Por que Brasil pode ser a "Sunset Strip dos anos 2000", segundo músico do Jeff Scott Soto?
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de julho de 2023
O cantor e instrumentista brasileiro BJ é famoso dentro da cena do hard rock e atua na banda S.O.T.O, de Jeff Scott Soto e também no grupo Spektra.
Em entrevista a Gustavo Maiato, BJ foi questionado sobre como está a atual cena de hard rock nacional. Ele citou a gravadora Frontiers como grande influenciadora desse movimento, citou bandas brasileiras de sucesso e explicou que o Brasil precisa valorizar a própria cena.
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"Ao longo dos anos, sempre tivemos bandas de alta qualidade. Estamos vivendo um momento de celebração, com o retorno de bandas nacionais, como os Titãs, que estão fazendo shows em estádios novamente. É uma coisa linda de se ver, especialmente para aqueles que sentiram falta desse movimento do rock no Brasil durante o hiato de 10 ou 11 anos.
No entanto, fico chateado ao ouvir que algumas pessoas não estão dispostas a pagar o mesmo valor de ingresso quando se trata de bandas nacionais. Quando uma banda internacional vem ao Brasil, as pessoas pagam fortunas por ingressos, principalmente devido à alta do dólar. Os promotores de eventos não têm escolha a não ser cobrar valores mais altos para garantir o pagamento das bandas. Mas quando é uma banda brasileira, as pessoas querem pagar menos da metade do valor. Não estou generalizando, mas é algo que precisamos superar.
Precisamos realmente enxergar e valorizar as bandas brasileiras pelo que elas são. No dia 13, teremos um festival de Hard Rock com bandas autorais em São Paulo, e será uma experiência maravilhosa. Há tantas bandas brasileiras talentosas e com carreiras mais longas do que a minha, como o Nando Fernandes, por exemplo, que está em sua melhor forma, gravando discos pela Frontiers e lançando o incrível projeto "Sinistra", com outros músicos renomados do rock nacional.
A Frontiers é uma gravadora que tem dado oportunidade para muitas bandas brasileiras. O Electric Mob é um exemplo disso. Essa parceria é fundamental para o resgate da sonoridade dos anos 80 e contribui para fortalecer a cena do rock no Brasil. Temos um potencial enorme aqui, e a Frontiers reconheceu isso. Precisamos que os brasileiros enxerguem nosso valor da mesma forma que os estrangeiros nos veem.
A Frontiers é essencial nesse processo, graças a Deus. Ela representa uma grande fatia do mercado e tem contribuído muito para o cenário musical. Quando falo sobre as bandas nacionais, sempre penso que deveríamos ter uma "invasão brasileira" na Frontiers, com bandas tocando Hard Rock. As bandas que você mencionou são incríveis e admiro todas elas. Cada uma tem sua sonoridade única, como o Landfall, o Electric Mob e outras. Temos uma grande diversidade de bandas incríveis aqui no Brasil, e a Frontiers tem dado espaço para muitas delas. A gente tinha que virar uma Sunset Strip dos anos 2000.
É importante lembrar o que mencionei no início da entrevista: os brasileiros precisam nos enxergar da mesma forma que os gringos nos veem. Precisamos mudar essa mentalidade e valorizar o que é nosso de verdade. É uma luta constante, mas acredito que é uma questão de mudar a mentalidade e reconhecermos o valor das bandas brasileiras. A Frontiers está investindo nas bandas nacionais, mas precisamos que o público brasileiro também reconheça e valorize esse potencial."
Valorizar a cena brasileira
Quando o assunto é rockstar falando sobre valorizar a cena brasileira, o metaleiro logo se lembra da icônica situação em 2011 em que Edu Falaschi disse que os fãs do Brasil preferem valorizar o estrangeiro, conforme foi noticiado no Whiplash.Net.
"O povo brasileiro paga pau pra gringo pois os shows internacionais lotam, enquanto as bandas nacionais investem dinheiro e estrutura para verem suas apresentações acontecerem para menos de 1000 pessoas (em média). Nós gravamos CDS para vocês e vocês não vão aos shows", disse o cantor na época.
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