Roberto Barros decepou dedo da mão da palhetada em acidente no começo da carreira
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de janeiro de 2022
A vida do guitarrista Roberto Barros é, sem dúvidas, um exemplo de superação. Antes de se tornar o braço direito de Edu Falaschi, o músico passou por diversos obstáculos, mas sua força de vontade o impediu de desistir. Prova disso foi uma situação que aconteceu bem no começo de sua carreira, em que um acidente arrancou um dedo de sua mão da palhetada. Roberto Barros comentou sobre o episódio durante uma entrevista ao jornalista musical Gustavo Maiato.
"Não lembro exatamente o ano, mas acho que foi em 2002. Fui para a Expo Music, eu estava sentado perto do portão de entrada. Eu estava com dois alunos, não tinha ninguém ainda. Então, sentei e coloquei a mão para trás. Eu não vi, mas estava com a mão em cima do trilho do portão. Um bombeiro que estava chegando para trabalhar abriu o portão e cortou na hora a ponta do meu dedo do meio da mão direita. Dá para ver agora que ele ficou todo deformado. Esse dedo foi amputado, mas aí o mesmo cara que abriu o portão me socorreu, colocaram a ponta do dedo no gelo. Fui levado para o hospital, fiquei três meses lá", explicou.
De acordo com Roberto Barros, o acidente infeccionou e os médicos disseram que seu braço inteiro estava comprometido. "Tive uma infecção na mão e no antebraço. Tive até risco de perder o braço. Foi terrível! Depois, voltei para casa e fiquei em tratamento por três anos. Hora ou outra dava infecção, tinha que fazer raspagem. Na fase final era mais fisioterapia. Fiquei três anos sem tocar guitarra com a mão direita. Só usava a esquerda. Não dava! Eram três pinos que ficavam na minha mão. Até hoje eu não mexo o dedo, é uma pedra. Ao fim do tratamento, abandonei, vi que não teria mais jeito. Percebi que meu dedo não ia mexer mais. Vi que não ia sentir mais a ponta. Era muito doloroso o tratamento. Então depois me adaptei", comentou.
Por fim, em um grande exemplo de superação na vida, Roberto Barros voltou a tocar guitarra e acabou se tornando uma das referências no Brasil quando o assunto é palhetada alternada.
"Depois de três anos sem tocar, voltei e no começo foi terrível! Minha técnica de mão direita estava totalmente atrofiada. Comecei um trabalho... Falei "vou ficar bom nisso de novo!". Botei na cabeça. Virou uma meta, fiquei alucinado com isso. Hoje, para muitas pessoas virei uma referência na palhetada alternada. É muito louco, ao fim desses três anos, minha técnica de qualidade era ridícula! Perdi toda a coordenação motora. Fiquei alucinado para voltar e virou uma obsessão. Graças a deus, vinte anos depois, as pessoas me consideram como referência. É legal, uma história de superação. Eu e minha família sofremos muito na época. Não tínhamos muitas condições. Moro em Cubatão, tinha que subir a serra para chegar no hospital Mandaqui. Era uma grana que não tínhamos, mas tudo isso vem para fortalecer", completou o músico.
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