Mötley Crüe: quando Mick Mars foi um cuzão com um jornalista
Por Lucas Esteves
Fonte: Rock Cellar Magazine
Postado em 28 de março de 2019
Em seu espaço pessoal na Rock Cellar Magazine, o jornalista Steve Rosen conta detalhes de bastidores de entrevistas e encontros que teve com literalmente dezenas dos maiores expoentes do Rock N' Roll em mais de 40 anos de trabalho. Na esteira da divulgação da cinebiografia do MÖTLEY CRÜE, "The Dirt", o escriba contou como foi feito de palhaço por duas vezes pelo guitarrista da banda, MICK MARS, nos anos 80.
Ele conta que em 1983, quando o grupo tinha recém-fechado um contrato de gravação com a Elektra Records e gravado "Shout Out The Devil", houve uma entrevista agendada com a banda e nos escritórios da empresa. Rosen foi como jornalista de uma publicação especializada em instrumentos musicais - portanto, temas técnicos. Neste dia, a banda inteira deveria estar presente, mas Mars e o baterista Tommy Lee desapareceram.
A conversa então foi conduzida apenas com Nikki Sixx e Vince Neil. O cantor, porém, escapou do papo num instante e deixou o baixista e idealizador da banda levando o lero sozinho por cerca de meia hora, no que estava se saindo bem, segundo o narrador. Mas, de repente, entrou no jogo Mick Mars, que se esgueirou ao lado de Sixx, não disse uma só palavra e permaneceu no local imóvel em uma posição desafiadora e até certo ponto, arrogante, deixando o repórter incomodado.
"Sem cumprimento, sem 'oi', sem 'com licença', nada. Uma atitude bem cavalheira que sugeria "sim, cheguei, eu, Mick Mars, se curve diante de mim", detalhou. Rosen afirma que não considerava muito Mars como guitarrista e que em nenhum momento estava na conversa intimidado com o status do músico, mas sentiu que o integrante do Crüe foi mal-educado e que talvez pensasse que o jornalista teria uma atitude deferente com ele, o que não aconteceria.
Mars e Rosen se olharam sem parar durante um período tenso, que Sixx tentou quebrar com um "ah, por falar nisso, esse é o nosso guitarrista". Mas, novamente, silêncio da parte de Mars, o que tornou a incomodar o entrevistador "Eu só queria que o cara se comportasse como um ser humano e entrasse numa conversa social normal", justificou, ressaltando que não se achava especial e que, apesar disso, seguiu a conversa:
Rosen: Que tipo de microfones você usou no estúdio?
Mars: É segredo absoluto. Não quero que ninguém copie o meu som.
O jornalista achou que o músico estava de brincadeira. "tentei brincar com isso e disse 'certo, segredo, hahaha', achando que a graça ia acabar e ele daria um sorriso, mas não. Ele ficou sério". Para o escritor, não existe nenhum tipo de segredo sobre a questão técnica de gravações de guitarra. Basicamente, todos os músicos fazem a mesma coisa e o que os diferencia entre si é o que fazem as suas mãos. É daí que vem a mágica. Portanto, para Steve Rosen, Mick Mars era, na verdade, um cara inseguro.
Segundo sua experiência de entrevistador, músicos gostam de falar sobre seu equipamento e maneira de tocar, o que também é importante para os interessados na parte técnica do negócio - e que era o objetivo do papo. Até o final da sessão, Mars deu apenas respostas evasivas, como se quisesse estar em outro lugar. Rosen também fez o mea culpa e afirmou que talvez ele devesse ter lido mais sobre a banda ou ouvido melhor o disco para fazer perguntas mais específicas.
Vida que segue. E anos depois, os dois se reencontraram em uma sessão de fotos durante a época do álbum Theatre of Pain. Mars chegou ao estúdio em um Corvette ao lado de uma loira estonteante, que segundo a análise do escritor, deveria ser uma das backing vocals da banda na época. Rosen cumprimentou o guitarrista e não recebeu resposta. Ele nem se lembrava de quem era a pessoa diante de si.
A sessão de fotos prosseguiu normal, com o músico vestido como a persona de palco e fazendo as típicas poses que se espera de alguém nesse papel, revelando que, como personagem, se tratava de alguém bastante interessante. O cara normal, já nem tanto. Logo após, o trio saiu para almoçar juntos.
Depois de se sentarem, Mick e a namorada, Erin, pediram (muitas) bebidas, as refeições mais caras do menu e sobremesas, enquanto o jornalista se contentou com o prato principal e algumas taças de vinho enquanto o papo rolava. No final, chegou a temida conta e, com ela, uma atitude inacreditável do casal.
"O que aconteceu deixou meu queixo caído. A conta chegou naquelas pastinhas forradas de couro que, quando chegam assim, você sabe que vai ter que vender um rim pra pagar. A conta foi ao centro da mesa e, eu admito, achei que Mick se ofereceria pra pagar. Afinal, ele era o cara que tinha dinheiro pra gastar e queimar, ganhava uma grana insana com o Crüe. Além disso, eles beberam pra caralho. Qual o problema em pensar que ele pagaria a conta?"
Então, sem nenhuma palavra, os dois simplesmente se levantaram, foram embora e largaram a conta para Rosen pagar. Ele alegou que seria a atitude seria menos terrível se ao menos um agradecimento saísse da boca do músico. "Porra, cara. Seja um ser humano. Você consegue soletrar r-u-d-e? Mas simplesmente levou a gata dele e se mandou. Egos gigantescos no caminho de um pensamento normal. 'Pagar um almoço? Tá de brincadeira, caralho?'".
Mesmo assim, o escritor alega que anos depois teve a oportunidade de ter outras interações profissionais com o músico que foram positivas. Segundo ele, o aprofundamento da Espondilite Anquilosante e as consequências da condição para a saúde de Mars o fizeram voltar à realidade e se aproximar um pouco mais dos humanos mortais. "Tenho certeza de que hoje ele diria 'ei, cara, vamos almoçar. É por minha conta'".
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