O curioso motivo pelo qual Septicflesh não usa solos de guitarra
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de junho de 2022
A banda grega Septicflesh é uma das grandes referências do black metal sinfônico mundial. Em entrevista ao jornalista musical Gustavo Maiato, o guitarrista Sotiris Anunnaki V. explicou o curioso motivo pelo qual o grupo não usa solos de guitarra nas músicas, incluindo no lançamento "Modern Primitive". O assunto surgiu após Sotiris ser questionado sobre como foi o trabalho de guitarras no disco.
"Foi uma loucura! Toco a maioria das guitarras no disco e o Christos foca mais nas orquestras. Ele não consegue se dividir nas guitarras também. Todos os outros caras criam riffs também. Até nosso baterista criou alguns riffs interessantes. Sua ideia é mais da perspectiva da bateria, algo mais rítmico e moderno. O Seth traz ideias de guitarras de 12 cordas também. Pouco antes de entrar no estúdio, precisei ver todas essas ideias de todo mundo. Minhas partes são mais fáceis, já que eu quem fiz. São coisas que soam mais naturais para mim. Pego isso tudo e levo para minha mente, combino tudo e gravo. Tem muito trabalho de guitarra envolvido! Não temos solos de guitarra, porque já tem muito instrumento e aí acabamos encaixando solos de violino ou algo assim. Temos muitas partes rítmicas diferentes, incluindo a guitarra de 12 cordas. É algo intenso por isso. O violão também está lá, seus dedos precisam estar afiados para tocar direitinho. Tem um elemento ou outro rítmico desafiador, com velocidades rápidas! Ou seja, foi um desafio como um todo", explicou.
Em outro ponto, Sotiris comentou um pouco mais sobre o conceito geral do álbum e sobre algumas músicas específicas, como "Neuromancer" e "Coming Storm".
"A contradição é grande parte da psiquê humana. Essa foi minha ideia inicial. Passei muito tempo refletindo durante a quarentena. Vi muitas reações primitivas, pessoas diferentes não colaboravam. Países diferentes se dividiam ao invés de se manter juntos. Percebi que a humanidade vive em tempos modernos, mas faltam elementos primitivos na maneira de pensar. Muitas músicas foram desenvolvidas a partir daí. Existem perguntas a serem respondidas. No caso de ‘Neuromancer’, esse título foi tirado de um livro do William Gibson. Ele é um pioneiro da estética cyberpunk e é como um profeta moderno. O que ele escreveu em seus livros parece cada vez mais se tornar realidade. Parece algo familiar, sabe? É sobre modernizar a essência humana, mas também perder esse elemento humano. Combinou com essa história da luta entre o moderno e o primitivo, que permeia o álbum. Por isso, usei esse livro como inspiração. Já ‘Coming Storm’ foi criada pelo Christos Antoniou. Ele sempre cria as músicas a partir da parte sinfônica. Claro que ele usa samplers no começo, para nos mostrar trechos e tudo mais. Depois, nos inspiramos a partir disso. Então, quando ele surgiu com a introdução de ‘Coming Storm’, quando ouvi os violinos, pareceu que eu estava em uma tempestade! Então, escrevi essa palavra: "Storm". Desde o começo, sabia que essa música falaria sobre uma tempestade", concluiu.
Confira a entrevista completa aqui.
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