Tom Petty: família notifica Trump e o critica por usar música em comício

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Por Igor Miranda
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A família de Tom Petty, músico falecido em outubro de 2017, enviou uma notificação para que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, não utilize canções da obra dele em eventos políticos. O aviso foi remetido no formato "cease and desist" - "cessar e desistir", em tradução livre -, com pedido para findar uma atividade sob risco de ação judicial.

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Donald Trump usou a música "I Won't Back Down", um dos grandes clássicos da carreira de Tom Petty, durante um comício realizado no último sábado (20), em Tulsa, no Oklahoma, Estados Unidos. O evento foi realizado como parte de sua campanha para reeleição à presidência dos Estados Unidos e chamou atenção por promover aglomeração em um ginásio em meio à pandemia do novo coronavírus - os Estados Unidos são o país com mais casos (2.255.119) e mortes (119.719) pela Covid-19.

Em comunicado nas redes, a família de Tom Petty confirmou o envio da notificação "cease and desist" e declarou: "Trump não estava autorizado, em nenhuma forma, a usar essa música para promover uma campanha que deixa tantos americanos e o bom senso para trás. O falecido Tom Petty e sua família estão firmemente contra o racismo e discriminação de todos os tipos. Tom Petty nunca iria querer o uso de uma música dele para uma campanha de ódio. Ele queria unir as pessoas".

Assinado pelas filhas de Tom, Adria e Annakim, além da viúva Dana e da ex-esposa Jane, o texto completa: "Tom escreveu essa música para os desfavorecidos, para os homens comuns, para todos. Queremos deixar claro que todos são livres para votar e pensar como quiserem, mas a família Petty não concorda com isso. Acreditamos na América e na democracia, mas Donald Trump não representa os ideais nobres de ambos. Detestaríamos que os fãs marginalizados por esse governo pensassem que somos cúmplices nesse uso".

Conforme apontado pelo site Blabbermouth, no ano 2000, o próprio Tom Petty enviou uma notificação "cease and desist" para impedir que o então candidato à presidência dos Estados Unidos, George W. Bush, utilizasse a mesma música, "I Won't Back Down", em sua campanha. A letra da canção, lançada em 1989 no álbum "Full Moon Fever", apresenta trechos como "Você pode me esperar nos portões do inferno, mas eu não vou recuar" e "Vou ficar no meu lugar, não vou ser deixado pra trás e não vou permitir que este mundo me deixe para baixo".

Nos últimos anos, diversos artistas já se posicionaram para criticar o uso de suas músicas em campanhas de Donald Trump. Entre eles, estão Guns N' Roses, Ozzy Osbourne, Aerosmith, Twisted Sister, R.E.M. e Neil Young.

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

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