Mundo Espelho e o rock honesto de "Bye Bye Conforto"
Por Cadu Costa
Postado em 20 de setembro de 2023
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A banda carioca Mundo Espelho chega com seu EP Bye Bye Conforto, lançado pelo selo independente Rooftop Records BR, onde tudo que realmente não se tem é conforto. Se você espera um som coeso, caricato ou pronto para ser categorizado numa prateleira, esqueça. O trabalho foi produzido pela própria banda ao lado do produtor Roberto Lucaro, que também ficou responsável pela gravação e masterização da obra no Estúdio JRM. A mixagem ficou por conta de Caio Andrade.
O som que Daniel Camargo (vocal e guitarra), Lúcio Vasques (guitarra), Alexandre Xavier (baixo) e Hugo Cordeiro (bateria) trazem tem muitas influências para serem percebidas somente de uma vez. Foi preciso escutar em diferentes momentos para entender todas as referências.
Bye Bye Conforto abre com Estrela Polar, uma música que tem uma base brazuca do rock and roll dos anos 80/90 que foi executada à exaustão no período. Primeiramente, pode soar um tanto comum, mas frases como "O que eu queria não tinha nome, mas existia/Quase peguei com minhas mãos" trazem uma sensação diferente e o vocal embriagado de Daniel Camargo surpreende.
A segunda faixa, Talvez Mês Que Vem traz outra referência ao som indie-rock-bossa-nova dos primeiros discos dos Los Hermanos antes deles se assumirem inclassificáveis. As guitarras de Lúcio Vasques. o baixo de Alexandre Xavier e a bateria de Hugo Cordeiro ditam para onde a canção caminha. Desse modo, a estrada parece interessante principalmente para quem sente saudades de Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante e cia.
Já em Nunca Foi Par, a banda revela um peso e melodia onde ambos bebem em outras fontes também muito fortes. Vemos desde The Hives a Autoramas, mas novamente passando pelo canto correto de Daniel Camargo. Como resultado, insere sua cara na forma de trazer uma maior identidade de Mundo Espelho.
Volta encerra os trabalhos e sim, é a melhor música de Bye Bye Conforto. Embebida por uma sonoridade indie que lembra os melhores momentos do The Strokes e uma letra que exalta amizades e traz uma carga de saudade poucas vezes vista, a canção não poderia ser mais perfeita para terminar um disco ou celebrar a vida.
Por fim, Mundo Espelho entrega um trabalho consistente e onde suas influências parecem soar mais como homenagens do que meramente imitações. Ademais, há talento para entregar mais, porém o que se ouve é de alto nível.
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