Milton Nascimento: "Música brasileira está uma m...", diz cantor, que esclareceu depois
Por Igor Miranda
Fonte: Folha de S. Paulo
Postado em 23 de setembro de 2019
O cantor Milton Nascimento, veterano da MPB com incursões pelo rock progressivo, jazz e muitos outros estilos, falou sobre a situação atual da música brasileira em entrevista à Folha de S. Paulo. Após a repercussão de sua declaração, o artista acabou esclarecendo que, na verdade, comentou apenas dos artistas mais tocados, que estão no "mainstream".
Durante o bate-papo, Milton Nascimento disse que "a música brasileira tá uma merda". "As letras, então. Meu Deus do céu. Uma porcaria", completou.
O artista declarou não saber "se o pessoal ficou mais burro, se não tem vontade [de cantar] sobre amizade ou algo que seja". "Só sabem falar de bebida e a namorada que traiu. Ou do namorado que traiu. Sempre traição", afirmou, em clara alusão a gêneros como o sertanejo universitário.
Milton mencionou Maria Gadú, Tiago Iorc e Criolo como os poucos jovens que admira na geração atual, embora tenha destacado que este último "não é tão novo". "Não sei por quê [o cancioneiro nacional está ruim]. Mesmo com a ditadura [1964-1985], o pessoal não deixava de falar as coisas. Ou [os censores] não deixavam ou a gente escrevia [músicas] e eles entendiam errado. Mas ninguém deixou de escrever. Hoje, que está de novo quase uma ditadura, o povo não está sabendo escrever", pontuou.
Após a publicação ter repercutido nas redes sociais, a página de Milton publicou, por intermédio de sua assessoria, uma nota que aponta que sua fala foi retirada do contexto original. Ele não nega, porém, que tenha feito tal declaração - aponta, somente, que estava se referindo a artistas que figuram entre os mais populares. Leia a nota na íntegra:
"Fora do contexto, o título de uma reportagem pode levar o leitor a conclusões equivocadas. A frase escolhida para a manchete da entrevista que Milton Nascimento deu à jornalista Monica Bergamo (foto acima) se refere exclusivamente à música feita no mainstream do mercado nacional, consumida pela massa. E só a ela. Justamente por isso, os únicos citados por ele como contra-exemplo foram Maria Gadú e Tiago Iorc, dois dos raros artistas talentosos que transitam nesse universo industrial. Bituca jamais se referiu à nova geração brasileira que, à parte do mainstream musical, tem construído a melhor música desse novo tempo. Milton tem muitos desses artistas por perto. São seus amigos. E conhece profundamente o que eles têm feito por nossa música. Um salve para Zé Ibarra, Tom Veloso, Amaro Freitas, Dani Black, Silva, Rubel, Tim Bernardes, Djonga, Emicida, Beraderos, Rincón Sapiência, Liniker, Marcia Castro, Luedji Luna, Cicero, Mallu Magalhães, Céu e a tantos outros queridos amigos que estão e vão estar sempre por aqui."
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