King Diamond: Seus fãs, Metallica, satanismo e Brasil em entrevista exclusiva

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Por Luiz Pimentel, Fonte: Blog do Luiz Pimentel
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O dinamarquês Kim Bendix Petersen, de 60 anos, quando caracterizado como King Diamond é o músico mais influente do heavy metal. Em comparação tosca, é o equivalente ao que David Bowie foi para o pop rock.

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No começo dos anos 1980, a maquiagem satanista, os adereços de palco, o falsete de sua voz de alcance inacreditável e o som que produzia com o Mercyful Fate influenciou 10 entre 10 bandas que surgiam à época. No thrash metal da Bay Area, de Metallica, Slayer e companhia, era rei supremo. tanto que até hoje, depois de ter se tornado o maior grupo do mundo, o Metallica constantemente presta reverência.

King Diamond descolou do Mercyful fate, assumiu carreira solo, voltou esporadicamente com a banda mas nunca deixou de fazer música. A não ser em 2010, quando quase morreu após sérios problemas cardíacos.

Ele diz que saiu da experiência de quase morte ainda melhor, com vocal mais afiado.

É o que será provado em São Paulo no dia 25 de junho, quando será headliner do Liberation Festival, em escalação com Lamb of God, Carcass e Heaven Shall Burn.

Ele contou tudo isso em entrevista.

Você veio só uma vez para o Brasil, com o Mercyful Fate, em 1996, para o Festival Monsters of Rock. Você se lembra de alguma coisa dessa visita 20 anos atrás? E, se sim, qual a sua memória favorita do país e daquela turnê?

Eu lembro que nós fizemos o álbum (“Into the Unknown”) e fomos ao Rio. Acho que fizemos outra coisa com o Mercyful Fate também, nós fizemos seis shows no Brasil. Belo Horizonte, Recife, Rio, São Paulo... não consigo lembrar dos outros lugares, mas conseguimos sentir a melhor gosto do Brasil, sabe? A comida maravilhosa, eu nunca vou me esquecer, foi muito especial, e eu tive a chance de ficar em Copacabana e tomar água de coco, e essas são as coisas que não me esqueço, são memórias especiais e as coisas foram muito intensas, os fãs são incríveis, quando estive aí foi incrível. Eu falei para a minha esposa para ela se preparar para uma experiência única que não vai esquecer.

Isso é ótimo, são boas memórias que você tem do Brasil. A sua imagem no palco é uma das mais icônicas do metal, com microfones de ossos, o crânio de Melissa, a maquiagem, o chapéu. Como é um dia comum na vida de Kim Bendix Petersen (nome verdadeiro dele)? Eu digo, quando você não está em turnê como King Diamond.

É cheio de coisas do King Diamond. Você não acreditaria. Desde cedo pela manhã, eu vou em reuniões com a banda toda, eu falo com todos os agentes, a gravadora, o que nós fazemos agora? Onde estão os contratos, quando é nosso próximo show, a publicidade... Nós temos uma coisa nova com a publicidade, vamos tentar vender camisetas antigas. Elas serão refeitas, mas vão parecer que são de 1980, camisetas retrô. Vai ser uma cópia em um estilo retrô.

Mas meu dia é cheio de trabalho o tempo inteiro, eu queria ter um pouquinho mais de tempo para mim, às vezes, mas sempre tem muito trabalho. Inclusive agora no nosso DVD blu-ray, que vai sair este ano. Serão dois shows que foram gravados na nossa turnê nos Estados Unidos, entre outubro e dezembro e eles vão virar um show no DVD. E esse show vem de dois festivais que tocamos ano passado na Europa, nós fizemos muitos festivais na Europa mas esses são especiais, e eles foram úteis a nossa turnê para o DVD. São estilos diferentes, nove câmeras foram usadas nos shows americanos, acho que usamos sete nos europeus. E elas mudavam de lugar todas as noites, nós mudávamos de lugar no palco e tivemos muitos ângulos diferentes durante o show. Tinha uma câmera no caixão de Abigail, tinha em todos os lugares. Vai ficar muito, muito legal quando estiver pronto. Depois disso, vamos começar a escrever para o próximo álbum em estúdio. Vamos estar muito ocupados neste ano e no próximo.

Normalmente, nós não sairíamos em turnê, mas desta vez nós conversamos e vimos que dá para fazer show e escrever e gravar ao mesmo tempo. Eu tenho um estúdio em casa, eu consigo gravar quase tudo aqui. Tem os dois pré eps aqui, nossas coisas antigas. E nós vamos usar um pouco disso, nós tocamos o show de “Abigail” tantas vezes que nós temos esse sentimento dentro de nós. É tão forte em todos nós e nós queremos escrever algo que tenha esse sentimento na próxima vez. Não vai ser a história de Abigail, vai ser uma história totalmente nova, vai ser uma história de horror, mas não posso te contar muito. Mas o estilo de música vai usar a mesma dinâmica que usamos em Abigail. Muita coisa acontecendo, muito instrumento, muito vocal. A instrumentação vai puxar isso, porque nós nos sentimos assim agora. Nós podemos fazer isso e podemos mudar o show, temos três shows especiais para fazer. Nós vamos para a Cidade do México, tocamos, voltamos e continuamos a escrever, depois vamos para São Paulo, voltamos e continuamos a gravação e terminamos em Las Vegas.

Desse jeito nós podemos levar toda a produção para os shows, a produção que usamos nos shows na Europa. Exatamente a mesma coisa. Essa é a primeira vez que vamos ao Brasil e esse é, de longe, o melhor show que nós já fizemos. Eu posso te garantir que você não vai nunca esquecer ele. Vai ser muito especial. E é o aniversário de 30 anos de “Abigail”, então é perfeito.

Saber isso é ótimo. Nós estamos ansiosos com o show e para tudo que você está preparando. Você ainda está morando no Texas?

Sim.

Você também é conhecido pelo seu incrível alcance vocal. Como é isso depois de quase 40 anos no negócio musical?

Você não acreditaria, mas está melhor agora do que na minha carreira toda. Cantar toda a história de “Abigail” é mais fácil agora do que antes. Eu tive um ataque cardíaco em 2010 e eu praticamente morri e voltei. Mas a minha voz, eu parei de fumar, minha mulher também. A morte abriu meus olhos. Eu respiro muito melhor agora. Mas quando se trata de show, em 1996, quando a gente tocou no Brasil, depois do show você me veria ofegante. Mas agora eu consigo subir e descer escadas e não é um problema. Isso é o quão forte tudo está. Eu vivo saudável, eu me alimento de forma saudável, eu faço tudo que os médicos me dizem, eu caminho cinco vezes por semana, e isso é a melhor coisa que você pode fazer pelo seu coração. Eles (os médicos) olharam meu coração ano passado e falaram que tudo parece fantástico, meu coração está forte. Foram ótimas notícias. E isso tem a ver com o porquê minha voz está mais forte, é um desafio cantar “Abigail” ainda, mas está melhor do que antes. A banda está melhor, também. A equipe também está melhor. Antigamente, nós teríamos 3 ou 4 caras e agora a equipe tem 20 pessoas. É muito maior. E subir no palco agora, eu não fico mais nervoso. Eu sei que todo mundo está fazendo a coisa certa, está tudo sob controle. Eu posso me concentrar em fazer as minhas coisas e aproveitar o show. E é uma grande mudança.

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É bom saber que você está vivendo de forma saudável, depois desse problema que você teve, isso mudou de alguma forma a sua visão artística?

Não. Nada.

Eu não sei se é verdade, mas muito já foi dito sobre o seu satanismo. Talvez você nem seja mais. E, como eu disse, não sei se é verdade.

É verdade, é muito verdade. As vezes as pessoas perguntam: “Você é satanista?”, e eu falo: “Ok, mas o que isso tem a ver com você?”.

Se você pensa, por exemplo, que satanistas são pessoas que sacrificam animais, bebês e coisas assim, eu digo que não, não, não são. Se você ouviu sobre a Bíblia satânica, quando você ouve a palavra Bíblia você acha que é uma religião normal, mas não é uma religião. É uma filosofia de vida. Eu fui convidado para ir na igreja, eu passei a noite toda lá, conversei com um homem (falecido), ele me escreveu uma carta, falei com a filha dele. Eu falei para ela: “Ele me escreveu uma carta” e ela disse que não, ele não escreve cartas. Ele dita e alguém escreve. Eu falei que a tinha e que ela tinha que ver. Ela viu o que ele escreveu para mim e foi muito tocante. Ela não sabia que eu tinha aquela conexão com o pai dela e eu ainda tenho aquela carta, eu sempre levo comigo em turnê. Eu encontrei com ela pela última vez em 2015, na turnê de “Abigail” em São Francisco e foi muito interessante. Ela me levou no restaurante que o pai dela costumava ir quando ele queria comer algo tarde da noite. E nós fomos e conversamos sobre as coisas que aconteceram nos velhos tempos e não tinha nada a ver com religião. Eu não sou religioso. Eu sou muito espiritualizado, mas não significa que eu pertença a alguma religião. Eu acho que todo mundo devia ter uma religião, contanto que não machuque ninguém. Eu acho que devíamos ter mais respeito um pelo outro, ainda que você goste de coisas diferentes. Simplesmente porque tem várias religiões diferentes. E por um único motivo, não tem como provar qual é o Deus certo, se existe um Deus certo. Ninguém provou isso para ninguém. Por isso eu acho que deve ter respeito. Ninguém pode provar para o resto do mundo que acredita na coisa certa, então porque não ter respeito até que talvez um dia, se tiver um Deus ele possa falar que ele é o certo. Aí todos acreditaríamos na mesma coisa. Eu nunca disse, na minha vida inteira, que não existe um Deus, ou que tenha um ou vários. Você não sabe e eu não sei. Eu entendo que haja pessoas que tenham sentido alguma ligação com Deus, e portanto, acreditam nisso, e é perfeitamente aceitável. Mas eu não acho que elas deviam desmerecer alguém por terem sentido algo diferente. Devia ter respeito, eu sempre achei isso. Essa é a minha visão de mundo. Então as pessoas podem dizer que eu era satanista, eu não ligo para isso.

Eu entendo, faz total sentido. Você falou sobre São Francisco, eu queria falar sobre como você influenciou muitas pessoas na Bay Area nos anos 80. Nós sabemos que um de seus maiores fãs é o Lars Ulrich, baterista do Metallica, que também é dinamarquês. Você pode dividir alguma história curiosa da sua relação com esses caras que se tornaram os maiores rockstars do mundo? Quero dizer, o Lars por acaso te liga no Natal para desejar boas festas ou algo do tipo?

(risos) Não. Às vezes nos encontramos. Eles me ligaram uma vez no estúdio e falaram “eu tenho uma coisa para você tocar, como você está?”. E ele tocou a música e eu fiquei: “Que diabos? ”. Era incrível. E nós tocamos músicas de outras bandas e foi incrível. Nós tocamos ao vivo. Kirk (Hammett, guitarrista do Metallica) é mais fã do que eu imaginava, ele me disse isso há muito tempo atrás. James (Hetfield, guitarrista e vocalista) também. Nós ensaiamos juntos antes do show e eles me disseram que começaram a tocar outras músicas do Mercyful Fate e eles sabiam muitas músicas. Eu nunca tinha visto isso em 30 anos. Foi muito divertido. Eu tenho muito respeito pelo Metallica e eu sempre tive isso. Por causa dos seres humanos incríveis que eles são, e pelos grandes músicos que eles são. O jeito que eles tratam os fãs, como eles fazem negócio e também os empresários e todo mundo que trabalha para eles. Todos eles têm esse orgulho em trabalhar para o Metallica. E eu não consigo pensar em algo melhor sobre eles, é impossível para mim. Eu tive ótimas experiências com o Metallica, eu respeito tanto eles, isso nunca vai acabar.

Ótima história, obrigada por compartilhar isso. Eu só tenho mais uma pergunta porque nosso tempo está acabando. Eu quero usar uma citação sua: “Mercyful Fate vai gravar um disco e fazer uma turnê de novo na hora certa. Definitivamente não está acabado”. Tem uma chance de os brasileiros verem o clássico Mercyful Fate aqui em um futuro próximo?

Eu não sei o que futuro próximo significa, mas King Diamond está muito ocupado no momento, com todos os planos que nós temos agora. Como eu disse muitas vezes, e vou falar novamente, nunca diga nunca. Eu nunca vou dizer nunca. Eu encontrei Timi (Hansen, baixista do Mercyful Fate) quando nós tocamos juntos ano passado em um festival, e foi um bom dia. Nós tocamos com King Diamond e no dia seguinte Ozzy Osbourne tocou no mesmo palco que nós. E naquela manhã nós fizemos uma entrevista em que fãs nos perguntavam coisas sobre os velhos tempos, e nós ficamos lá por duas horas, mais ou menos, e tinha umas 200 pessoas lá. O Timi estava lá. E perguntaram se a gente voltaria e nunca se sabe. Mas se nós fizermos algo, eu acho que seria interessante se todos os membros originais tocassem. Eu sei que o Hank (Shermann, guitarrista) consegue tocar. Eu sei que o Timi consegue tocar. Seria interessante fazer algo com a formação original. Mas tem que ser certo, tem que ser feito direito. Eu não vou fazer um show só para conseguir dinheiro, isso não é certo para o Mercyful Fate e nem para os fãs. Agora, quando isso vai acontecer, não sabemos.

Como fã de Mercyful Fate e do seu trabalho solo concordo plenamente e quero agradecer o tempo que dispôs para a entrevista.

Se quiser escutar a íntegra da entrevista em inglês, segue abaixo:

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