2019: 15 das melhores músicas lançadas até agora

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Por Tiago Froks
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A lista abaixo é um breve apanhado das melhores faixas que foram lançadas em 2019 até agora. Ela tem cunho estritamente pessoal, então está longe de passar por definitiva sob qualquer ângulo. São tantos lançamentos que fica impossível cobrir tudo aquilo que gostaríamos. Posto dessa forma, minha intenção é dividir as impressões que tive após ouvir sistematicamente uma dezena de álbuns e filtrar as composições que julguei mais relevantes. Agora, essa lista fará muito mais sentido se os leitores também dividirem suas próprias impressões e, além de comentarem as faixas dessa lista, indicarem mais músicas para que possamos assim, ter um panorama mais completo sobre o que o rock anda produzindo.

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EVERGREY (progressive metal) Suécia
Faixa: Weightless
Álbum: The Atlantic

Difícil escolher a melhor faixa de um disco incrível. Essa foi a música de 2019 que mais escutei até agora. A banda deve ter percebido que ela é especial e inclusive lançaram-na como single e fizeram um clip (assista abaixo). Riff pesado, um senhor groove de baixo, um vocal limpo, melódico e carregado de felling. A sonoridade é moderna, mas ao mesmo tempo mantém características marcantes do metal tradicional: um refrão absurdamente cativante e um solo inspirado, apesar de breve. Os quase 7 minutos passam voando. Prog metal de muita qualidade, sem exageros. E o que é aquela paradinha aos 2"56? Coisa linda...

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EL EFECTO (rock, samba, progressivo) Brasil
Faixa: O Drama da Humana Manada
Álbum: Ao vivo no Estúdio Showlivre

Preciso insistir: essa é a banda nacional mais extraordinária dos últimos 10 anos. Ouçam o disco Memórias do Fogo lançado ano passado e tirem suas conclusões. O tema em questão é de um instrumental riquíssimo e com variações que contrariam o óbvio enormemente. Para terem uma ideia, a faixa começa com um cavaquinho (sim, leram certo) e no decorrer dos seus mais de 8 minutos, você verá arranjos de samba de breque entrecortados por riffs pesados e muita imprevisibilidade. A letra é soberba: uma reflexão incandescente sobre a relação do trabalhador e as diversas formas de exploração que advém com o seu ganha pão. Segura esses versos: "Até quando suportar? / Sustentar essa grande mentira / Pois é, a verdade é indigesta / Quem sustenta essa festa é o suor da tua testa".

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RIVAL SONS (blues rock, hard rock, revival) USA
Faixa: Feral Roots
Álbum: Feral Roots

Pense numa música redonda, sem deslize, nenhuma nota ou passagem fora do lugar. A perfeição desse tema é tamanha que não à toa foi escolhida para nomear o disco. Toda aquela aura setentista típica da banda está aqui, com o acréscimo de alguns acentos folk, como na bela introdução. O vocal do Jay Buchanan está irretocável, e todo seu alcance pode ser presenciado no acachapante refrão. Sem exagero, uma das melhores composições da banda.

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WEEZER (rock alternativo) USA
Faixa: Stand by Me
Álbum: Weezer (Teal album)

Ok, sei que apostar numa das músicas mais regravadas de todo os tempos não é algo tão surpreendente assim. E sei também que essa versão praticamente não trouxe nenhuma novidade em relação a original, gravada pelo Ben E. King, em 1961. Acontece que mesmo sabendo disso tudo, não consigo parar de escutar! O WEEZER acertou em cheio ao lançar um disco só de covers. Tenho visto com bastante desânimo os lançamentos da banda nessa última década. E confesso que esse álbum de covers (muitos deles manjados), foi o que mais me entusiasmou, desde o Maladroit, de 2002. Quero estar enganado, mas desconfio que essa "entrada" será melhor que o "prato principal" o Black Album, que será lançado em março.

FLOTSAM AND JETSAM (thrash metal / metal tradicional) USA
Faixa: Recover
Álbum: The End of Chaos

A referência da capa é linda, afinal remete ao clássico Doomsday for the Deceiver de 1986. Em contrapartida, a capa atual ficou horrível. No geral, gostei do disco todo, mas dessa faixa em especial. A composição é um amálgama muito feliz do thrash com o metal melódico. Algum desavisado pode até confundir esse som com algo já feito pelo IRON MAIDEN, e muito se deve ao refrão. O vocal do Eric A.K. remete consideravelmente aos do Bruce, e até o instrumental, descontando o peso e o pedal duplo, lembra bastante o da donzela.

MOTORPSYCHO (progressive rock) Noruega
Faixa: Lux Aeterna
Álbum: The Crucible

Numa próxima matéria sobre os melhores discos de 2019, falarei sobre o novo álbum da banda. Por ora, ouçam esse tema que é magnífico! Lux Aeterna me soou como um tributo a uma das maiores bandas que já passaram por esse planeta: KING CRIMSON. As levadas quebradas de bateria, o teclado intenso (quase sufocante) e aquele som dissonante da guitarra, num timbre nada usual, lembra muito das criações do Robert Fripp. Faixa épica!

PLAGUE PIT (death metal) Irlanda
Faixa: Venomous Gaze
Álbum: Topheth Ablaze

O som do PLAGUE PIT não é old school, tampouco um death técnico. A banda caminha entre esses dois formatos - talvez esse tenha sido o motivo que fez com que eu vencesse minha preguiça com as bandas de death atuais. Esse tema é o mais cru e direto do álbum. Riffs abafados, quase engolidos pelos blast beats da bateria. O vocal é daqueles abismais, praticamente indecifrável, lembram um pouco o som do INCANTATION.

JULIANA HATFIELD (alternative rock / indie) USA
Faixa: Receiver
Álbum: Weird

Essa foi a primeira música que me chamou a atenção esse ano. Tem de tudo para cativar antigos grunges convertidos em fãs de rock alternativo. A composição resgata muito bem aquela aura dos anos 90: a guitarra limpa impressiona mais pelo timbre do que pela técnica. O
vocal da Hatfield não chega a ser açucarado, mas raspa sutilmente o pop. É o contraponto leve da lista.

CODY CARPENTER (progressivo sinfônico / instrumental) USA
Faixa: Fantasy of Form
Álbum: Force of Nature

Aqui temos um progressivo sinfônico no melhor estilo: toneladas de teclado explorando sonoridades diversas, solos de praticamente todos os instrumentos e tudo concentrado em menos de 5 minutos! Faixa instrumental e com destaque para a primorosa linha de baixo e um solo flamenco que esbanja técnica e criatividade.

MÄGO DE OZ (folk metal) Espanha
Faixa: La Cantiga de las Brujas
Álbum: "single"

Sou o maior fã que conheço do MÄGO DE OZ e isso é triste. Cansei de apresentar a banda a conhecidos e ser incompreendido. Mas vou tentar mais uma vez, e será com você, amigo leitor. A banda faz o que de melhor há no folk metal desde 1994, antes mesmo do estilo ficar "comercial". Nesse single, que deve antecipar um possível disco cheio ainda neste primeiro semestre, a sonoridade está bem próxima ao do álbum Finisterra. Instrumentos como o violino e a flauta estão na essência da composição, e não são um simples acessório como em outras bandas do estilo. O vocal é bem melódico, e cantado em espanhol (talvez esse o motivo principal de fãs de metal estranharem a banda). Há mudanças interessantes de andamento e um refrão feito para se cantar junto, herança da veia power metal que a banda também explora. Sim, o clip é muito brega!

SOPOR AETERNUS & THE ENSEMBLE OF SHADOWS (death rock / gótico) Alemanha
Faixa: Mors Ultima Ratio...
Álbum: Death and Flamingos

Você sente falta daquela sonoridade dark wave dos anos 80? Curtia um post-punk? Era fã de bandas góticas, como o CRISTIAN DEATH? Pois bem, Anna-Varney Cantodea fez de sua carreira um tributo a tudo isso. Nesse novo disco (maravilhoso) ela explora mais a sonoridade do death rock. Ouçam esse tema e sintam o quanto a década de 80 ainda é celebrada. A interpretação vocal, teatral como poucas, é um marco dentre as bandas do gênero.

WITHIN TEMPTATION (rock sinfônico / pop) Holanda
Faixa: Endless War
Álbum: Resist

Fã é uma desgraça! Eu não gostei do disco novo, resenhei o álbum resignado e agora estou aqui, indicando um som dele! A despeito de todos os elementos pop cada vez mais caros à banda, ainda não consigo ficar totalmente indiferente. O tema abaixo foi um dos poucos que consegui salvar do álbum. Mas não é que ele viciou? O mérito é quase todo da Sharon e da maldita voz linda dela. O refrão é pegajoso e a gravação é primorosa.

SOEN (progressive metal) Suécia
Faixa: Martyrs
Álbum: Lotus

Confesso que essa faixa não é a melhor do disco novo. Porém, como foi escolhida como single e também tem um clip bem legal, vai ela mesmo. A composição não foge em nada às características da banda: riffs pesados, baixo proeminente e aquela inconfundível voz plagiada do Maynard, do TOOL.

VÉHÉMENCE (black metal / folk) França
Faixa: Passage dans les Douves
Álbum: Par le Sang Versé

O black metal é um vertente do metal extremo que vem ganhando diversas variações, e nesse começo de ano, alguns discos interessantes foram lançados, principalmente de post black metal. Acontece que devido a profusão de bandas com sonoridade apontando para o futuro, para fugir um pouco da tendência, escolhi uma que relembra e celebra o passado. A arte da capa já entrega bastante sobre o som da banda. É um black direto, agressivo e com os blast beats característicos. O grande trunfo do álbum e dessa faixa em especial, são as passagens pontuais que recriam uma atmosfera antiga, ou como os fãs preferem dizer, medieval. O fato da banda cantar em francês intensifica ainda mais essa ideia.

JARDS MACALÉ (MPB / rock) Brasil
Faixa: Trevas
Álbum: Besta fera

Eu cheguei a escrever tropicalismo na discrição do estilo, mas a sensação de soar anacrônico me fez deixar para lá (acho que fiz bem). Imagino que essa composição possa gerar controvérsia por estar nessa lista. Jards Macalé é rock por acaso? O cara é uma lenda e quando vi que o disco havia saído, fui conferir de imediato. Ah, e sim, ele é rock também. E querem que eu prove? Reparem na bateria a cargo do Thomas Harres, é de uma pegada setentista absurda. E aquele solo rasgado, que me fez confirmar não se tratar de nosso primeiro guitar hero, Lanny Gordin? O timbre que o Guilherme Held usou é um tributo! E claro, a própria figura sempre transgressora e inventiva do JARDS MACALÉ. A voz dele obviamente mudou, soa mais grave, mas ainda assim confere um balanço legal. Agora, as referências intelectuais e poéticas das letras continuam as de outrora: trechos do canto I de Ezra Pound são reproduzidos: "Sol indo ao sono, sombras sobre o oceano / Chegamos aos confins das águas mais profundas". Apesar de ser um entusiasta de artistas novos, foi com uma felicidade absurda que pude falar sobre o Macalé. E termino esse texto ouvindo Farinha do desprezo, primeira música do seu primeiro disco, de 1972, em parceria com o Capinam.




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Sobre Tiago Froks

Nasci em 1986, descobri o rock aos 12 anos com Os Raimundos (nunca esqueço de creditá-los por isso). Posso dizer que nada dentro do rock me é indiferente, mas acabei ficando eclético por acaso. Estudo Letras e moro em São Paulo. Gosto tanto de ouvir rock que acabei não tendo tempo de aprender a tocar nada (ok, também não acredito nisso). Mas ainda vou tocar bateria.

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