A ideia idiota da Blitz para cenário de show que revela enorme inexperiência no começo
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de outubro de 2023
No começo de sua trajetória, a Blitz se restringia a fazer shows no Rio de Janeiro. Quando passou a desbravar o Brasil, surgiram situações curiosas típicas de quem está iniciando no showbiz. Em entrevista ao Corredor 5, Luiz Stein, designer responsável por encartes e cenários da Blitz naquele início, comentou um desses episódios inusitados.
"Foi como se estivéssemos na faculdade do showbiz. Naquela explosão inicial, estávamos lá, eu e o Gringo, ainda garotos de 23, 24 anos. Estávamos nos primórdios, fazendo muita bobagem. Há histórias geniais da época da Blitz, especialmente do primeiro disco. Uma história incrível envolve um cenário que era a letra da capa do disco, pintada com tinta fosforescente em madeira. Era uma ideia boba, considerando os padrões atuais, mas na época era uma diversão. Pendurávamos com arame, e o primeiro show foi no Roxy Roller, um lugar que não existe mais, lá na Lagoa.
Não havia o lugar onde ficam as varas e todo o sistema de maquinário de um teatro. Descíamos, pendurávamos, subíamos, mas não havia nada. Não havia nenhum outro lugar para pendurar. Então, o que fizemos? Alugamos uns andaimes, prendemos nossa letra no andaime e cobrimos com um pano preto. Achávamos que era assim em todos os lugares. O segundo show foi no Palace em São Paulo, que era um lugar top, tipo Canecão.
Enviamos um caminhão com andaime e nossa letra, que era pequena, 3 metros e pouco. Chegamos lá no Palace, eu e o Gringo, tentando entender a situação. O Palace era uma casa de espetáculos completa, com varas, cortinas, tudo. O Pepe, uma figura lendária do showbiz, aparece. Foi aí que o conhecemos, e ele se tornou um grande amigo por muitos anos. Ele perguntou sobre o caminhão cheio de andaime, e explicamos que era para pendurar nossa letra. Ele mandou descer a vara, prendeu o arame, e a letra subiu. Era isso. Voltamos com o caminhão de andaime.
O mais engraçado é que além do absurdo de levar um caminhão de andaime para pendurar uma letra que nem pesava tanto, o mais absurdo era que éramos tão inexperientes que alugamos o andaime no Rio e o levamos de caminhão para São Paulo. Não fazia sentido algum. Éramos jovens, e tudo isso tomou proporções gigantescas. O Pepe disse algo como ‘obrigado’ meio incrédulo, contando a loucura que aquilo foi".

Curiosidades da Blitz
O compositor Lobão, ao participar dos primórdios da Blitz, comentou em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. como foram os primeiros passos do grupo que acabou se tornando um dos mais importantes do rock nacional dos anos 1980. Segundo Lobão, a formação da Blitz ocorreu por volta de 1979, enquanto a banda ensaiava para a estreia do segundo disco da Marina, da qual ele fazia parte. Ele descreveu a banda como um grupo de amigos de colégio, todos envolvidos em dança e instrumentos musicais. Na época, a Marina estava namorando Maria Bethânia.
Durante os preparativos para uma apresentação em um teatro, a banda foi aconselhada a assistir a uma peça antes. Durante o espetáculo, protagonizado por Evandro Mesquita, Lobão percebeu que o caminho poderia ser mais simples e voltado para músicas com letras legais. Após o show, Lobão falou com Evandro Mesquita, apresentou sua banda e o convidou para assistir a um ensaio. A partir desse encontro, começaram a tocar juntos, dando origem ao esboço da música "Você Não Soube Me Amar", que se tornou um sucesso.
Quanto ao nome da banda, Lobão mencionou que a namorada de Evandro precisava de um nome para colocar nos anúncios do bar onde trabalhava como hostess. Lobão sugeriu "Blitz" inspirado em bandas como The Police, mas Evandro, inicialmente relutante por ainda adotar uma postura hippie, não concordou. No entanto, como Lobão gostou da ideia, ele convenceu a namorada a usar o nome "Blitz". O resultado foi que, de forma improvisada, a banda se tornou a Blitz e alcançou o sucesso.
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