Resenha: o filme "Bohemian Rhapsody"

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz, Fonte: Matéria redigida em meu blog.
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Meu Deus do céu! Ainda estou em êxtase! Espera um pouco...

Bom, vamos lá. Quem me conhece mais de perto sabe que eu sou um dos maiores fãs do Queen que você vai encontrar neste mundo. Aliás, eu nem mesmo diria fã, mas sim fanático! Queen para mim é a melhor banda do universo, Freddie Mercury para mim é o melhor cantor e performer do mundo, e nada vai mudar minha cabeça quanto a isso. A partir daí, você já deve ter uma noção do quão doido eu fiquei para assistir este filme.

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Eu já havia falado sobre o Queen no passado. Resenhei discos da banda em 2006, quando ainda só escrevia para o Whiplash.net, na antiga sessão de usuários mesmo, hoje desativada. Eu nunca falei mais sobre o grupo porque sou suspeito pra falar, e também porque Queen pra mim é ponto pacífico em relação à iconografia de sua obra. Já falei sobre um dos discos da banda que mais me marcou a vida, A Kind of Magic.

Eu conheci o Queen aos 12 anos, através de um amigo do meu pai que também curte Rock, ele me apresentou a banda no início dos anos 90, quando eu estava descobrindo as coisas ainda. Somou-se isso à experiência maravilhosa que tive, nesta mesma época, de assistir o filme Highlander, com Christopher Lambert e Sean Connery. Virei fã do filme também, e desde então, a imagem do Queen sempre esteve intimamente ligada para mim ao filme de Russel Mulcahy, fazendo com que os integrantes da banda, especialmente Mercury, tivessem aquela aura de imortais. Na minha imaginação, o grupo é um conjunto de seres imortais, e os três membros que ainda estão vivos ainda não tiveram suas cabeças cortadas. Mas enfim, bobagens à parte.

O filme é epico!! Maravilhoso! É o filme que você deve mostrar à qualquer pessoa que ainda não conheça a banda. Talvez eu possa novamente estar soando meio suspeito devido ao meu fanatismo, mas enfim, você também não vai querer que eu fale daquela que para mim é a melhor banda do universo, dando uma de isentão, né amigo?

O filme centra na vida artística e pessoal de Freddie, muito embora Brian May, John Deacon e Roger Taylor também tenham papel fundamental de destaque na história. É um filme sobre o Queen, só que com um pouco mais de ênfase no Freddie, a lenda, o mito. Claro, mostrando Freddie em sua vida pessoal aqui, ele não parecerá mais tão mito assim, Freddie não foi um bom exemplo de pessoa, teve seus momentos de escrotão, e teve seus momentos felizes, que valem a pena a gente conhecer.

Bryan Singer soube separar o homem da lenda, o cara normal do semi-deus que sempre é a primeira coisa que vem na nossa cabeça quando a gente imagina ele, com aquela pose icônica, segurando o microfone, enquanto ergue uma mão para cima em sinal de vitória.

Vemos sua primeira namorada, Mary, e também vemos os outros dois casos que ele teve com dois caras, um deles sendo o John Hutton, que inclusive foi o cara que esteve junto de Freddie em seus últimos dias aqui na Terra. Vemos a formação do Queen, as brigas e momentos difíceis que a banda passou, os momentos de sucesso, os shows lotados, vemos a experimentação musical com o famoso épico que dá nome ao filme e que levou a banda ao estrelato e também a bunda-molice do chefão da EMI que deve roer a mesa até hoje por ter perdido a banda.

Gostei muito das representações, todos ótimos atores. Talvez o único membro do Queen que eu achei que não ficou muito parecido foi o Roger Taylor, sei lá, o ator não remete muito às feições do Taylor original pra mim; os outros ficaram muito bons, principalmente o Brian May que ficou igualzinho!

Outro lance interessante de ver foi o relacionamento do jovem Farrokh Bulsara com seus pais, bem antes de se tornar Freddie Mercury, mudando legalmente de nome. A bissexualidade de Freddie também foi adequadamente explorada, não se tornando um dramalhão desnecessário e nem mesmo uma propaganda política ou ideológica de grupo nenhum, fizeram somente o estritamente necessário para não desviarem do prato principal, que era a persona de Freddie, sua carreira, sua trajetória em direção à fama que ganhou.

O momento chave em que Freddie descobre que pegou AIDS também ficou muito bem representado, mostrando um cara já maduro e plenamente consciente de seus erros no passado, mas que mesmo com sua dificuldade, e mesmo sabendo que não lhe restava muito tempo de vida, não se vitimizou e nem desistiu, e viveu seus últimos dias na ribalta como um verdadeiro campeão e uma verdadeira inspiração de superação para todos nós, especialmente após a reconciliação com seus amigos, culminando na histórica apresentação do Queen no Wembley Stadium em 1985 no festival Live Aid, após o show do Dire Straits, performance lembrada por todos até hoje como um dos 10 momentos mais marcantes da história do Rock.

A única coisa que achei que faltou foi eles mostrarem a famosa parceria de Freddie com a soprano Montserrat Caballe, que resultou em composições belíssimas. Mas, creio que já havia muita coisa para se mostrar nos 135 minutos de filme.

Quanto à trilha sonora, bom, nem preciso falar muito: cantei todas as músicas, do início até o fim do filme, saboreando cada momento! Ao rolar dos créditos, não me contentei, mesmo já estando em êxtase após o fechamento com o Wembley Stadium, e fiquei cantando em voz alta "Don't Stop Me Now" e "The Show Must Go On". Conheci um cara no cinema, bem mais velho que eu, e saimos conversando, compartilhando nosso fanatismo pela banda, ele chegou a ver eu lá em cima cantando as músicas com paixão, a plenos pulmões!

Os últimos dias de Mercury não foram tratados aqui, e eu entendo perfeitamente o porquê. Há um texto na internet falando sobre isso, e se você o ler, olha, vai sentir seu coração sendo dilacerado em mil pedaços. É muito triste e perturbador para mostrar em um filme com uma proposta dessas de enaltecer a importância da banda para a cultura popular; no entanto, acho importante você ler este texto, caso tenha estômago, para perceber que, mesmo com sua imagem de semi-deus, Freddie era meramente um ser humano como eu e você, que quando subia no palco, saía de si mesmo, e se tornava maior do que a vida. Freddie, no fim das contas, salvou a vida de Farrokh. Foi a música que salvou Freddie de um destino ruim, foi seu talento que, no fim das contas, o fez alcançar o respeito e reconhecimento que todas as pessoas tem por ele nos dias de hoje, muito tempo após sua morte.

Eu não sou muito de ficar babando em documentários e histórias baseadas em celebridades, mas este filme eu vou querer comprar o DVD quando sair, a trilha sonora que inclusive fui informado que tem raridades para os fãs da banda, e se possível, fazer mais gente ir assistir. Recomendo com força!! Sai do cinema com os olhos marejados, feliz, realizado, ainda cantando a plenos pulmões, contente com tudo! Filmaço, com uma boa direção, ótimas atuações, um roteiro bem escrito, muito Rock, muito Queen, produção dos próprios Brian May e Roger Taylor originais abençoando o produto final e um prato cheíssimo de bons momentos para quem sempre foi fissurado pela banda, ou mesmo para quem gosta de boa música. Belíssimo acerto na carreira de Bryan Singer!

Bohemian Rhapsody (2018)

Direção: Bryan Singer
Produção: Jim Beach, Graham King, Richard Hewitt, Brian May, Roger Taylor
Roteiro: Anthony McCarten, Peter Morgan
Trilha sonora: John Ottman e Queen

Elenco principal:
- Rami Malek (Freddie Mercury);
- Gwilym Lee (Brian May);
- Joseph Mazzello (John Deacon);
- Ben Hardy (Roger Taylor);
E ainda:
- Lucy Boynton, Aidan Gillen, Allen Leech, Tom Hollander, Mike Myers, Aaron McCusker, Meneka Das, Ace Bhatti, Priya Blackburn, Dermot Murphy e Dickie Beau.

Trailer legendado:




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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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