A bizarra e inesperada pegadinha do Rush que surpreendeu o cara do Thin Lizzy
Por Bruce William
Postado em 11 de agosto de 2023
A data era 17 de abril de 1976. O local era Pekin, pequena cidade a pouco mais de 200km de Chicago. O Thin Lizzy ia abrir o show do Rush no Memorial Arena, juntamente com outra banda natural dos EUA, o Starcastle. "Eu nunca tinha ouvido falar do Rush. Não sabia quem eram esses caras, nunca tinha ouvido a música deles", admite Scott Gorham, guitarrista do Thin Lizzy, em relato publicado no livro "Rush Através das Décadas" de Martin Popoff, que está em pré-venda aqui no Brasil através da Editora Belas Letras.

"Então fiquei bastante interessado em ver do que todo mundo estava falando", prossegue Scott. "Lembro que fizemos um teste de som e eu estava do lado do palco observando a montagem - nunca ouvi alguém dizer que estava montando a bateria. Mas é o que estavam fazendo na bateria de Neil com as gaiolas e tudo mais. E eu fiquei pensando: 'Quem diabos esse cara pensa que é? Meu Deus, olha todas essas coisas que estão montadas na bateria, não tem como esse cara acertar nem metade delas!'"
A visão daquele kit monstruoso de bateria deixou Scott intrigado, que fez questão de ir conferir a apresentação do Rush depois de concluir seu dever junto ao Thin Lizzy. "E eles me impressionaram completamente! Neil não somente acertou tudo o que foi colocado na frente dele, mas certamente acertou mais de uma vez, e de uma maneira realmente ótima, aquilo me fez eu me colocar no meu lugar de forma significativa", disse o guitarrista.
O que diferenciava o Rush de bandas como o Thin Lizzy
Conforme relata o 2112.net, Gorham não tinha noção do que esperar. O Rush parecia ser uma banda terrivelmente séria. Eles tocavam um rock virtuoso e complexo, vestiam túnicas milimetricamente ajustadas no palco e tinham um ar quase professoral. Seu novo álbum, "2112", um épico de ficção científica sócio-política, estava em um plano cerebral diferente das músicas com letras sobre bebedeiras e brigas do álbum mais recente do Thin Lizzy, "Jailbreak".
"Nós éramos roqueiros de rua e eles estavam no lado progressivo", disse Gorham. "Imaginei que eles seriam caras realmente introvertidos e nerds. Mas a coisa muito bacana é que eles não apenas são grandes músicos, mas são pessoas realmente legais. Mesmo que eles não tocassem nenhum instrumento e eu os conhecesse em algum lugar, eu gostaria apenas de pagar uma bebida para eles, pois são caras engraçados. Eles têm um ótimo senso de humor e são caras ótimos para se conviver. Todos nós somos realmente afortunados por eles serem assim e ainda por cima fazerem música de alta qualidade ao mesmo tempo", disse o guitarrista.
Apesar de já estar acostumado com as loucuras que ele presenciava no Thin Lizzy, ainda naquela noite o pessoal do Rush conseguiu surpreendê-lo com algo completamente inesperado. Voltando ao livro do Popoff: algumas horas depois do show, bateram na porta do hotel e ele, que estava a essa altura completamente "aditivado" e acompanhado de duas garotas, foi ver o que era e se deparou com uma cena que jamais pensaria ver naquela hora: os caras do Rush estavam vestido como personagens de um sitcom norte-americano dos anos 50, "Leave It To Beaver": o guitarrista Alex Lifeson estava caracterizado como o pai Ward Cleaver, com o cabelo comprido penteado para trás, usando um roupão; o baixista/vocalista Geddy Lee como a mãe June Cleaver, com cabelos em tranças e usando um vestido de noite com estampa floral; e o baterista Neil Peart como o filho 'Beaver' Cleaver, em uniforme escolar.
Gorham os convidou para o quarto, onde o trio começou a encenar cenas do programa de TV, para a perplexidade das duas garotas sentadas na cama. "No começo, ficamos completamente confusos. Estávamos chapados, e aquilo tudo era muito bizarro". Conforme Gorham, a encenação durou uns 45 minutos, período em que ele riu tanto que lágrimas escorriam pelo seu rosto. E foi ali que ele descobriu como eram, de fato, os caras do Rush, com quem ele manteve amizade a partir de então, principalmente do guitarrista Alex Lifeson.
Quando Neil Peart nos deixou, Scott postou nas redes sociais do Thin Lizzy uma mensagem lamentando a tragédia e relembrando aqueles tempos. "Nos anos 70, o Thin Lizzy teve o privilégio de fazer uma turnê com o Rush nos Estados Unidos e lembro como ficamos impressionados quando vimos a banda se apresentar pela primeira vez, especialmente a bateria de Neil. Nos divertimos muito naquela turnê e aprendemos muito com todos os caras da banda".
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