Paulo Baron: Por que o Live 'N' Louder jamais terá outras edições?
Por Isabele Miranda
Postado em 26 de fevereiro de 2022
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Dificilmente encontraremos quem não tenha ouvido falar do Live ‘N’ Louder, famigerado festival de metal realizado no Brasil e no México. Sua estréia no Brasil ocorreu em 2005 em São Paulo, no Estádio da Portuguesa, o Canindé, e também em Porto Alegre, na arena Gigantinho, enquanto a segunda edição foi em outubro de 2006, na Arena Skol, no Anhembi, e terceira e última vez que aconteceu, foi em 2013, no Espaço das Américas.
Já com relação aos line-ups, em 2005 o evento reuniu Scorpions, Nightwish, Destruction (substituindo o Testament), Shaman, Rage, Dr. Sin, The 69 Eyes e Tuatha de Danann. No ano seguinte, apresentou David Lee Roth, Stratovarius, Andre Matos, Doro, Sepultura, Nevermore, Primal Fear, After Forever, Gotthard, Mindflow e Massacration. E em 2013 vieram Twisted Sister, Metal Church, Molly Hatchet, Loudness, Sodom e Angra.
Mesmo rolando três vezes, muitos questionam: "Por que o festival não apresentou outras edições?". Segundo Paulo Baron, empresário e idealizador do evento, as pessoas não entendem a dificuldade que se tem para fazer o projeto acontecer: "É um esforço conjunto muito exaustivo! Você precisa juntar várias bandas, patrocinadores, equipe. Alinhar tudo isso é complicado. Tivemos uma edição onde fazia tanto calor que, ao final, faltou água para o consumo do público e tivemos outra em que todo esse stress gerou-me uma hérnia de hiato que só pude operar em 2016 – sem dizer que, em meio a isso tudo, ainda tínhamos outros shows em andamento que iríamos organizar de turnês que não faziam parte do festival".
Baron detalha esta experiência a partir da página 91 de sua biografia intitulada "Rocking All My Dreams": "Debaixo de um calor cada vez mais intenso, eu, digno de um maratonista, de tanto correr de um lado para o outro, recebo pelo rádio a notícia de que a água havia acabado! Sim, os fornecedores não haviam abastecido os bares do estádio, e estávamos sem garrafas d’água. Sem ao menos ter assimilado a primeira notícia, sou informado já na sequência de que a polícia, por questões de segurança, queria encerrar o evento. Às 16 horas daquele dia, vi o chão se abrir e a escuridão me chamando.
Exageros à parte, me senti atônito. Precisava pensar rápido em uma solução. Eu me encontrava exatamente no portão principal do estádio e, caminhando de um lado a outro, tentava buscar uma solução para o problema. Dentro do estádio, os policiais estavam em busca do promotor do evento — no caso, eu. Creio que, se estivesse perto do palco, o risco de ter sido preso era grande.
Como uma luz, percebi que havia vendedores de bebidas fora do estádio, na rua. Esses vendedores são chamados de "ambulantes", que, mesmo sem autorização, oferecem seus produtos às pessoas que estão aguardando para entrar em algum evento. Esses vendedores acabariam por salvar a minha pele. Convoquei todos eles para que entrassem no estádio e vendessem suas garrafas d’água no lado de dentro. Como sempre ando com credenciais no bolso, presenteei cada um deles com um passe. Dia de glória aos nobres vendedores, munidos de imponentes credenciais que muitos fãs dariam a vida para obter. E estavam vendendo seus produtos dentro do estádio! Não havia outra forma naquele momento. Precisava ganhar uns minutos até que o problema fosse efetivamente resolvido. E de fato foi. Os meus calejados anjos mais uma vez me auxiliavam. Uma hora após o susto, consegui outros fornecedores para abastecer todo o estádio. Uma sinfonia tocou em minha cabeça, e um coral de anjos metaleiros entoava a melodia do milagre — eu estava salvo".
Essa e outras curiosidades sobre Paulo Baron e sua trajetória no showbusiness podem ser conferidas em "Rocking All My Dreams" através do site.
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