Como Edu Falaschi superou problemas graves na voz e voltou ao alto nível em "Vera Cruz"?
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de abril de 2022
Não é segredo que o vocalista Edu Falashi (ex-Angra, ex-Almah) passou por graves problemas na voz que acabaram afetando também sua saúde mental. Em entrevista concedida ao jornalista musical Gustavo Maiato, o músico explicou detalhes de como estava sua condição física e também como superou os problemas com ajuda principalmente de seu irmão Tito Falaschi e de seus fãs.
"Eu tive um problema na voz que virou um problema de saúde geral. Para um cantor, perder a voz acarretam outros problemas psicológicos, psicossomáticos. Teve uma época que eu parecia um monstro, minha pele estava toda fodida, cheio de feridas no corpo inteiro. Eu tinha vergonha de sair na rua, era muito feio. Isso me gerou problemas. Mas eu não desisti, sempre acreditei. Principalmente com o apoio do meu irmão e dos verdadeiros fãs. Eles ficaram comigo por muitos anos. Então, consegui recuperar boa parte das técnicas de voz que eu usava na época do Symbols e do ‘Rebirth’ principalmente. Com o tempo, arranjei outras maneiras de cantar. Com o "Vera Cruz", é irônico, porque ele celebra 30 anos da minha carreira", explicou.
Em outro ponto, Edu Falaschi refletiu sobre a comparação de "Vera Cruz" com os trabalhos de seu tempo no Angra e comentou sobre quais as músicas mais difíceis de cantar do novo trabalho.
"Tem gente que fala ‘Pô, o disco é meio Angra né?’. A música que vazou, a ‘Sea of Uncertainties’, muita gente disse que tem uma pegada do Almah. Mas a ideia é essa! Fico feliz que as pessoas tenham conectado essas coisas. Meu objetivo foi alcançado. Não era um disco para eu inovar, não era minha vontade vir com coisas que nunca fiz nesses trinta anos. Estou celebrando 30 anos como cantor de power metal. Essas músicas tipo ‘Wishing Well’, ‘Nova Era’, ‘Spread Your Fire’, eu criei isso! É natural que tudo que eu criei esteja nesse disco.
Sobre a música mais difícil de cantar... Acredito que são todas! Esse estilo de cantar que adotei agora é um resgate do modo que eu cantava lá no Mitrium, Symbols e começo do Angra. Depois do problema de voz que eu tive, havia perdido o jeito de fazer essa técnica. Hoje, graças a deus eu consigo! Era a hora perfeita de aplicar essa técnica que me lançou como cantor de power metal mundial. Resgatei isso e presenteei os fãs que tanto esperavam esse retorno desse estilo de cantar. Era um saudosismo, as pessoas queriam aqueles agudos! O jeito que eu subo as notas o refrão da ’Land Ahoy’, por exemplo, aquilo é muito Symbols! O cara que ouve, se identifica. Na "Rainha do Luar", o refrão era de uma música minha da época do Symbols. Eu chegava nos agudos com a chamada voz de peito, como eu faço na ‘Running Alone’ e ‘Heroes of Sand’. Eu nunca mais tinha feito. Então por isso digo que todas as músicas são muito difíceis de cantar no ‘Vera Cruz’, justamente por causa dessa técnica que é bem complicada!", refletiu.
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