Em Seattle, grunge e metal estavam interligados? Geoff Tate comenta
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de junho de 2023
Grunge e metal são dois gêneros musicais distintos, mas igualmente impactantes. O grunge, originado em Seattle na década de 1990, é conhecido por sua atitude melancólica, letras introspectivas e sons crus, caracterizados por guitarras distorcidas e vocais cheios de emoção.

Já o metal, nascido nas décadas de 1970 e 1980, é marcado por riffs pesados, solos virtuosos e letras que exploram temas obscuros e intensos. Ambos os gêneros influenciaram uma geração de fãs e deixaram um legado duradouro na história da música.
Mas será que esses estilos estiveram interligados sem Seattle, coração do movimento grunge? Em entrevista ao site do Igor Miranda, Geoff Tate esclarece.
Recentemente, li que Layne Staley do Alice in Chains e Chris Cornell do Soundgarden fizeram aula de canto com o mesmo professor que deu aula para você, David Kyle. Isso dá a entender que toda a cena local, seja ela metal, grunge etc., estava, de certa forma, interligada?
Oh, sim. Veja, o Soundgarden abriu shows nossos. Nós tocamos juntos. A cena musical de Seattle era minúscula na época. Todo mundo meio que se conhecia e não havia muitos lugares para tocar ao vivo, nem muita gente vindo de fora para ver você tocar. O professor de canto que tive na época se chamava David Kyle. Ele teve uma carreira incrível. Dê um Google; você ficará surpreso com o calibre dos alunos que ele teve ao longo dos anos.
Ele foi maestro no Carnegie Hall na cidade de Nova York por anos, compartilhando uma sala com Irving Berlin. Não consigo me lembrar de todos os seus alunos. Provavelmente 20, 30 celebridades realmente conhecidas de que você provavelmente já ouviu falar. Johnny Carson é uma delas, é uma personalidade da TV muito famoso nos Estados Unidos. Ann e Nancy Wilson, do Heart também. Ele se mudou para Seattle com o intuito de se aposentar e nunca se aposentou. Quando tive aulas com ele, ele estava incrivelmente velho.
Devia estar na casa dos 80 anos naquela época. E ele tinha cabelos grisalhos muito longos, até o peito, e cantava como um pássaro; tinha uma voz linda. De todos os três professores de canto que tive na vida, ele provavelmente foi o que mais me influenciou. Ele dizia: "Vou te ensinar o que você precisa aprender", e você saía do estúdio dele sentindo como se pudesse fazer qualquer coisa; você se sentia um super-homem. Isso é o que todo mundo que teve aulas com ele provavelmente pensa também. Sei que algumas pessoas pensam igual a mim.
Tudo bem que na mesma época vocês estavam nas paradas com "Silent Lucidity", mas como foi, sendo de Seattle, testemunhar o estouro das bandas grunge de lá? Rolou um "ciúme"?
[Risos.] Não, não, não. Negativo. Qualquer pessoa que ganhe a vida fazendo isso, fazendo arte para tirar o sustento, tem o meu apoio. É tão difícil e ao mesmo tempo tão fabuloso conquistar isso. "Ciúme" não faria o menor sentido. Por que eu teria ciúmes do sucesso de alguém que eu conhecia? Não faz sentido para mim. Eu fico é feliz.
Confira a entrevista completa aqui.
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