Regis Tadeu explica os erros na ida de Eloy Casagrande do Sepultura para o Slipknot
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de dezembro de 2024
A saída de Eloy Casagrande do Sepultura para integrar o Slipknot foi um dos episódios mais comentados no cenário do metal em 2024. O processo, que culminou na substituição do baterista brasileiro por Greyson Nekrutman, evidenciou discordâncias e revelou fragilidades na comunicação entre as partes envolvidas.
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Em entrevista ao podcast Entrando na Mente, o crítico musical Regis Tadeu analisou a transição e destacou o que, em sua visão, foi conduzido de maneira inadequada. Ele mencionou que faltou cuidado em pontos cruciais durante o desligamento de Eloy.
"Existem maneiras de se fazer esse tipo de transição, e eu acredito muito em certos princípios. Acho que a maneira como foi feita essa passagem... faltaram de ambos os lados alguns preceitos básicos. Não vou dizer ética, porque é uma palavra muito forte, mas, sim, uma conversa mais civilizada do que realmente aconteceu. Sei que as discussões foram bem pesadas", afirmou.
Segundo Regis, havia insatisfações mútuas entre Eloy e o Sepultura antes mesmo da proposta do Slipknot ser oficializada. "Havia queixas de ambas as partes. E essas queixas acabaram contribuindo para o que aconteceu. Até onde sei, o Eloy tentou, até o último minuto, conciliar as duas bandas, mas não havia como."
Já Eloy Casagrande, em entrevista ao Splash UOL, explicou que sua relação com o Sepultura sempre foi de músico contratado, sem participação no núcleo decisório do grupo. "Eu nunca fiz parte do Sepultura, sempre fui um músico autônomo, contratado. A partir do momento que tomei a decisão de sair, foi porque eu tinha essa liberdade. Não fazia parte do contrato social da banda", afirmou o baterista.
Eloy revelou ainda que o processo para integrar o Slipknot envolveu um acordo de confidencialidade, o que limitou suas possibilidades de diálogo com os colegas de banda. "Assim que recebi a confirmação, marquei uma reunião com o Sepultura e informei o que estava acontecendo. A partir daí, como eles entenderam a notícia, eu não sei, porque não conversei mais com eles. Depois disso, eles pediram para ninguém da equipe falar mais comigo", relatou.
Do outro lado, Andreas Kisser, líder do Sepultura, também abordou o tema em uma conversa no podcast Xablau. Ele demonstrou desconforto com a maneira como Eloy comunicou sua saída. "Ele falou no dia. Lógico que ele comunicou... mas foi bem esquisito. A gente estava há dois anos discutindo o planejamento da turnê de despedida e, até janeiro, ele parecia integrado. Na NAMM, ele não falou nada. Só na volta que anunciou que estava fora."
Apesar disso, Andreas reconheceu o talento de Eloy e sua capacidade de integrar qualquer grande banda. "Acho normal ele ir para o Slipknot, um cara com a qualidade que ele tem pode tocar em qualquer banda do mundo, sem dúvida nenhuma. Mas acho que o momento e a maneira como ele escolheu fazer isso foram esquisitos."
Mesmo com a surpresa inicial, o Sepultura rapidamente encontrou uma solução. Greyson Nekrutman, jovem baterista americano que Andreas já acompanhava, assumiu o posto deixado por Eloy. "Em dois dias, estávamos acertados com o Greyson. Era o espírito que a gente precisava, de celebração, respeito à história e aos fãs."
A transição foi marcada por sentimentos contraditórios, mas Andreas reafirmou os valores que guiam a banda. "O Sepultura é movido a desafios. Nossa equipe e os fãs são fantásticos. Desde o primeiro show com o Greyson, a recepção foi incrível. Isso é o Sepultura: respeito, honestidade e encarar as coisas de frente, sem medo."
Confira o episódio completo do podcast Entrando na Mente com Regis Tadeu abaixo.
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