Andre Matos poderia ter se cuidado mais, diz o também vocalista Fabio Lione
Por Bruce William
Postado em 17 de junho de 2022
Neste corte da conversa de Fabio Lione com Manoel Santos, do podcast ibagenscast, o vocalista fala sobre os três anos de ausência de Andre Matos, que se foi no dia 8 de junho de 2019. Leia mais abaixo alguns trechos transcritos.
"Há três anos eu estava aqui em São Paulo", começa Lione. "Lembro que depois do café da manhã recebi um monte de mensagem no celular. Acho que fui um dos primeiros a saber. Eu sempre tive um relacionamento muito bom com ele. Ele estava promovendo o 'Holy Land', conheci ele porque estava sozinho num lugar em que o dono era meu amigo, vinte kms da minha casa. Ele conhecia meu CD do Labirinth, o 'No Limits', que foi lançado em 1996, e começamos a falar de Heavy Metal, essas coisas. Ficamos amigos, ele chegou na Itália com o Shaman, eu fui ver o show... "
Fabio conta que dois meses antes da morte de Andre ele subiu ao palco como convidado em um de seus shows. "Pelo menos eu e ele nos falamos bastante, ficamos juntos. Nunca eu poderia imaginar que dois meses depois ele... mas estou triste porque ele poderia ter se cuidado mais. Ele tinha problemas pessoais na família, tem o filho que mora na Suécia, já isto é complicado, filho pequeno que mora em outra parte do mundo". Daí eles falam da rotina de Andre, com Manoel dizendo que "ele não dormia de noite, ficava acordado", e Lione completando: "Não dormia, pegava remédio pra insônia". E em seguida emenda: "O ponto é que não sei se posso falar isso, mas acho que ele pegava remédio pra gordura, pra insônia, um monte (gesticula). Um monte. E você sabe que quando se chega num limite de idade, ele tinha... era jovem, tinha 47, era de (19)71, um pouco mais velho que eu. Mas, dependendo do corpo, do físico, se você abusa do seu próprio corpo e abusa não dormindo, tomando remédio de um tipo e outro tipo, vive viajando... eu lembro que quando ele foi com o Shaman na Itália, ele me perguntou duas vezes sobre cigarro (Lione pega um maço de cigarro). Eu disse pra ele 'porque você quer cigarro, você não fuma?' 'Não, é que eu vou ver se pego alguns tons no baixo!' Comecei a rir (Manoel também dá risadas)".
Lione diz que ali ele percebeu que Andre não era uma pessoa que se cuidava muito. "Uma parte era o estilo de vida, ele não se cuidava. Outra parte eram os problemas que ele vivia - filho, família". "Conheço pessoas que tem uma força incrível, então pode 'abusar' um pouco (ele faz sinal de aspas enquanto diz isso) do próprio corpo. Mas o Andre era um cara normal..." E depois de elogiar Andre pelo conhecimento e cultura que ele tinha - "Ele falava mais que eu, português, italiano, francês, acho que alemão também", Lione insiste novamente que Andre devia se cuidar mais, e acaba meio que se justificando pelo fato de fumar e tomar vinho. "As pessoas falam porque eu fumo e tomo vinho. Mas eu estou acostumado", diz Lione, enquanto mostra o maço de cigarro. "Prefiro tomar vinho que servir, gosto mais de vinho. Mas claro, se você fizer isso sempre e muito, não dá. Eu faço isso quando gosto, em turnê gosto disso, pois percebi que não me causa problema vocal. Outros caras na turnê não fazem nada, dormem, (bebem) água, não falam. Mas não é que quando eu chego em casa na Itália a cada dia eu tomo vinho... enfim. Eu fico triste, mas fazer o quê? Só que ele era jovem", e Manoel emenda: "Infelizmente, muito jovem. E faz falta".
A conversa na íntegra de Fabio Lione com Manoel Santos do podcast ibagenscast está no vídeo a seguir.
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