Regis Tadeu conta porque deu tantas risadas quando ouviu Legião Urbana pela primeira vez
Por Bruce William
Postado em 03 de abril de 2024
O jornalista e crítico musical Regis Tadeu aborda em um vídeo publicado no seu canal oficial do youtube o disco de estreia da Legião Urbana, que completou quarenta anos recentemente.
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Avisando logo de cara que tem algumas opiniões "que vão deixar os fãs fanáticos furiosos", Regis começa falando sobre o culto à imagem do Renato, que para ele cresceu de forma exponencial após a sua morte, e depois afirma que este álbum não lhe causou nenhum impacto quando foi lançado, em 1984: "A não ser por eu ter dado muitas risadas ao ouvir um grupo que se julgava punk rock, e tinha um vocalista chamado Renato Russo, e que cantava as músicas - até que razoáveis - com um timbre de voz praticamente igual ao do Jerry Adriani. Pra falar a verdade, era uma sensação quase hilária pensar que finalmente o famoso cantor do passado tinha assumido seu lado roqueiro", diz.
Mais adiante, ele fala sobre as ditas apropriações feitas pela banda. "Pra você ter uma ideia, os versos iniciais de 'Será', que é 'Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você', é a tradução literal de 'Take your hands off me, I don't belong to you', de uma canção do Soft Cell intitulada 'Say Hello Wave Goodbye'", conta Regis, relatando outros casos semelhantes no álbum.
Depois de reiterar que o álbum passa muito longe do punk em termos sonoros, e de elogiar o baixista Renato Rocha, descrito como quem mais se destacava na banda como músico, em termos técnicos, Regis teoriza que o motivo que levou a banda ao sucesso foi a conexão imediata com o público, refletindo as angústias e conflitos existenciais de uma geração desiludida com músicas que, embora derivadas de diversas fontes e experiências pessoais de Renato Russo, ressoaram com uma audiência que buscava sua identidade em meio à alienação da sociedade.
Por isso, ocorreu a identificação imediata com essas músicas que eu falei, como "A Dança", "Teorema", por exemplo, e o grande hit desse disco, que é 'Geração Coca-Cola'", diz o jornalista. "Essa é uma letra que falava a respeito da alienação consumista da juventude daqueles tempos. Juventude inclusive que estava completamente desiludida e estava conformada com a superficialidade do mundo. Pouco importou que tudo aquilo vinha de uns punks de araque, que salvo raras exceções eram os garotos bem de vida, filhos de diplomatas, militares, advogados, uns punks de araque", prossegue Regis.
Depois de comentar que entende por qual motivo a juventude daquela época se conectou com o som e principalmente com as letras de Renato Russo, Regis diz: "Esse disco foi uma espécie de grito musical que abordou de um modo poético acima da média o que estava de errado no pensamento social mediano, na angústia daquele labirinto existencial que tinha". E neste ponto, Regis admite que o trabalho tem seu mérito artístico. "Ok, o disco não se trata de entretenimento puro, existe uma profundidade nele, e isso é perceptível sim 40 anos depois do seu lançamento original. E é por isso que mantenho esses discos, não só este, como os outros discos da Legião Urbana, para poder conversar a respeito deles com vocês".
O vídeo de Regis Tadeu falando sobre a Legião Urbana, e principalmente sobre o álbum de estreia da banda, pode ser conferido no player abaixo.
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