nossa mensagem aqui é de não desanimar, não se dar por vencido, não podemos jogar a toalha a um mundo que banaliza a misoginia, que escolhe a ignorância, a zona de conforto, o ódio e a barbárie como o caminho. Precisamos todos nos unir e resistir, buscar apoio uns nos outros, nos posicionarmos contra a opressão, emponderar aqueles ao nosso redor, nunca nos abster! Sabemos que Rayzza acreditava nisso, acreditava em resistir e assim ser livre não porque pediu ou esperou por alguém para ser livre, mas porque ela mesma escolheu ser livre quando escolheu lutar contra essa opressão no seu dia a dia.
O Vingador acredita e luta por tudo isso e nossa mensagem é de resistência pela memória dessa menina linda, sincera e cheia de sonhos, que não desistam, RESISTAM!
Nossa apresentação do dia 4 será dedicada a ela!"
Fernanda Lira, da banda NERVOSA, republicou a postagem da VINGADOR e completou:
"Pra quem acha que misoginia e feminicidio só tem pra Mina que 'vai procurar e acha' em baile funk e baile de favela.
Headbanger e ativista, morreu (foi queimada viva) voltando pra casa depois de show de metal.
E seguimos assim. Um dia uma é assassinada, no outro dia a outra é violada inconsciente por 33 caras e no outro, quem sabe num pode ser eu ou qualquer outra Mina que vcs conheçam, né?
Mas esqueci que ngm liga, porque a culpa é nossa sempre, tamo sempre dando motivo pra morrer e ser estuprada."
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